Diário do Amapá - 22 e 23/03/2026

ENTREVISTA EXECUTIVO | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 22 E 23 DE MARÇO DE 2026 14 O ex- diplomata brasileiro Roberto Ardenghy concede entrevista exclusiva ao Diário do Amapá, oportunidade em que analisa a atual retomada das pesquisas por petróleo e gás natural na Margem Equatorial. D iário doAmapá- O senhor já esteve noAmapá di- versas vezes, não émesmo Embaixador, seja como executivo, seja como diplomata? RobertoArdenghy - Sim, mais de vinte vezes. Primeiro como di- plomata, especialmente por conta da relação com a Guiana Francesa, e agora acompanhando esse novomomento com as perspectivas de exploração de petróleo na região. Diário - O petróleo vai muito alémda indústria, não é? Ele influencia até conflitos internacionais? Roberto - Semdúvida. Opetróleo responde por cerca de 35% da energia mundial. Como gás natural, esse número passa de 55%. Ele está presente empraticamente tudo: indústria, transporte, comércio. É um recurso estratégico e essencial. Diário -E muita gente não percebe que o petróleo está no dia a dia, não é? Roberto - Exatamente. Cerca de 85% dos objetos ao nosso redor têm alguma relação com o petróleo — desde roupas até equipamentos eletrônicos. É uma dependência muito maior do que as pessoas imaginam. Diário - Existe muita discussão sobre exploração na Amazônia. É possível fazer isso com segurança? Roberto - Sim. O Brasil já explora petróleo na Amazônia há décadas, como no projeto de Urucu, no Amazonas, com im- pacto ambiental mínimo. O importante é fazer com respon- sabilidade e tecnologia. Diário - Sobre o Amapá, houve recentemente a reto- mada das perfurações. O senhor está otimista? Roberto - A Sim, mas com cautela. Trata-se de um poço pionei- ro. Ele vai indicar se há petróleo ou gás e ajudar a entender o tama- nho do reservatório. É um processo técnico e gradual. Ele pode in- dicar a presença de hidrocarbonetos e orientar novas perfurações. É assim que se constrói o conhecimento da área. Diário - Nossos vizinhos, como Guiana e Suriname, já vivem um boom econômico com o petróleo. Isso pode acontecer aqui? Roberto - Pode, sim. A Guiana, por exemplo, teve crescimento de cerca de 58% no último ano. Isso muda completamente a econo- mia de um país. E pode gerar oportunidades também para o Ama- pá. Diário - Inclusive com empresas e mão de obra vindo de outras regiões? Roberto - Exatamente. É natural que haja integração com empre- sas mais experientes, principalmente do Sudeste. Isso ajuda a de- senvolver toda a cadeia produtiva local. Os reservatórios existentes amadurecem e a produção diminui com o tempo. É necessário re- por reservas para manter o país como grande produtor. Diário -E com a transição energética? O petróleo ain- da tem futuro Roberto - Tem, e por muito tempo. A transição será lenta e dife- rente em cada país. Mesmo com carros elétricos, o petróleo conti- nuará essencial para a indústria e diversos produtos. Diário - Então nosso agradecimento pela entrevista e para encerrar, deixe uma mensagem ao povo do Ama- pá Embaixador. Roberto - Ah, com todo prazer. Tenho um carinho especial pelo estado, inclusive sou cidadão honorário. Estou sempre à disposição para contribuir com informações e ajudar no debate sobre o desen- volvimento da região. Nota da Redação: É membro do FórumNacional da Indústria (FNI), órgão dos 50 principais setores da indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 2019, ingressou na PETROBRAS como Chefe de Gabinete do CEO. Foi nomeado Chief Executive (Membro do Conselho) responsável pelas áreas Institucional e Sus- tentabilidade, com responsabilidades para supervisionar mudanças climáticas, comunicações, desempenho social e assuntos governa- mentais. Trabalhou em diferentes Embaixadas e Consulados brasi- leiros no exterior (Washington DC, Buenos Aires, Houston e Nova York). Ele também ocupou altos cargos no governo federal do Bra- sil em Brasília no Gabinete do Presidente (Palácio do Planalto) e nos Ministérios da Justiça, Comércio e Desenvolvimento. De 2002 a 2007, trabalhou na Agência Nacional do Petróleo ANP (regulado- ra do petróleo), como Chefe de Gabinete, Presidente da Comissão de Ética e Superintendente de Abastecimento e Biocombustíveis. Reportagem: CLEBER BARBOSA PERFIL AtualmenteCEO do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), a principal associação do setornoBrasil, RobertoArdenghy é umex- diplomata brasileiro com mais de 30 anos de experiência. BREVE BIOGRAFIA -Como diplomata, atuou em relações governamentais, infraestrutura, energia, sustentabilidade ESG e petróleo e gás, tanto em empresas privadas quanto setores públicos. - Éreferência em discussões sobre energia no Brasil e no exterior e é palestrante frequente em eventos internacionais relacionados à transição energética, petróleo e gás e oportunidades de investimento no Brasil, como ADIPEC 2020 (Abu Dhabi), OTC 2021 (Houston) , GASTECH 2022 (Milão) e STS FORUM (Japão). FORMAÇÃO ACADÊMICA - Formou-se em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria e fez mestrado em diplomacia e relações internacionais no Instituto Rio Branco. - Também possui pós-graduação em Petróleo e Gás Natural pela niversidade Federal do Rio de Janeiro/COPPE. E -Em 2014, Ardenghy escreveu uma tese para o Programa de Estudos Avançados da Academia Diplomática Brasileira sobre Petróleo e Gás no Brasil e o Impacto na Política Externa". - É fluente em inglês, francês e espanhol. Roberto Ardenghy ■ Aentrevista do presidente do IBP, porvideochamada, para a Rádio Diário FM (90,9) neste sábado. Apesquisapor petróleono Amapáseráfeita comtodaa responsabilidade.

RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=