Diário do Amapá - 27/03/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SEXTA-FEIRA | 27 DE MARÇO DE 2026 A equipe econômica projeta arrecadar R$ 4,4 bilhões adicionais em 2026 com o aumento da tri- butação sobre fintechs, casas de apostas e juros sobre capital próprio (JCP). A estimativa foi apresentada pela Receita Federal no primeiro Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do ano. O documento, que orienta a execução do Orçamento federal, foi enviado na terça-feira (24) ao Congresso Na- cional. Essas taxações foram aprovadas pelo parlamento em dezembro de 2025 e fazem parte do esforço da equipe econômica para diminuir o desequilíbrio nas contas públicas em 2026. Novas alíquotas A legislação elevou a tributação sobre diferentes setores. No caso das apostas online (bets), a alíquota subiu de 12% para 15%. Já os juros sobre capital próprio passaram a ter incidência de 17,5% de Imposto de Renda, contra 15% cobrados anteriormente. Para fintechs e instituições financeiras, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) terá aumento pro- gressivo, chegando a 20% a partir de 2028, dependendo do tipo de instituição. Impacto direto No relatório, a Receita detalhou de onde virá o reforço de arrecadação previsto para 2026: R$ 3,1 bilhões: Imposto de Renda sobre JCP R$ 1,1 bilhão: CSLL de fintechs e instituições finan- ceiras R$ 260 milhões: taxação de bets Ao todo, o impacto combinado das medidas tributárias deve alcançar R$ 4,4 bilhões. Benef ícios cortados Além do aumento de tributos, o governo também promoveu um corte de cerca de 10% em benef ícios fiscais. A redução atinge incentivos ligados a tributos como Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Segundo o relatório, a Receita Federal estima que o corte de benef ícios aumente a arrecadação federal em R$ 16,5 bilhões neste ano. Somadas, as ações tributárias – tributação de bets, fintechs e de JCP; e redução de benef ícios fiscais – devem produzir um efeito total de R$ 20,9 bilhões em 2026. ■ CASAS DE APOSTAS Governo prevê arrecadar R$ 4,4 bi com taxação de fintechs, bets e JCP ● A prévia da inflação oficial domês de março ficou em0,44%, pressionada para cima pelo preço dos alimentos. O resultado mostra perda de força em re- lação ao 0,84% apurado em fevereiro. A prévia fica abaixo tambémdo índice medido em março de 225 (0,64%). Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao ConsumidorAmplo 15 (IPCA-15) acumula alta de 3,9%, dentro da meta do governo, que tolera até 4,5% ao ano. Os dados foramdivulgados nesta quin- ta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Grupos de preços Os nove grupos de preços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta na passagem de fevereiro para março. O destaque de alta foram os alimentos e bebidas, com elevaçãomédia dos preços de 0,88%, o que representou impacto de 0,19 ponto per- centual (p.p.) no IPCA-15. Alimentação e bebidas: 0,88% (impacto de 0,19 p.p.) Habitação: 0,24% (0,04 p.p.) Artigos de residência: 0,37% (0,01 p.p.) Vestuário: 0,47% (0,02 p.p.) Transportes: 0,21% (0,04 p.p.) Saúde e cuidados pessoais: 0,36% (0,05 p.p.) Despesas pessoais: 0,82% (0,09 p.p.) Educação: 0,05% (0,00 p.p.) Comunicação: 0,03% (0,00 p.p.) Alimentos Dentrodo grupo alimentação e bebidas, o conjunto de preços da chamada alimen- tação no domicílio ficou 1,10% mais caro. Em fevereiro havia sido 0,09 p.p. Contribuíram para esse resultado as altas doaçaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%). O IBGE destaca que, emtermos de peso na inflaçãomensal, as carnes representaram impacto de 0,04 p.p.; já o leite, 0,03 p.p. Com os aumentos de dois dígitos, o feijão e o açaí contribuíram, cada um, com 0,02 p.p. do índice emmarço. A alimentação fora do domicílio subiu 0,35% em março, superando a expansão observada em fevereiro (0,46%). Mais influências De todos os 377 subitens (produtos e serviços) pesquisados pelo IBGE, o que exerceu maior pressão de alta individual no IPCA-15 foram as passagens aéreas, que subiram 5,94% no mês (impacto de 0,05 p.p.) Na prévia de março, os combustíveis apresentaram deflação de 0,03%, ou seja, namédia, houve redução de preço. OIBGE apontou os seguintes comportamentos: gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e ga- solina (-0,08%). Já o óleo diesel teve variação positiva de 3,77%. Guerra no Irã O preço dos combustíveis, especial- mente os derivados de petróleo, como diesel, gás e gasolina, estão sendoobservados com atenção em março por autoridades, profissionais do setor e motoristas por causa da guerra no Irã, que tem levado distúrbios à cadeia global de petróleo. Aqui no Brasil a Petrobras chegou a anunciar reajuste no diesel emR$ 0,38 por litro, e o governo adotou medidas para suavizar a escalada de preços, incluindo a zeragem de alíquotas do PIS e da Cofins, tributos federais incidentes sobre o diesel. O diesel, utilizado por ônibus, cami- nhões e tratores, é o derivado que mais sente a pressão internacional. Umdosmo- tivos é que o Brasil importa 30% do óleo que consome. IPCA-15 x IPCA O IPCA-15 tembasicamente amesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% no acu- mulado em 12 meses, commargem de to- lerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos. ■ PRÉVIA DA INFLAÇÃO DE MARÇO FICA EM 0,44%, PRESSIONADA POR ALIMENTOS IPCA-15 V Foto/ Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
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