Diário do Amapá - 25/03/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 25 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA C ompleta mais um aniversário, a Velha Senhora, a nossa Ponte Hercílio Luz, no dia 13 de maio. E cem anos não é qualquer aniversário. É preciso comemorar. Sua comunidade, as pessoas que vivem na cidade a qual serviu, até que foi aposentada, aos cinquenta e seis anos, deveriam festejar-lhe a longevidade. Parece pouco, parece ter se aposentado ainda jovem, mas trabalhou muito a Velha Senhora, dando passagem ao seu povo, ao progresso, facilitando as idas e vindas do continente para a ilha e vice-versa. E é realmentemuito pouco tempo apara aposentar-se, por isso ela está de volta, renovada e bela. Tenho uma afinidade ao contrário coma PonteHercilio Luz, a Velha Senhora de ferro. Quando eu era jovem– tenho agora 73, então faz umbom tempo -, vim à Florianópolis e passei por ela, que já estava adulta, quase velhinha, talvez por falta de uma manutençãomais eficiente. O tempo passou, eu envelheci, ela ficou fechada por décadas, para cirurgias que a deixariammaismoça, que demoraram, por razões que agora não vale a pena recordar, mas terminaram neste novo século. E agora ela está jovem e bela e eu estou velho, andando de muleta, não só pelo peso do tempo, mas também pelos percalços da vida. E eu passo de novo pela agora jovem senhora, remoçada e feliz, bela e faceira. Velha apenas na idade, pois está completando 100 (cem) anos a nossa Velha Senhora Jovem. Velha Senhora que, apesar da idade, continua nos servindo, posando como principal cartão postal da capital de Santa Catarina, sendo amais bela ligação da Ilha com o continente. Triste e melancólica até há pouco tempo, hoje aDama de Ferro está feliz, acolhendo em seu seio o seu povo, na travessia da Ilha de Santa Catarina para o continente e vice-versa. Vimos de perto, por várias décadas, nossa grande dama passando por várias e várias operações plásticas, lentas e inter- mináveis, mas finalmente uma última cirurgia geral a deixou jovem novamente para poder receber os ca- minhantes da sua cidade. Sim, os caminhantes também, pois além de carros e ônibus na sua pista de rolagem, os nativos da região e os turistas adoram atravessá-la e admirá-la, sentir-se acolhidos em seu peito. Sim, a idade lhe pesou e não podia mais suportar veículos, os automóveis, caminhões, ônibus, que por tanto tempo a atravessaram. Agora já nos acolhe a todos, novamente. Depois da série de cirurgias que veio sofrendo ao longo do tempo, podemos sentir todo o seu carinho e dedicação de novo, carregando-nos em seu seio. Fe- lizmente aconteceu a entrega aos cidadãos da Grande Florianópolis, pronta para ser usada. E continua imponente e majestosa de qualquer ponto da cidade que domina, a Velha Senhora mais bela da capital, feliz e iluminada, servindo a sua gente. Presto homenagem a você, Velha Senhora Jovem, em nome de todos aqueles que vivem na nossa bela Florianópolis, na Grande Florianópolis, e quero que saiba que entendo a sua felicidade, você que nos deu passagempor mais de meio século por seus braços estendidos sobre o mar, um do lado do continente e o outro do lado da Ilha de Santa Catarina. Depois de mais de 30 anos, você está de volta, compartilhando conosco a sua alegria. Sentimos falta de caminhar sobre o seu peito protetor, a nos dar segurança para chegarmos ao outro lado. As pontes de concreto que se perfilaram ao seu lado não têm a beleza e o carisma que você tem. Sabemos que já trabalhou demais, que merece a sua aposentadoria, mas está tão bela e sua solidão foi tão dolorida que, agora, queremos dizer-lhe que agradecemos a sua volta, a sua acolhida, o seu amor para conosco. É muito bom sermos acolhidos em teu peito novamente. Continue assim, altaneira e soberana, que queremos vê-la ainda por muito tempo bela e feliz. Sabemos que lhe foram incômodas as cirurgias contínuas que sofreu e pedimos perdão por isso, mas foi para devolver-lhe a saúde e poder mostrar que é a Velha