Diário do Amapá - 25/03/2026
ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 25 DE MARÇO DE 2026 O desenvolvimento da energia nu- clear é estratégico para o Brasil alcançar autonomia energética e soberania nacional, em ummomento em que as economias globais precisam de fontes estáveis de energia e o cenário geo- político causa turbulência nas cadeias de petróleo e gás natural. Aopinião é defendida por especialistas que participaram, nesta segunda-feira (23), do Nuclear Summit, encontro sobre o de- senvolvimento da energia nuclear, na Casa Firjan, centro de inovação e tendências da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. O encontro foi realizado pela Associação Brasileira para Desen- volvimento de Atividades Nucleares (Ab- dan). Oprofessor de relações internacionais Júlio César Rodriguez, da Universidade Federal de SantaMaria (UFSM), considera que o Brasil deve investir na energia nuclear pelo caráter escalável dessa fonte energética, ou seja, capacidade de aumento da produção. “A energia nuclear é uma fonte de energia chave para o Brasil dominar, ter autonomia energética e, mais do que isso, ser autônomo tecnologicamente”, completa o professor da universidade gaúcha em entrevista à Agência Brasil. “Dominando o processo todo, a ex- tração dos minérios, o enriquecimento, o desenvolvimento de reatores, estamos jo- gando em nível de desenvolvimento in- dustrial, tecnológico e científicomais alto, dos atores mais importantes do mundo”, sustenta. Momento certo O presidente da Abdan, Celso Cunha, elenca que a energia nuclear tem “atributos importantes”. “É limpa, gera energia em um espaço muito pequeno, é altamente eficiente e tecnológica”, descreve. Para Cunha, a conjuntura ambiental e geopolítica, comconflitos internacionais, reafirma as vantagens da energia nuclear. “É extremamente importante umpaís ser independente energeticamente. Um país dependente energeticamente não con- segue crescer”, diz ele à Agência Brasil. O presidente da Abdan reconhece que o Brasil temmuitas fontes renováveis, como eólica, solar e hidrelétrica, mas res- salta a vantagem de a energia nuclear ter fornecimento constante, que não depende de fatores climáticos, como ventos, sol e regime de chuvas. “É a grande solução”, defende ele, in- cluindo como vantagem para o país a ca- pacidade de exportar combustível. "Po- demos ganhar muito dinheiro vendendo combustível. Nada de vender minério in natura, isso não traz valor agregado. Es- tamos no momento certo, chegou a hora do nuclear”, finaliza. Apesar de ser considerada pela in- dústria como energia limpa, a fonte nuclear atrai preocupação de ambientalistas a res- peito dos resíduos gerados no processo, que precisam ser armazenados de forma segura. No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, umórgão estatal, trabalha na definição de um reservatório definitivo para pastilhas utilizadas de urânio. Ciclo de urânio A assessora de integridade e gestão de risco da Empresa de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar), Mayara Mota, explicou que a empresa, li- gada ao Ministério de Minas e Energia (MME), busca caminhos para que o Brasil domine o ciclo completo do urânio, mineral matéria-prima da energia nuclear. “Hoje em dia, a conversão é feita fora do Brasil. Então, a ideia da usina de con- versão é que a gente possa trazer a infra- estrutura. A técnica para fazer isso a gente tem, falta a estrutura”, detalhou. Aconversão é a transformação do yellowcake (con- centrado de urânio) em hexafluoreto de urânio, etapa fundamental no ciclo do combustível nuclear, que transforma um pó sólido em um composto que facilita o enriquecimento e o transporte. ■ ENERGIA NUCLEAR É ESTRATÉGICA PARA SOBERANIA, DEFENDE INDÚSTRIA ENERGIA LIMPA V Foto/ Tomaz Silva/Agência Brasil
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