Diário do Amapá - 15 e 16/03/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 15 E 16 DE MARÇO DE 2026 2 U m burro encontrou uma pele de leão que o caçador tinha largado no mato. Na mesma hora, o burro vestiu a pele e inventou a brincadeira de se esconder numa moita e de pular fora sempre que passasse algum animal. Todos fugiam assim que o burro aparecia. O burro estava gostando tanto de ver a bicharada fugir correndo, que começou a se sentir o rei leão em pessoa, e não conseguiu segurar um belo zurro de satisfação. Ouvindo aquilo, uma raposa, que ia fugindo com os outros, parou, virou-se e se aproximou do burro rindo: - "Se você tivesse ficado quieto, talvez eu também tivesse levado um susto. Mas aquele zurro bobo estragou a brincadeira". O evangelho de Marcos do 23º Domingo do Tempo Comum nos apresenta Jesus curando “um homem surdo, que falava com dificuldade”. Alguns detalhes chamam a nossa atenção. Estamos numa região de pagãos. São pessoas que não tem familiaridade com as Escrituras, mas também os discípulos não estão compreendendo bem o que Jesus fazia e ensinava (Mc 6,52). Precisa ter ouvidos atentos para escutar a Palavra e a língua solta para, depois, anunciar a novidade da Boa Notícia. A cura do surdo-mudo não é um espetáculo, é um encontro pessoal, por isso acontece fora da multidão, com gestos e uma ordem “Efatá”, que quer dizer “Abre-te”. Cabe a cada um de nós nos deixarmos alcançar por Jesus para que seja ele, com os seus dedos, a nos abrir os ouvidos e a tocar a nossa língua. O “segredo”, a não divulgação do acontecido, não tem como finalidade o escondimento em si, mas a perseverança no ca- minho da fé, até chegar ao pleno reconhecimento de Jesus como “Filho de Deus” após o sofrimento da cruz (Mc15, 39). No entanto, ao ver o homem escu- tando e falando corretamente, a turma fica tão im- pressionada que comenta repetindo algumas palavras da profecia messiânica de Isaías: “Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar” (cfr. Is 35,5). Fica bastante claro que esta cura tem um grande valor simbólico e se torna um compromisso para todos nós. Com efeito, o gesto e a palavra “Efatá” permaneceu no Rito do Batismo das Crianças acompanhada pelas palavras do ministro: “O Senhor que fez os surdos ouvir e os mudos falar, lhe conceda que possa logo ouvir sua Palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai”. No Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, logo na primeira adesão, os candidatos ao Catecumenato são assinalados pelos catequistas nos ouvidos, com as palavras: “Recebam nos ouvidos o sinal-da-cruz, para que vocês ouçam a voz do Senhor”. Em seguida, são tocados na boca, com a palavras: “Recebam na boca o sinal-da-cruz, para que vocês respondam à palavra de Deus”. Retomando o “silêncio” que Jesus pede aos que viram a cura do surdo-mudo podemos, simplesmente, pensar que a comunicação da mensagem do Evangelho, com a qual somos convidados a alimentar sempre a nossa vida de cristãos, não deva ser confundida com qualquer outra notícia, ou como se fosse uma propaganda qualquer. Não é só questão de respeito, é sobretudo questão de responsabilidade. Se não es- cutarmos bem o que o Senhor quer nos dizer com as suas palavras e se não ex- perimentarmos os frutos dessa escuta praticando os seus ensinamentos, podemos falar bonito, mas não comunicamos aquela palavra viva que devemos ter no coração e que, aos poucos, está transformando a nossa vida. Essa escuta acontece no recolhimento, na oração, quando nos perguntamos o que o Senhor quer de nós e como podemos corresponder ao seu chamado. Nas missas também escutamos a Palavra e aclamamos “Graças a Deus” e “Glória a Vós, Senhor”. Grande é a missão daqueles que procuram explicar a Palavra de Deus aos irmãos. Primeiro, os pais cristãos nas suas famílias, depois os padres, os diáconos, os e as catequistas, aqueles e aquelas que não ficam calados quando devem dar o seu depoimento e, por fim, tantos outros que falam melhor com a própria vida do que com as palavras. A pele do leão que o burro vestiu pode ser até a Bíblia que carregamos, mas, quando falamos do Senhor, não dá para disfarçar se procuramos conhecer e vivenciar o seu Evangelho de verdade ou não. Se o coração está vazio, sai somente a nossa opinião. