Diário do Amapá - 22 e 23/03/2026

PEC dos Professores A partida do deputado suplente Prof. Paulo Fernando fez a classe lembrar a importância de sua maior conquista no mandato de nove meses. Relator da PEC 138, a chamada PEC do Professor, promulgada em dezembro, ele abriu portas para que milhões deles no Brasil pudessem acumular funções em instituições, escolas, faculdades etc. Paulo deixou também um trabalho intenso de 30 anos nas pautas Pró- vida da Igreja Católica. Consumo consciente A Semana do Consumidor (9 a 16) movimentou mais de R$ 8,6 bilhões no País. Era a expectativa da Associação Comercial de SP, apesar de 80,2% das famílias brasileiras estarem endividadas, segundo a CNC. O economista Patrick Santos ressalta que promoções estimulam compras por impulso, destacando que é preciso avaliar se os descontos realmente representam economia real. Desafio e custos A entrada em vigor do ECA Digital obriga plataformas a adotarem biometria e verificação de documentos para proteger menores, elevando custos e alterando a experiência do usuário. Segundo especialistas, a exigência já causa bloqueios preventivos de serviços e desafios técnicos severos para softwares de código aberto. A corrida tecnológica precisa garantir a segurança sem comprometer a privacidade. Afago na estrada O presidente Lula da Silva soltou a MP 1.343 ontem, que altera a lei 13.703, e cria mais obrigatoriedades a contratantes de fretes e preserva os ganhos dos caminhoneiros. Quem contratar frete por valores abaixo da tabela, a partir de hoje pode pagar multa de R$ 1 milhão até R$ 10 milhões, dependendo do caso. É um primeiro afago aos caminhoneiros que pretendem fazer greve por causa da alta do óleo diesel. Fator Arruda O DF está em polvorosa com a subida meteórica do ex- governador condenado José Roberto Arruda (PSD) nas pesquisas para o GDF. Ele bate Celina Leão (PP), vice de Ibaneis Rocha (MDB). Arruda pode ser candidato até 15 de agosto, quando o TRE julgará seu caso. Inelegível, Arruda pode reverter sua situação por causa da mudança da Lei da Ficha Limpa, que altera a contagem dos anos de inelegibilidade. Ratinho e mais um Chefão do PSD, Gilberto Kassab notou a rápida ascensão de Ratinho Junior nas sondagens presidenciais e não quis jogo com Flávio Bolsonaro (PL). O Zero Um de Jair Bolsonaro esperava um sinal de indicação para vice, e não obteve. Ratinho Junior será o candidato a presidente pelo PSD e o vice ideal é Ronaldo Caiado (PSD), o governador do Goiás – mas nem tanto. Caiado não quer aparecer ofuscado numa chapa nacional – seria o sonho de Kassab. O mais pragmático candidato presidencial de direita desde os debates de 1989 bate pé, porém foi superado internamente pelo governador do Paraná que está pontuando bem melhor em todas as pesquisas nacionais, até nas espontâneas. Para fortalecer a chapa, Kassab agora procura nome de outro partido. O governo federal aumentou a fiscalização sobre postos e distribuidoras de combustíveis para verificar o au- mento abusivo de preço aos consumidores e a formação de cartéis em meio ao conflito provocado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde 9 demarço, a fiscalização feita por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e dos Procons estaduais e mu- nicipais percorreu 179 municípios em 25 estados e visitou 1.180 postos – de um universo de 41 mil postos. Mais de 900 notificações foram aplicadas ao mercado de combustíveis, sendo 125 feitas a empresas distribuidoras. Segundo oMinistro da Justiça e Segurança Pública, Wel- lington César Lima e Silva, a Secretaria Nacional do Consu- midor (Senacom) já notificou empresas que correspondem a 70% do mercado de distribuição de combustíveis. No total, 36 multas e interdições foram aplicadas a dis- tribuidoras e postos. “Esse ambiente de guerra de excepcionalidade não justifica práticas abusivas que estão sendo constatadas”, disse o ministro se referindo ao conflito no Oriente Médio e à elevação de preço nas bombas de diesel e gasolina. O preço do barril de petróleo chegou ao pico