Diário do Amapá - 24/03/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 24 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA I nverno tem tainha em Santa Catarina. Fico fascinado pelo fe- nômeno fabuloso do tempo frio que é puxar as redes com to- neladas e toneladas de tainha. É de uma beleza incomensurá- vel. E eu que nunca liguei muito para o peixe em si, só gostava da tainha feito cambira, aquela escalada, salgada e secada ao sol, tenho comido tainha recheada (com ova, camarão, farinha e tem- peros, como aprendi com minha mãe), caldo de tainha, que fica uma delícia e tainha frita. Nada como morar aqui, pertinho de onde acontece o milagre dos peixes. Então faço água na boca da minha amiga Fátima de Laguna e ela me pede, como leitora do meu blog, que eu dê as receitas e ensine como fazer a cambira e o caldo. Muito pouca gente sabe, mesmo os nativos da ilha, pelo que tenho percebido, ao perguntar para alguns, que a cambira é a tainha escalada. A gente pega ela, já sem escamas, eviscerada, sem cabeça e abre ela de fora a fora, cortando encostadinho à espinha. Depois é só salgar, dos dois lados, bem salgado – isso é escalar, conforme quem mora na beira do mar e conforme o Aurélio, também. Aí é só pegar um dia de sol e deixar ela secar. Não é preciso deixar torrar, em um ou dois dias ela fica marronzinha e a cambira está pronta, pode ser consumida. É dessalgar – ferver trocando de água umas duas ou três vezes, fritar ou grelhar e comer com o que preferir, mas eu não sei de nada melhor do que um pirão de água. Ah, não sabem o que é pirão de água? É só ferver água, colocar farinha de mandioca no prato, despejar a água quente em cima e misturar. Aí é juntar a cambira, fechar a porta e comer. Faça um molho de limão com pimenta, mais ardida ou menos ardida, como preferir, e regue a cambira. Já o caldo de tainha é feito como os outros caldos de peixe. Minha mãe ensinou assim: pique alguns tomates, sem pele e sem sementes ou como preferir. Refogue cebola e alho bem picados com manjericão ou alfavaca (não pode faltar, é condição sine qua non), acrescente o tomate e outros temperos verdes, a gosto, coloque água o suficiente para a quantidade de peixe que vai cozinhar e não esqueça o sal. Eu não ligo para a cor, mas para quem gosta, pode usar colorau ou massa de tomate. Fervendo o caldo, coloque a tainha cortada em postas e temperada anteriormente com limão, sal e manjericão. Não deixe cozinhar muito, para o peixe não se desmanchar. Já dá pra fazer o pirão com o caldo e farinha de mandioca e comer com o peixe cozido, que está uma delícia. Não é fácil? Jaraguá, Corupá e redondezas têm o privilégio de ficar relati- vamente perto de São Francisco, Barra Velha, Barra do Sul, o que possibilita a tainha fresquinha no inverno. Isso é um privilégio. ■ Comer tainha no inverno Já o caldo de tainha é feito como os outros caldos de peixe. Minha mãe ensinou assim: pique alguns tomates, sem pele e sem sementes ou como preferir. Refogue cebola e alho bem picados com manjericão ou alfavaca (não pode faltar, é condição sine qua non)... E-mail: lcaescritor@gmail.com Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC LUIZCARLOSAMORIM P elo ano 1975, meu pai começou a assinar a Folha de S. Paulo, além da página de Ciência brasileira aos sábados, a coluna do Joelmir Beting era leitura obrigatória, pois ele conseguia traduzir o economês castiço para o Português popular. Arrogantes utilizam linguagem hermética para isso mesmo, fechar-se aos que não conhecem. Mas ter um vocabulário de uma casta não significa entender do assunto. Vejamos! Em 26 de dezembro do ano passado, a Folha de S. Paulo publicou as pre- visões dos economistas de seis entidades que desfrutam de respeito em nosso país. Está certo que adivinhar é mais uma arte que matemática, mas alguns, veremos, são mais economistas que outros... O Banco C6 previu que o Produto Interno Bruto do Brasil seria de 0%, isso mesmo, zero. Já a MB Associados foi mais otimista, 0,5%, enquanto que a Rio Bravo estimou em 0,7% e a Focus, 0,8%. O Banco Central e o Porto Asset Management arriscaram 1% de crescimento. E o que mais se aproximou do que estamos chegando foi o Ministério da Eco- nomia que predisse 2,5%. E deve ser maior ainda. Claramente, os economistas do Ministério da Economia estão mais afinados com a realidade do país e causa espécie o erro grotesco de Banco Central, aqueles que elevaram os juros a 13,75% e dizem que estão certos, mas o resto do mundo que não faz o mesmo não estão... Claro!? Só que não! Afinal, quem toma empréstimo caro se não precisar? No final, não gastam em produtos e serviços que alimentam a inflação? Enfim, o que diziam os economistas preditores? A MB Associados afirmava que o cenário para 2023 era de crescimento mais baixo. O C6 Bank previa um resultado mais baixo para o PIB por causa do fim do processo de reabertura da economia, a desaceleração global e o impacto dos juros altos. Já em abril, com a divulgação dos indicadores econômicos do primeiro trimestre que surpreen- deram positivamente os economistas, os bancos já começaram a revisar suas projeções do PIB, como o Bradesco que passou de 1,5% para 1,8% e o banco ABC Brasil de 0,1% para 1%. Em julho, foi a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorar sua estimativa de 0,9% para 2,1% em 2023. Agora, o Banco Central elevou de 2% para 2,9% sua estimativa de crescimento do PIB. A informação consta do relatório de inflação do terceiro trimestre, divulgado em 28 de setembro. O crescimento pode ser ainda maior, o que nos leva a crer que há muitos modelos preditores que ainda têmmuita incerteza (ou interesses indeclaráveis), mas o mais surpreendente é que os economistas fiquem surpresos com as previsões erradas... Até parece um debate que tivemos no INPE sobre predição da queda natural de um satélite (exigência internacional que cresce por causa do lixo espacial), um colega dizia que ele era o único no instituto que conhecia o assunto e afirmava que os modelos que usávamos da NASA e ESA estavam errados... Desafiei-o a mostrar o dele e provar que era melhor que os daquelas agências. Resultado? Continuamos utilizando os da NASA e ESA. Um dia teremos o nosso, mas depois de estudar bem o assunto. ■ Economia é ciência? O crescimento pode ser ainda maior, o que nos leva a crer que há muitos modelos preditores que ainda têm muita incerteza (ou interesses indeclaráveis), mas o mais surpreendente é que os economistas fiquem surpresos com as previsões erradas... E-mail: mariosaturno@uol.com.br Jornalista MARIO EUGENIO

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