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá Retomando o “silêncio” que Jesus pede aos que viram a cura do surdo-mudo podemos, simplesmente, pensar que a comunicação da mensagem do Evangelho, com a qual somos convidados a alimentar sempre a nossa vida de cristãos, não deva ser confundida com qualquer outra notícia, ou como se fosse uma propaganda qualquer. O burro na pele do leão O que está acontecendo? Passaram mais de 20 dias e não recebi mais nenhuma Fake News (Notícia falsa). As redes sociais favo- receram esse modo de comunicar. Distorcendo totalmente a realidade. Assim sendo, as notícias falsas são sempre notícias. E relem- brando-nos o que falou o ex-ministro Goebbels da Alemanha de Hitler: “Uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”, assim nos leva a não compreender mais a verdade. Por que essa lógica? Fechada esse parêntese, hoje as notícias correm mais rápidas e só de- pende da gente intercepta-las. Quanta vez me aconteceu de ter anticipado informações através dos motores de busca via on-line! O digital tem o mérito que pode ser consultado em qualquer momento e lugar sem grandes recursos e não precisa imprimir. Tudo isso a custos bem acessiveis a qualquer um. Gratifica a sua ação. Além do mais, nestes últimos anos, o número de pessoas que frequentam a Internet aumenta cada vez mais. Isto é confirmado por uma infi- nidade de estatísticas, tanto nacional quanto internacional. Somente o Brasil tem quantos milhões de internautas? A praça digital é cada vez mais frequentada. E, assim, o número de pessoas e de ideias que posso entrar em contato diariamente aumentam de maneira sensivel. Consigo me manter informado emmuitas coisas que, em um passado até recente, isto me era impossivel. Torna-me fácil explorar novas rea- lidades geograficas, sociais e eclesiais quando, no passado, para ter isso precisava se locomover pessoalmente, fazer viagens incansáveis e exte- nuantes. Hoje em dia, tudo isso se reverteu, ficando sentado numa cadeira em frente a um simples computador. Quando tenho dificuldade em so- lucionar algo pertinente ao meu interesse, com- partilho com os meus contatos nos motores de busca. Eu fico feliz quando consigo lançar uma ideia no mundo, e o mundo digital nisto me ajuda muito, sem encontrar dificuldade de qualquer natureza. É claro que em tudo isso precisa res- peitar uma assim chamada deontologia profis- sional. Isto me trasforma na minha concepção de pensar e agir. Rende- me cada vez mais universal e menos local. Abre-me a mente para os fatos mais consistentes e fecha-me aos insignificantes. Reconheco que esta nova técnologia é um útil instrumento para a nossa evangelização. Porém, precisamos saber usa-la. Repito: não se trata somente de um símples uso dela, mas precisamos saber o que significa e a portada dela no nosso dia a dia. Devemos discernir como condiciona a nossa realidade. Nisto já pude mostrar através de vários artigos antecedentes neste jornal. Esta cultura digital me facilitou uma leitura mais veloz dos textos. Ebook reader, smartphone, iPad são novos instrumentos tecnológicos que nos permitem de ler um livro em qualquer lugar e momento, com uma certa rapidez. Imagino se uma evangelização entrasse nesses parâmetros o que deveríamos fazer? Certamente a lógica digital é mais presente no mundo jovem. Com essa nova lógica, torno-me um leitor diferente e creio mais exigente, porque quero saber fazer distinção daquilo que é verdadeiro e daquilo que é falso. ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. Eu fico feliz quando consigo lançar uma ideia no mundo, e o mundo digital nisto me ajuda muito, sem encontrar dificuldade de qualquer natureza. É claro que em tudo isso precisa respeitar uma assim chamada deontologia profissional. Hoje as notícias correm mais rápidas

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