Diário do Amapá - 18/03/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 18 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O utro dia me dei conta de que o mundo acabou. Não com explosão, nem meteoro. Acabou de leve, com gosto de alguma coisa que não é. Estamos vivendo a era do sabor. Sabor de tudo. Sabor de nada. Comprei um suco. Sabor laranja, mas não é laranja. Li o rótulo como quem lê bula de remédio tarja preta. Tinha tudo ali, menos a laranja. Era uma espécie de laranja conceitual. Uma laranja que fez faculdade, virou tese, mas nunca foi fruta. Fui ao mercado. Carne sabor picanha. Aquilo me ofendeu pessoalmente. Picanha é coisa séria. Aquilo era um teatro bovino. Um figurante de churrasco. Um impostor com crachá. E a cerveja. Sabor cerveja. Sem álcool. Sem culpa. Sem graça. Sem nada. É o sujeito que vai ao bar e pede um abraço sem encostar. Fica ali, bebendo a ideia da cerveja. Uma relação pla- tônica com o copo. Amoda pegou. Tudo agora é sabor. Inclusive gen- te. Tem macho sabor homem. Fala grosso, postura de guerreiro, mas na primeira dificuldade pede colo e senha doWi-Fi. Um leão de Instagram e umgatinho de realidade. Tem feminista sabor mulher. Discursa, posa, lacra, mas na vida real negocia o próprio discurso como quem troca figurinha repetida. Uma coragem de filtro. Um empoderamento de legenda. E surgiram as versões gourmetizadas do nada. Influenciador sabor político. Fala muito, resolve nada, e ainda sai com publi no final. Economista sabor eco- nomista. Explica a crise como quem comenta novela. Cantor sabor cantor. Voz afinada no aplicativo, desa- finada na existência. Dupla sertaneja sabor raiz. Dois nomes, um talento parcelado em doze vezes sem juros. Averdade viroumaquiagem. Sucesso sabor sucesso. Rico sabor rico. Feliz sabor feliz. É tudo muito con- vincente até o boleto chegar. Lembrei até do Denorex. Parece, mas não é! Ó. Outro dia pensei que estamos colocando a vida no divã errado. Um sujeito que nunca foi resolve analisar o que nunca entendeu. É o mundo consultando a própria imitação. O problema não é parecer. O problema é quando ninguémmais é. A gente vive cercado de versões. Versões de comida, de gente, de sentimento. Tudo com gosto de alguma coisa que nunca chega a ser. E talvez o mais perigoso seja isso. Porque o sabor engana. Seduz. Convence. Mas não sustenta. No fim das contas, o mundo virou um grande cardápio de ilusões. Bonito, variado, bem apresentado. E completamente vazio. ■ Tudo tem sabor, menos essência O problema não é parecer. O problema é quando ninguém mais é. A gente vive cercado de versões. Versões de comida, de gente, de sentimento. Tudo com gosto de alguma coisa que nunca chega a ser. E talvez o mais perigoso seja isso. Porque o sabor engana. Seduz. Convence. É comum as pessoas acreditaremque são capazes de fazer alguma atividade que nunca fizeram e fracassarem... E enxergam o erro! Mas há pessoas que são incapazes de perceber a ignorância que possuem, ao contrário, acreditam-se ter competências que não possuem, parece ser um tipo de idiotia e que afeta até cientistas, médicos, grandes empresários, políticos etc. E essas pessoas que acreditam possuir um conhecimento que não tem, sofrem de Superioridade Ilusória, ou Efeito Dunning-Kruger. Além da incom- petência, também não tem a habilidade para reconhecer os próprios erros. É o que estamos testemunhando com o Irã com toda essa bravataria. Os ira- nianos acreditam ter condições de resistir à destruição e matança direcionada (a lideranças) que Israel e os Estados Unidos da América infringem. Apostam em seus drones e misseis de baixo custo, sem precisão, e em sua rede de "proxies" que estão sendo destruídos tanto no Líbano quanto no Iêmen. Alémde contar com a dependência de grande parte do mundo ao Estreito de Ormuz e com a resistência dos soldados e do povo. Já vimos como isso termina, no Iraque... E por duas vezes. A paciência do iraniano só levará a uma grande destruição da nação. Aliás, já deveriam ter aprendido em 2024 quando fizeram um grande ataque a Israel com 300 mísseis e drones na "Operação Promessa Verdadeira", que só ficou na promessa e atingiu nenhum alvo de valor. A superioridade tecnológica de Israel permitiu a defesa quase total e comataques "cirúrgicos" que neutralizaram as defesas aéreas iranianas e atingiram instalações nucleares. A mesma ilusão de superioridade, nós vimos no Hamas, organização militar palestina que promoveu uma grande onda de ataques contra civis israelenses no dia 7 de outubro de 2023, na Operação Dilúvio de Al-aqsa. Mataram cerca de 1200 pessoas, maioria de civis, incluindo 36 crianças. Dilúvio de bombas foi o que ganhou todo o povo de Gaza, os palestinos que viraram reféns dos terroristas e foram massacrados por um estado que deveria ser misericordioso com os inocentes. Os muitos e longos túneis construídos em Gaza para destruir o exército invasor israelense foi a prova que os sonhos de vitórias táticas não passavam de miragens, desfeitas diante da realidade imposta por um inimigo poderoso. Acreditando a todo momento que sairiam vencedores, reduziram a cinzas todo um país. Ao que parece a Superioridade Ilusória é um tipo de arrogância, o oposto total à humildade, a reconhecer-se como de fato é. Uma variação interessante do moto socrático: sei que nada sei! Ou seja, tudo o que sei só me faz enxergar ainda mais minha ignorância. Bastaria um pouco de humildade, aceitar a derrota, render-se incondicionalmente para salvar milhões de palestinos inocentes. O mesmo vale para os iranianos, sem líderes humildes, o país será destruído! Omesmo ocorreu com o Brasil diante da Covid-19, o presidente Bolsonaro deu ouvidos a quem não deveria e essa ilusão de ciência destruiu as famílias de 700 mil brasileiros mortos sem necessidade, às mínguas, muitas em sofrimento agonizante. ■ A ilusão de ser competente E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior Os muitos e longos túneis construídos em Gaza para destruir o exército invasor israelense foi a prova que os sonhos de vitórias táticas não passavam de miragens, desfeitas diante da realidade imposta por um inimigo poderoso. Acreditando a todo momento que sairiam vencedores, reduziram a cinzas todo um país. MARIO EUGENIO GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia
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