Senhora mais forte que todos conhecemos. Demorou muito tempo, eu sei, mas está de volta. ■ Os cem anos da velha senhora Parabéns, Ponte Hercílio Luz, patrimônio da bela e Santa Catarina. Ainda vamos comemorar-lhe muitos outros aniversários no meio dos seus longos braços abertos. Você, que é patrimônio histórico e artístico de nossa terra, mas mais do que isso, é patrimônio do coração de todos nós. E-mail: lcaescritor@gmail.com Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC LUIZCARLOSAMORIM O ser humano é um ser social. Mais ainda, um ser familiar! Como o desenvolvimento de um ser humano é lento e custoso (necessita de proteção, dedicação e alimentação diferenciada... hoje custa caro mesmo), a união do homem e da mulher tinha que durar mais de uma década para cada filho. Separação do matrimônio é coisa recente na humanidade. E a alegria da união (orgasmo), recomendada até no Catecismo Católico, foi a mutação que fez a diferença em humanos, chimpanzés e bonobos. Parece intuitiva a resposta sobre o que seja melhor, estar casado ou solteiro. Porém, uma interessante pesquisa da Universidade de Michigan e da Universidade de Gestão de Cingapura em que estudaram cerca de 5.000 adultos nos EUA e no Japão com o intuito de verificar como ser solteiro ou casado afeta o bem-estar das pessoas. O artigo da pesquisa com o título "Diferenças Interculturais nas Associações entre Apoio e Con- flito Familiar e o Bem-Estar de Adultos Solteiros e Casados" (Cross-Cultural Differences in the Links Between Familial Support and Strain in Married and Single Adults' Well-Being) foi pu- blicado na revista Personal Relationships, e foi conduzida pelos pesquisadores Lester Sim e Robin Edelstein. A conclusão inicial pode surpreender alguns, pois os solteiros do Japão e EUA tinham MENOR satisfação com a vida e PIOR saúde em comparação com os casados. Os americanos casados relataram receber maior apoio familiar, o que ajudou a im- pulsionar o seu bem-estar, conforme mostra o estudo. Já os americanos e os japoneses solteiros sen- tiam mais estresse relacionado à família, mas isso só reduziu a felicidade dos americanos, não dos japoneses. No geral, o casamento, o apoio familiar e o estresse afetam o bem-estar das pessoas de forma diferente, dependendo da cultura. Ser solteiro ainda carrega um estigma signifi- cativo e pressão familiar, que pode contribuir para problemas de saúde e baixa satisfação com a vida. O casamento, entretanto, é considerado a base da estrutura social e da realização pessoal. Os adultos solteiros dos dois países relataram pior saúde f ísica e menor satisfação com a vida do que os casados. A disparidade foi parcial- mente explicada pelo apoio e pela tensão familiar, mas o impacto variou entre as culturas: enquanto a tensão familiar previu negativamente o bem-estar na amostra americana, a sua influência não foi significativa para os participantes japoneses. Da mesma forma, o apoio familiar foi positivamente associado ao bem-estar nos EUA, mas mostrou efeitos mais fracos e inconsistentes no Japão. O maior contato com a família nem sempre se traduziu em relações emocionalmente mais solidárias. Os indivíduos solteiros podem estar mais inseridos nas rotinas familiares, mas nem sempre se sentir emocionalmente apoiados e podem até ser mais vulneráveis a críticas ou expectativas não atendidas, particu- larmente em relacionamentos amorosos ou planejamento de vida. A maior pressão marital enfrentada pelos americanos solteiros pode continuar a tensionar as relações familiares, levando a interações mais hostis e ao aumento da tensão. ■ Quem é mais feliz, o casado ou o solteiro? Da mesma forma, o apoio familiar foi positivamente associado ao bem- estar nos EUA, mas mostrou efeitos mais fracos e inconsistentes no Japão. O maior contato com a família nem sempre se traduziu em relações emocionalmente mais solidárias. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Jornalista MARIO EUGENIO

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