Diário do Amapá - 22 e 23/03/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 22 E 23 DE MARÇO DE 2026 Em um novo dia de tensão no mercado financeiro, o dólar voltou a superar R$ 5,30, enquanto o Ibovespa recuoumais de 2%. A instabilidade refletiu a aversão global ao risco diante da escalada do conflito no Oriente Médio e do avanço dos preços de energia. Odólar comercial encerrou esta sexta-feira (20) vendido a R$ 5,309, com alta de R$ 0,093 (+1,79%). A cotação abriu em torno de R$ 5,24 e acelerou a alta após a abertura dos mercados nos Estados Unidos. No maior nível desde o dia 13, a moeda estadunidense sobe 3,41% emmarço. Em 2026, no entanto, a divisa recua 3,28%. No mercado de ações, a tensão também foi grande. O índice Ibovespa, da B3, fechou o dia aos 176.219 pontos, com queda de 2,25%. O indicador está no menor nível desde 22 de janeiro. A bolsa brasileira recuou 0,81% e acumula perda de 6,66% em março. Em 2026, porém, sobe 9,37%. Essa foi a quarta semana consecutiva de queda no Ibovespa. Pressão externa Omovimento foi impulsionado pela valorização global do dólar e pela alta dos juros nos Estados Unidos, emmeio à reavaliação das expectativas para a política monetária. Investidores passaram a considerar a possibilidade de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) adote uma postura mais rígida diante do risco inflacionário provocado pelo encarecimento da energia. As taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançaram, pressionando ativos demaior risco, especialmente em países emergentes. Guerra no radar O agravamento das tensões envolvendo o Irã elevou a incerteza global. Informações sobre possível envio de tropas dos Estados Unidos e ameaças de interrupção no fornecimento de petróleo ampliaram a cautela nos merca- dos. O risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estra- tégica para o transporte de petróleo, reforçou temores de choque prolongado nos preços de energia. Petróleo em alta Os contratos internacionais de petróleo registraram nova alta. O Brent, referência global, fechou acima de US$ 112 por barril, com alta de mais de 3%. Durante o dia, a cotação chegou a US$ 115. * com informações da Reuters ■ CÂMBIO Dólar sobe a R$ 5,30, e Ibovespa cai 2,25% com tensão global ● O presidente Luiz InácioLula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (20), a necessidade de o país criar uma reserva estratégica de combustíveis, para regular preços e garantir abastecimento em caso de instabilidade internacional. “Eu falei para a Magda [Chambriard, presidente da Petrobras]: isso não é uma coisa rápida, é uma coisa que leva tempo, mas é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar”, disse, em evento de anúncio de investimentos da empresa emMinas Gerais. Lula criticou a escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito deOrmuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. “Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador, para a gentenão ser vítimadoque está acontecendo hoje. E se essa guerra durar 30 dias, durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz? E se os Estados Unidos resolverem estourar o Estreito de Ormuz, a crise vai ser pior”, acrescentou. Soberania OBrasil nãopossui reservas estratégicas de petróleo, mas conta com estoques ope- racionais de combustíveis para garantir que não haja desabastecimento nos postos entre a chegada de um navio importado ou o processamento em uma refinaria. O país ainda depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, o que aumenta a vulnerabilidade em mo- mentos de crise global. Para Lula, mesmo custando “muito caro”, as reservas garantiriam a soberania do país e a proteção contra a especulação no mercado em momentos de crise. O presidente citou como exemplo a manu- tenção das reservas brasileiras em moeda estrangeira, que chegaram a US$ 364,4 bi- lhões em janeiro deste ano. “Graças a essa reserva que nós come- çamos a fazer a 2005, até hoje o Brasil en- frenta todas as crises mundiais sem se abalar. Nós temos muita verdinha [dólar] [...], e eunão possomexer na reserva porque ela garante a soberania desse país”, disse. O presidente ainda afirmou que vai fazer os investimentos necessários na me- lhoria ou até construção de novas refinarias, e “trabalhar estrategicamente” emumplano de produção e estoque de combustíveis. “Certamente, os Estados Unidos têm estoque para uns 30 dias. Como eles vivem em guerra, eles têm que ter estoque. Cer- tamente, aChina temestoque. Certamente, a Rússia tem estoque”, argumentou Lula. Investimentos A Petrobras anunciou, nesta sexta- feira, investimentos de R$ 9 bilhões na Re- finaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, Minas Gerais. O presidente Lula lembrou que a refinaria esteve em processo de de- sinvestimento no governo passado e estava produzindo apenas 60% de sua capacida- de. Hoje, a Regap opera com 98% da ca- pacidade, com o processamento e refino de 170mil barris de petróleo por dia. Com investimento de R$ 3,8 bilhões, a previsão é produzir 200 mil barris por dia até o fim de 2027. E para os próximos cinco anos, a produção deve chegar a 240 mil barris por dia, com R$ 5,2 bilhões investidos. Durante o evento, Lula ainda inaugurou uma usina fotovoltaica que deve reduzir em 20% o gasto de energia da Regap. O projeto foi realizado comrecursos do Fundo de Descarbonização da Petrobras, criado para apoiar ações de descarbonização das operações da companhia. “As iniciativas fortalecema capacidade de produção de combustíveis da refinaria, promovem a transição energética, geram postos de trabalho e assegurama confiabi- lidade operacional da unidade”, destacou o governo federal. ■ LULA DEFENDE CRIAÇÃO DE RESERVA ESTRATÉGICA DE COMBUSTÍVEIS INSTABILIDADE INTERNACIONAL V Foto/ Ricardo Stuckert/PR
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