Diário do Amapá - 19 e 20/03/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA E SEXTA-FEIRAS | 19 E 20 DE MARÇO DE 2026 O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, neste sábado (14), que o governo federal prioriza, neste momento, garantir abastecimento e “segurar o preço” do diesel. Ele defendeu as ações anunciadas, nesta semana, de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e da criação de uma subvenção de mais R$ 0,32 por litro. Ao todo, a expectativa é reduzir, ao todo, pelo menos R$ 0,64 por litro na bomba. As medidas levam em conta que o Brasil importa 25% do diesel. Devido à guerra no Oriente Médio, houve aumento na cotação internacional do barril de petróleo, o que impacta os preços na bomba de combustíveis. O vice-presidente contextualizou que a alta do diesel pode encarecer alimentos e transportes, além de elevar a inflação. Alckmin, que também é ministro do Desenvol- vimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), visitou concessionária da Scania em Santa Maria (DF) em função do andamento do programa Move Brasil (a política pública de estímulo à renovação da frota de caminhões). Alckmin considerou a ação do governo federal como “inteligente” e criticoumedida do governo de Jair Bolsonaro (em 2022), que limitou a cobrança do Imposto sobre Cir- culação deMercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis e ainda vetou compensação aos Estados. “Os estados foram para a justiça porque perderam receita. Acabou tudo judicializado, virando aí umprecatório gigantesco, afirmou. O vice-presidente explicou que, embora o Brasil seja exportador de petróleo, é importador de diesel porque ainda não tem refino o suficiente para o mercado local. Incentivo à indústria Em relação ao programaMove Brasil, o vice-presidente defendeu a estratégia de impulsionamento da indústria com “depreciação acelerada” dos equipamentos. “Lançamos o Move Brasil colocando R$ 10 bilhões, e saímos de juros de média de 23% para 13%. A resposta foi espetacular”, avaliou. Ele disse que, com dois meses do programa, já foram aplicados R$ 6,2 bilhões dos recursos previstos. Ele acrescentou que o programa estimulou o cami- nhoneiro autônomo a comprar um veículo zero quilômetro ou semi-novo. O vice-presidente também defendeu a iniciativa de estimular a indústria do carro sustentável com a eliminação do Imposto sobre Produtos Industria- lizados (IPI). ■ “SEGURAR O PREÇO” Governo prioriza abastecimento e quer evitar alta do diesel ● C oma guerra noOrienteMédiopres- sionando o preço dos combustíveis, oComitê de PolíticaMonetária (Co- pom) doBancoCentral (BC) faz nesta quar- ta-feira (18) a segunda reunião do ano. Mesmo com a alta do petróleo, os analistas demercado acreditamque o comitê decidirá pela primeira redução dos juros em dois anos. Atualmente em 15% ao ano, a Selic está nomaior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões. A decisão sobre a Taxa Selic será anun- ciada no início da noite desta quarta. OCo- pom estará desfalcado, porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos subs- titutos aoCongressoNacional nas próximas semanas. Na ata da reunião de janeiro, o Copom confirmou que pretendia começar a cortar a Selic em março. No entanto, o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pôs emdúvida o tamanho do corte, com al- gumas instituições financeiras chegando a apostar no adiamento da redução dos juros. Segundoaediçãomais recentedoboletim Focus, pesquisa semanal que ouve analistas do mercado financeiro, a taxa básica deve ser reduzida em0,25 ponto percentual, para 14,75%ao ano. Antes do início do conflito, a expectativa estava num corte de 0,5 ponto. Inflação Ocomportamento da inflação continua uma incógnita. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada por gastos com educação. No entanto, recuou para 3,81% em 12 meses, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Segundo o último boletim Focus, a es- timativa de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1% por causa do conflito no Oriente Médio. Isso representa inflaçãopouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5%, como intervalo de tolerância de 1,5 ponto. Taxa Selic A taxa básica de juros é usada nas ne- gociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de re- ferência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central paramanter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações demercado aberto– comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor de- finido na reunião. QuandooCopomaumenta a taxa básica de juros, pretendeconter ademandaaquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e esti- mulam a poupança. Desse modo, taxas de juros mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideramoutros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas ad- ministrativas. Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fiquemais barato, com incentivo à produção e ao consumo, afrouxando o con- trole da inflação e estimulando a atividade econômica. O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apre- sentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira emun- dial e o comportamento do mercado finan- ceiro. No segundo dia, os membros do Co- pom, formadopela diretoria doBC, analisam as possibilidades e definem a Selic. ■ COPOM SE REÚNE NESTA QUARTA COM PETRÓLEO SOB PRESSÃO DA GUERRA TAXA SELIC V Foto/ Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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