Diário do Amapá - 19 e 20/03/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA E SEXTA-FEIRAS | 19 E 20 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O Fórum Econômico Mundial fez um interessante artigo dentro de sua temática para acelerar ações em Saúde e Cuidados Médicos e que divulga os resultados do relatório Edelman Trust Barometer 2023. O Edelman Trust Institute realiza todo ano um estudo que mede a confiança do público em instituições como governo, empresas, mídia e organizações não governamentais. Ele é conduzido pela Edelman, que é uma das maiores empresas de comunicação do mundo. Esperava-se que 2023 seria o ano da recuperação do desastre que a Covid-19 causou, mas foi um ano de crises: guerra prolongada na Ucrânia, ameaças climáticas intensificadas, insegurança alimentar global e inflação acelerada, entre outros. Nesse cenário, grande parte da população do mundo está em crise grave por conta do custo de vida e da saúde. O estudo incluiu 13 países de primeiro mundo e a grande conclusão foi que o custo tornou-se a maior barreira para uma saúde melhor, com a desigualdade de renda agravando a crise de saúde. Há diferenças de dois dígitos entre as taxas de saúde relatadas por pessoas de alta e baixa renda e, como esperado, na confiança de que as insti- tuições "farão o que é certo" em relação à saúde. Para a maioria dos entrevistados, o desempenho de governos, empresas, ONG e mídia em garantir a saúde está abaixo do ideal, apenas "meu empre- gador" foi citado como instituição que atua bem. De uma forma geral, 52% das pessoas relatam uma lacuna significativa entre como cuidam da saúde e como gostariam que fosse cuidada, um aumento de 14 pontos percentuais (pp) desde 2022. Nos EUA foi de 45%, no Canadá 48% e Eu- ropa, Reino Unido, França e Alemanha, 46% cada. Os dados mais alarmantes vêm da Ásia desen- volvida: Coreia do Sul (66%, +23 pp) e Japão (60%, +16 pp). O custo é o fator dominante. Em 9 dos 13 países, a inflação foi apontada como o principal fator negativo para a saúde. E a saúde vai muito além do f ísico: dois terços dos entrevistados con- sideram saúde f ísica, mental, social e habitabilidade da comunidade ao avaliar o que seja ser saudável. Apenas 1% define saúde como puramente f ísica. O dado mais impressionante é que 91% inclua saúde mental em sua definição de bem-estar. Essa visão ampla abre novas oportunidades de engajamento, especialmente com os jovens. Para estabelecer caminhos para reconstruir a confiança, temos que ter em conta que 62% ainda confiam em empresas de saúde, mas querem ser vistos como indivíduos e que os relacionamentos com médicos sejam sólidos e que a confiança no ecossistema de saúde é um ponto importante para mudanças positivas. A maioria dos entrevistados afirmou que quando os especialistas em saúde querem promover mudanças é muito importante que eles: "in- cluam-me na ciência" (60%), "mostrem como isso se encaixa na minha vida" (62%), e "deem-me voz" (67%). A grande maioria dos funcionários acredita que os empregadores devam criar políticas para prevenir o excesso de trabalho e o "burnout" (83%), problema que 64% citou como prejudicial à saúde e é o que mais afeta a saúde dos entrevistados na China. E ainda respeitar os limites entre vida pessoal e profissional. ■ O custo da Saúde no mundo E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior A maioria dos entrevistados afirmou que quando os especialistas em saúde querem promover mudanças é muito importante que eles: "incluam-me na ciência" (60%), "mostrem como isso se encaixa na minha vida" (62%), e "deem-me voz" (67%). MARIO EUGENIO J oão Batista Gomes Filho – o nosso Joãozinho Gomes – é um caboclo ribeirinho amazônida que se fez poeta pela experiência nesta terra. Ao assinar a composição do samba enredo oficial daMangueira para o Carnaval 2026, Joãozinho reafirma sua condição de grande poeta e letrista da música brasileira, amazônica e amapaense. E, de quebra, ele eleva o nome do Amapá a paragens nunca antes alcançadas. Na obra literária e musical de Joãozinho Gomes, podemos perceber uma expressão amazônica, um complexo de língua e linguagem, que imprime diversos ritmos da vida de vários de nossos espaços e de suas gentes, recupera mitologias e narrativas africanas e indígenas e cobre de poesia o que esse vasto espaço, a Amazônia, evoca: sons, ritmos, imagens, ideias, palavras, cores, movimentos, afetos, “timbres e temperos”. Engana-se quem acha que Joãozinho Gomes é aquele poeta encerrado num escritório bem refrigerado, esperando uma epifania chegar. Joãozinho é nosso, é brasileiro, é negro e indígena, é caboclo ribeirinho de “sabor açaí”. Vencer o concurso, sempre muito bem frequentado, de excelentes sambas-enredo da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval do ano que vem – tendo Joãozinho Gomes entre seus compositores, juntamente com Pedro Terra, Tomaz Miranda, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal – significa que nosso poeta tu- cuju, cada vez mais, se afirma como um dos grandes da música brasileira. A “Mangueira é (mesmo!) uma floresta de sambistas”: é dessa “árvore-mulher” que saem ramos do quilate de Pedro Terra, jovem, mas já experiente compositor que emplacou o samba enredo da Mangueira de 2022; Tomaz Miranda, com o enredo da verde e rosa do Car- naval de 2019; Igor Leal, que já desfilava sua competência em 2002, também em nome do pavilhão da Mangueira; Herval Neto, debutando em composições de samba, mas já entrando com o “pé direito e muita sorte”; e Paulo César Feital, que foi parceiro de NelsonCavaquinho e Roberto Menescal, além de ter suas composições gravadas por outros grandes nomes da MPB, como Emílio Santiago, Chico Buarque, Alcione, Milton Nas- cimento e Beth Carvalho. Sigamos com as raízes e suas ramificações musicais e poéticas, agora as da laia de Joãozinho Gomes. Com parcerias com artistas do calibre de Nílson Chaves, Lecy Brandão, Chico Cézar, Walter Freitas, Eudes Fraga, Jane Duboc e Zeca Baleiro, entre tantos outros ícones, Joãozinho cria uma cosmologia sua que é toda nossa ao dar dimensão estética e ilimitada ao imaginário do Planeta Amapari (essa beleza de obra de 1995, em parceria com Zé Miguel e Val Milhomem). É desse jeito que Joãozinho tece e forra o céu dessa “Constelação de Parentes”, termo com o qual os indígenas se reconhecem. Reconheçamos, pois, Joãozinho Gomes como o poeta que eleva o nome da Amazônia e do Amapá ao Olimpo da maior festa popular e cultural do Brasil, que é o Carnaval. Quem ouvir o samba da Mangueira deve reconhecer as digitais, o respeito e o amor de Joãozinho pela terra onde pisa, pelos rios por onde navega e pela cultura deste rico torrão do Amapá, que o poeta ajuda a enriquecer com o valor de sua arte e a doçura de sua voz. Salve a poesia que vence e abre caminhos! Evoé, Joãozinho Gomes! ■ Yurgel Caldas Reconheçamos, pois, Joãozinho Gomes como o poeta que eleva o nome da Amazônia e do Amapá ao Olimpo da maior festa popular e cultural do Brasil, que é o Carnaval. Quem ouvir o samba da Mangueira deve reconhecer as digitais, o respeito e o amor de Joãozinho pela terra onde pisa. A poesia venceu: Joãozinho Gomes e o jeito tucuju para o mundo contemplar E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Professor de Letras da UNIFAP e orientador no PPGLET YURGEL CALDAS

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