de US$ 120 e momentos de maior volatilidade e há análises de mercado que não descartam elevações superiores, especialmente por causa da dificuldade de transporte do petróleo no Estreito de Omuz, por onde é comercializada cerca de 25% do volume global da mercadoria. Lima e Silva também informou que foi assinada uma portaria criando uma força-tarefa para o monitoramento e a fiscalização dos mercados combustíveis “unindo e agregando” o trabalho da Senacon, da Polícia Federal e da Secretaria Na- cional de Segurança Pública. Segundo ele, a portaria que será publicada no Diário Oficial da União também serve como “reforço normativo” para que outros órgãos dos estados e dos municípios possam participar “com o lastro institucional adequado” no combate ao aumento de preços nas distribuidoras e bombas, formação de cartel de postos e de crimes contra a economia popular. ■ ANP Governo fiscalizou 1,1 mil postos de combustíveis para evitar abusos M ilhares de pessoas, sob chuva e frio intenso nas ruas e estradas emcidades libanesas, compõemo cenário da guer- ra entre Israel e o grupo político-militar Hez- bollah. Em menos de três semanas, o conflito esvaziou o sul do Líbano, expulsou mais de 1 milhão de pessoas das próprias casas, deixou mil mortos e 2,5 mil feridos. O Líbano abriga a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio. Ao todo, 22 mil brasileiros viviam no país em 2023, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores. O libanês naturalizado brasileiro Hussein Melhem, 45 anos, mora com a família na cidade de Tiro (ou Tyre), no litoral sul do Líbano, onde os combates e bombardeios são mais intensos. Ele acordou na madrugada do dia 2 de março com o prédio tremendo e deixou a cidade. “Estava dormindo e a minha esposa me acordou assustada. Parece um terremoto os mísseis passando por cima do prédio direto para Israel. Aí saímos de casa imediatamente apenas com um pouco de roupa”, conta. Em entrevista à Agência Brasil, ele diz que a situação causa raiva, muita tristeza e in- certezas. “Estamos gastando tudo que a gente tem. Não posso voltar para trabalhar. Não consigo dormir direito por causa da preocupação. O pessoal está muito bravo com tudo isso. Estão cobrando US$ 2 mil dólares por um aluguel. Minha casa própria foi bombardeada”, deta- lha. O libanês-brasileiro tem uma padaria em Tiro, mas não pode mais voltar para trabalhar em razão do conflito. “No Sul, você não vê quase nenhumcarrona rua. Émuita destruição. Ontembombardearam12pontes que acabaram com o movimento para o sul do Líbano. Tem uma ponte só”, lamenta. Pai de três filhas de 17, 15 e 7 anos, Hussein Melhemdescreve o cenário das ruas cheias de famílias forçadas a abandonarem suas casas. “As ruas, nem te falo, é muita tristeza. Você chora vendo as barracas, as pessoas em- baixo da chuva, no frio”, contou. No momento, ele e a família estão em uma casa emprestada por um conhecido. Po- rém, precisa deixar a residência em 10 dias ou começar a pagar aluguel. “Não sei o que eu vou fazer depois, estou perdido”, completa. Medo O também brasileiro-libanês Aly Bawab, de 58 anos, reside em Manaus (AM) e viajou para o Líbano para visitar a família. Ele chegou em 28 de fevereiro, primeiro dia dos ataques de Israel e Estados Unidos (EUA) contra o Irã. A família dele também é do Sul do país. Bawab decidiu abandonar a região depois de presenciar um edif ício desmoronando após ser atingido por um míssil israelense. Atual- mente, está em Beirute, onde os bombardeios são diários. “É dia e noite, não tem horário. Hoje tive- mos alguns momentos de paz durante o dia, apesar dos aviõesmilitares do inimigo ficarem ultrapassando a velocidade do som para fazer umtipo de explosão no ar e assustar as pessoas”, relata. ■ TERROR BRASILEIROS NO LÍBANO RELATAM DRAMA DA GUERRA: RAIVA, MEDO E INCERTEZA V Foto/ Hussein Melhem/Arquivo Pessoal ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 22 E 23 DE MARÇO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO

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