Diário do Amapá - 29 e 30/03/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 29 E 30 DE MARÇO DE 2026 A forte emissão de títulos prefixados fez a Dívida Pública Federal (DPF) subir em fevereiro. Segundo números divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 8,641 trilhões em janeiro para R$ 8,841 trilhões no mês passado – alta de 2,31%. Em agosto do ano passado, o indicador superou pela primeira vez a barreira de R$ 8 trilhões. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) avançou 2,17%, ao passar de R$ 8,331 trilhões em janeiro para R$ 8,511 trilhões em fevereiro. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 102,81 bilhões em títulos a mais do que resgatou, principalmente em papéis prefi- xados (com juros definidos com antecedência). A essa emissão líquida, somou-se a apropriação de R$ 77,76 bi- lhões em juros. Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 14,75% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 143,26 bilhões em títulos da DPMFi. No entanto, mesmo com o baixo volume de vencimentos em fevereiro, os resgates foram menores e somaram R$ 40,46 bilhões. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 6,13%, ao passar de R$ 310,59 bilhões em janeiro para R$ 329,65 bilhões em fevereiro. Apesar da queda de 1,54% do dólar no mês passado, a dívida aumentou por causa do lança- mento de US$ 4,5 bilhões em títulos do Tesouro Nacional no mercado externo no mês passado. ■ ENDIVIDAMENTO Dívida Pública sobe 2,31% em fevereiro e supera R$ 8,8 trilhões ● A guerra no Irã e o novo choque do petróleo em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz expõem a insegurança energética do Brasil, que in- terrompeu o projeto de ampliação do refino no país em meio à operação Lava Jato e à pressão das multinacionais do petróleo. Essa é a avaliação do ex-presidente da Petrobras, José SergioGabrielli, que lançou, nesta semana, o livro Economia do Hidro- gênio: paradigma energético do futuro, sobre as perspectivas do uso do hidrogênio na transição energética. A obra foi editada pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Ementrevista àAgênciaBrasil, Gabrielli destacou que os Estados Unidos (EUA) tentam interferir no mercado mundial do petróleo por meio das intervenções na Ve- nezuela e no Irã; que a guerra vai alterar a geografia desse comércio com provável maior participação do Brasil, Canadá e Guiana na oferta do óleo bruto para China e Índia. Porém, sem capacidade de refino para atender a demanda interna, em especial o diesel, oBrasil estaria exposto às turbulências do atual período. O ex-presidente da Pe- trobras ainda comentou sobre o papel das importadoras de combustíveis no Brasil e o impacto da guerra para transição ener- gética. Confira a entrevista abaixo: Agência Brasil: Quais os efeitos da guerra no Irã para o comércio global do petróleo e gás? SergioGabrielli: Tivemos dois choques grandes em 1973 e 1979 [momentos de turbulências políticas no Oriente Médio que levarama altas do preço do barril e sa- cudiram a economia mundial]. E agora es- tamos tendo um terceiro grande choque dopetróleoque vai deixar efeitos estruturais, mudando a comercialização do petróleo, mas, mais ainda, do mercado de gás. Isso porque estamos tendo ataques às principais fontes produtoras de gás do mundo. No mercado de petróleo, o efeito vai ser um pouco mais suave no início, mas vai ter um impacto mais longo também. Isso porque, noOrienteMédio, estão sendo construídas as principais novas refinarias domundo, naArábia Saudita, nos Emirados ÁrabesUnidos e no Irã. Eodestinoprincipal do petróleo do Golfo Pérsico é a China e a Índia. A política americana agressiva do Trump tem claramente um objetivo de controle do mercado de petróleo. Não é à toa que o primeiro país em que ele atuou foi o absurdo sequestro do presidente da Venezuela, com a imposição de uma série de posições favoráveis aos EUA. Isso se justifica porque há uma com- plementariedade entre o tipo de petróleo que a Venezuela tem e as refinarias norte- americanas, que são muito adaptadas a esse petróleo. Por outro lado, o Irã é o segundomaior produtor do Oriente Médio, depois da Arábia Saudita.Mas o Irã temummercado próprio por causa das sanções americanas. O petróleo do Irã alimenta muito a China e outras partes do mundo através de um mercado paralelo criado por causa das san- ções. Coma guerra, evidentemente que essa exportaçãodo Irã vai se alterar. Ao controlar oEstreitodeOrmuz, o Irãmuito sabiamente passou a permitir que só alguns passem por lá, desde que paguememyuans [moeda chinesa]. Isso revela outra dimensão da crise re- lativa à utilização do dólar como unidade de negociação nessemercado. Em suma, o mercado de petróleo vai mudar, tanto em relação ao dólar, quanto à redução do peso do Oriente Médio. ■ GUERRA EXPÕE RISCO ENERGÉTICO DO BRASIL, DIZ EX-CHEFE DA PETROBRAS TURBULÊNCIAS V Foto/ Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
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