Diário do Amapá - 15 e 16/03/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 15 E 16 DE MARÇO DE 2026 O Produto Interno Bruto (PIB) do país pode ter cres- cimento entre 0,8% e 1% no primeiro trimestre deste ano, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “Aeconomia brasileira é capaz de crescer entre 0,8% e 1% nesse primeiro trimestre. Então, osmecanismos demudanças no crédito, tudo que nós estamos fazendo para manter a de- manda efetiva está redundando emmanutenção [da economia aquecida]", disse o ministro. Nanoitedesta sexta-feira (13),Haddadconcedeuentrevista ao programa 20 Minutos, do Opera Mundi. Na entrevista, o ministro preferiu não dar uma estimativa de crescimento para o ano, justificando que uma previsão depende da taxa de juros. "Eu acho que nós fizemos um trabalho de saneamento das contas. Eu não estou preocupado com as metas fiscais. Eu acho que o crescimento, pela maneira como nós estamos conduzindo, sobretudo as reformas que foram feitas, vão permanecer. Eu acho que a reforma tributária, que entra em vigor ano que vem, vai dar um impulso para o PIB ainda maior", afirmou. Durante a entrevista, o ministro voltou a defender a ne- cessidade do arcabouço fiscal e negou que o governo tenha apertado demais a conta. “Não [apertou a conta], porque isso tinha que vir acom- panhado dessa batalha no Congresso Nacional – e que foi parcialmente bem-sucedida - de recomposição da base tri- butária. Nós perdemos 3% do PIB de base tributária. Para você abrir mão de carga tributária, o Congresso aprova em 15 dias, mas não para recompor e cortar privilégios no Brasil. Vai lánoCongressonegociar reduçãodeprivilégio, desoneração da folha. Cada projeto desse são semanas de negociação”. Saída doministério Haddad confirmouque vai deixar oministérioda Fazenda na próxima semana e que pretende se candidatar nas próximas eleições, embora não tenha informado para qual cargo. Segundo ele, a ideia inicial era contribuir para uma cam- panha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas mudou de ideia. “Queria estar mais livre para poder pensar, fora do Mi- nistério, em um plano de desenvolvimento [para o país]. Era isso o que eu queria fazer. Nesses trêsmeses de conversa com ele [com o presidente Lula], o cenário se complicou. O céu estámenos azul do que eu imaginava no final do ano passado. Então, devo sair do Ministério da Fazenda na semana que vem”, disse. ■ SAÍDA Economia pode crescer 1% no primeiro trimestre, diz Haddad ● E specialistas e entidades do setor de petróleo apontam que os aumentos abusivos nos preços dos combustíveis pelas distribuidoras - em São Paulo, há re- latos de postos vendendo o litro de gasolina a R$ 9 - não se devemapenas à instabilidade no cenário internacional. Para analistas, a privatização da BR Distribuidora eliminouo controle estratégico do Estado sobre a cadeia de fornecimento, deixando o mercado à mercê de reajustes abusivos que ignoramos valores praticados nas refinarias. Sema estrutura verticalizada que ia "do poço ao posto", o Brasil perdeu a ferramenta institucional necessária para frear a especulação emmomentos de crise, avaliamespecialistas ouvidos pela Agência Brasil. O alerta da venda de gasolina a R$ 9 "mesmo semreajustes equivalentes nas re- finarias" partiu de Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, GásNatural e Biocombustíveis (Ineep). Segundo nota publicada pela Fe- deraçãoÚnica dos Petroleiros (FUP), postos em São Paulo estão elevando preços de forma desproporcional, mesmo sem au- mentos por parte da Petrobras. Para a FUP, o conflitonoOrienteMédio — intensificado no final de fevereiro — tem servido de pretexto para que distri- buidoras e revendedoras apliquemmargens de lucro excessivas. “As distribuidoras e revendedoras au- mentaram os preços dos combustíveis. [O valor] chega na bomba para o consumidor final com acréscimo em torno de 40%”, calcula o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, em entrevista à Agência Brasil. Política de preços diferenciada SegundoBacelar, amajoraçãode preços - que prejudica os consumidores e pode impactar na inflação - ocorre porque foram privatizadas as subsidiárias da Petrobras que atuavamnadistribuiçãode combustíveis (BR Distribuidora e a Liquigás). “Nós tínhamos uma Petrobras que era bemmais integrada e verticalizada do que é hoje. Era a antiga empresa do poço ao posto,” afirmou o sindicalista. “Uma companhia petrolífera que faz exploração e produção de petróleo, e tam- bém transporte, refino, distribuição e co- mercialização dos derivados desse petróleo, consegue praticar política de preços dife- renciada”, compara Bacelar – favorável à verticalização na Petrobras de todas etapas de fornecimento de petróleo. A análise é compartilhada pela acade- mia. Para Geraldo de Souza Ferreira, pro- fessor de Engenharia de Petróleo da Uni- versidade Federal Fluminense (UFF), a re- tirada de uma empresa pública de umsetor tão vital retira do Estado suas "ferramentas institucionais" de intervenção. “Quando se retira uma empresa pública de determinado setor da cadeia produtiva, o Estado deixa de ter ferramentas institucionais para fazer algum tipo de intervenção.” Para Souza Ferreira, a atuação estatal no setor de petróleo é estratégica. “O petróleo e seus derivados são im- portantes para segurança energética do país e para manutenção de várias outras atividades. Esses produtos são fundamentais para a sociedade. Então, tem que ter um certo nível de controle.” O especialista ainda assinala que “uma empresa pública é orientada por sua função social. Já as empresas privadas sãoorientadas para o lucro, para o retorno financeiro.” Na última quarta-feira (11), a empresa Vibra Energia S.A que comprou a BR Dis- tribuidora anunciou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024. “Nossos resultados financeiros e operacionais comprovam a robustez e a capacidade de execução da companhia. Tivemos crescimento consis- tente de margens a cada trimestre do ano”, destacou Ernesto Pousada, CEO da Vibra, em comunicado da empresa. ■ PRIVATIZAÇÃO DA BR PREJUDICA CONSUMIDOR EM MOMENTO DE CRISE AUMENTOS ABUSIVOS V Foto/ Agência Petrobras/Geraldo Falcão
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