Diário do Amapá - 15 e 16/03/2026
ENTREVISTA SANITARISTA | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 15 E 16 DE MARÇO DE 2026 14 OGoverno Federal iniciou uma nova estratégia para reduzir filas de atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS). No Amapá, uma das ações é a chegada de uma carreta equipada para exames e consultas, que ficará cerca de 30 dias. D iário do Amapá- Uma novidade muito boa, uma carreta que vai ficar 30 dias no Amapá dentro do programa Agora Tem Especialistas. O governo federal já tinha lançado o Mais Médicos, mas especia- lista era uma lacuna que precisava ser preenchida, não é isso? Raelma Paes - Exatamente. O programa Agora Tem Especialis- tas vem justamente nesse esforço do Governo Federal de reduzir o tempo de espera dos pacientes do SUS. Havia uma fila muito gran- de, agravada pela pandemia, que aumentou a demanda por cirur- gias, consultas e exames eletivos em todo o país. Diário - Dá para dizer quais eram as especialidades mé- dicas commaior demanda reprimida? Raelma - A gente tinha uma demanda muito importante na orto- pedia, ginecologia e também na oftalmologia. No total, o progra- ma atua com seis especialidades prioritárias, seja com cirurgias ou com unidades móveis, como as carretas que estão percorrendo os estados. Diário -E uma dessas unidades chega agora ao Amapá? Raelma - Sim. Na verdade, já estamos com duas unidades no es- tado. Uma voltada para a saúde da mulher e outra para exames, es- pecialmente tomografia computadorizada. Essa última está atual- mente em Santana. Diário - Essa entrevista está sendo gravada aqui no prédio da Secretaria de Estado da Saúde. Imagino que o apoio local seja importante nessa parceria? Raelma - Exatamente. O Ministério da Saúde oferta o serviço completo, com profissionais e estrutura, mas é necessário orga- nizar a rede local para que os pacientes sejam encaminhados. Por isso, o apoio das secretarias municipal e estadual é funda- mental, principalmente na regulação e no direcionamento dos pacientes. Diário - Essa carreta fica em Santana durante esses 30 dias. Onde exatamente? Raelma - Ela está na área portuária de Santana, no bairro Paraí- so, na unidade Maria Tadeu, onde também funciona a carreta de saúde da mulher. Diário - Além do Amapá, onde mais já ocorreram esses atendimentos doutora? Raelma - A carreta que chegou em Santana já atendeu mulheres de Mazagão e Macapá. Outros 19 municípios também recebem as unidades móveis do Governo do Brasil. Em Planaltina (DF), o mi- nistro da Saúde inaugurou uma carreta de saúde da mulher e cele- brou a marca de mais de 130 regiões de saúde de todos os estados e o DF cobertas pelas unidades, que atendemmilhares de brasilei- ros e brasileiras desde outubro de 2025. Diário - Teriam números disponoveis? Raelma - A gente já ultrapassou mais de 130 regiões em todo o Brasil. Só no mês de março vamos chegar a 150 regiões com as car- retas de saúde da mulher; as específicas para o problema de visão, de oftalmologia; e a carreta para tomografia. Por onde ela passa vai zerando a fila, vai levando mais atendimento e reduzindo o tempo de espera. Diário - Em Santana, serão atendidas pacientes da rede pública somenta previamente agendadas? Raelma - Exatamente. E encaminhadas pela secretaria de saúde local, garantindo organização dos fluxos assistenciais e continuida- de do cuidado na rede pública. Santana é o segundo município mais populoso do estado e mantém forte relação com territórios de grande circulação populacional, fazendo com que essa carreta do Governo do Brasil atenda mais pessoas, acelerando a confirma- ção diagnóstica e contribuindo para decisões terapêuticas em tem- po oportuno. A carreta, nesse contexto, não é apenas um equipa- mento móvel: ela funciona como dispositivo de integração entre atenção básica, regulação, média complexidade e gestão regional. NOTA DA REDAÇÃO - Além de Santana (AP), os municípios de Milagres (CE), Almenara (MG), Sousa (PB) e São José dos Campos (SP) também recebem carretas especializadas em exames de ima- gem, com tomografias, essenciais para o diagnóstico de doenças graves e definição de conduta médica. Também nesta sexta, rece- bem carretas de saúde da mulher, os municípios de Serra/ES, Para- moti (CE), Planaltina (DF), Viana (MA), Itajubá (MG), Corumbá (MS), Igarapé-Miri (PA), Pombal (PB), São Bento (PB), Colombo (PR), Maricá (RJ), Vilhena (RO), Rorainópolis (RR), Jurema (PE) e Araguaína (TO). ■ Reportagem: CLEBER BARBOSA V DA/ Breno Barbosa PERFIL Sanitarista, Bacharel eMestre emSaúde Coletiva (UnB), Assessora do Ministério da Saúde, profissional atuante no SUS. SOBRE AS CARRETAS -Até o final deste ano, um total de 150 unidades móveis estará em funcionamento no país. - Das 52 atualmente disponíveis, 35 são de saúde da mulher, 10 de exames de imagem e sete especializadas em oftalmologia. - Todas estão estruturadas com equipamentos, insumos e equipes multiprofissionais e atuam para desafogar a demanda reprimida. Vinte e três municípios, inclusive, já zeraram a fila por atendimento. - É o que aconteceu em Arapongas (PR), Japeri (RJ), Patos (PB), Humaitá (AM), Ceilândia (DF), Morro do Alemão (RJ), Garanhuns (PE), Urucânia /Santa Cruz (RJ), Brasiléia (AC), Tauá (CE), Mauriti (CE), Cariacica (ES), Taiobeiras (MG), Princesa Isabel (PB), Parnamirim (RN), Palmas (TO) e em Canoinhas (SC), em que todos que precisavam fazer diagnóstico de câncer de mama e exames ginecológicos receberam o atendimento. SAÚDE DOS OLHOS Em Ribeirão Preto (SP) e Ariquemes (RO) aqueles que esperavam por cirurgia de catarata tiveram os procedimentos cirúrgicos realizados em todas as carretas oftalmológicas do programa, mais de 2 mil pessoas voltaram a enxergar. Essas unidades móveis ofertam, também, outros procedimentos como mapeamento de retina e ultrassom ocular. Raelma Paes ■ Aassessora doMinistério da Saúde concede entrevista ao jornalista Cleber Barbosa, do Diário. A carreta vai acelerar consultas, exames e cirurgias especializadas
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