Diário do Amapá - 31/03/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 31 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E screvi várias vezes que a prioridade nacional deveria ser a preservação da maior riqueza de uma nação, a água potável. E ainda que ao invés de bolsas para família em situação famélica, deveriam priorizar bolsas- trabalho especialmente para a construção de cisternas no Nordeste, para enfrentar a seca, e nas cidades, para conter as inundações. Mas não tenho ilusões quanto a esse governo que nada tem de patriótico, nem estratégico e nada laborioso. Além das cisternas, descobri na Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o projeto das Barraginhas que são pequenas bacias escavadas no solo, de 8 a 10 metros de raio e rampas suaves, construídas dispersas nas propriedades com a função de captar enxurradas, controlando erosões e pro- porcionando a infiltração da água das chuvas no terreno. Há um livro que pode ser adquirido diretamente do site da Embrapa, escrito pelo Luciano de Barros, engenheiro agrônomo especializado em irrigação e drenagem, e Paulo Eduardo Ribeiro, químico espe- cializado em gestão ambiental. Ambos da Embrapa de Sete Lagoas, Minas Gerais. A Embrapa desta cidade desenvolveu o Projeto Barraginhas para amenizar a perda de terra e nutrientes arrastados pela erosão, devido ao desma- tamento acelerado e introdução de lavouras e pastagens sem os devidos cuidados de conservação de solo e sem a preocupação com reposição de nutrientes. Além do que o gado provoca a compactação dos solos, reduzindo a infiltração das águas das chuvas e provocando a enxurrada e erosão. O Sistema Barraginhas consiste emdotar as áreas de pastagens, as lavouras e as beiras de estradas, onde ocorram enxurradas, de vários miniaçudes distribuídos de modo que cada um retenha a água da enxurrada, evitando erosões, voçorocas (mega erosões) e assoreamentos, e ainda amenizando as enchentes. Ao barrar a água de uma chuva intensa, as barra- ginhas darão tempo para que essa água se infiltre no solo, recarregando o lençol freático. Quanto mais rápido essa água se infiltrar no solo, mais eficiente será a barraginha. Assim, ela estará apta a colher a próxima chuva. A elevação do lençol freático aumenta a disponibilidade de água nas cisternas, propicia o umedecimento das baixadas e até o surgimento de mina- douros. Isso ajuda a amenizar os efeitos das estiagens e viabiliza a sustentação de lagos para criação de peixes e o cultivo de hortas, lavouras e pomares, gerando um clima de motivação entre os agricultores, e proporcionando mais trabalho e renda. Este sistema de captação de água de chuvas funciona muito bem no semiárido brasileiro que temprecipitações de 500milímetros a 1.800milímetros, mas o maior problema é a má distribuição dessas chuvas. Caindo muita água em poucas ocasiões, ou seja, grande parte desse volume pluvial não se infiltrará no local, escorrendo para formar enxurradas e enchentes. O governo não precisa ir a Israel buscar tecnologia não apropriada para resolver todos os nossos problemas, a prataria da casa é fina e bonita, mas precisa que deputados e senadores a conheçam e promovam. ■ A elevação do lençol freático aumenta a disponibilidad e de água nas cisternas, propicia o umedecimento das baixadas e até o surgimento de minadouros. Barraginha para aproveitar a chuva E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sêniordo INPE MARIO EUGENIO A aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento contribuiu para o avanço da prestação de serviço do setor por meio de Par- cerias Público-Privadas (PPPs), concessões, entre outros instru- mentos. Até então inexpressiva entre os assuntos de infraestrutura, a pauta ganhou relevância no debate nacional. Se por um lado temos discutido os desafios de atendimento das metas na área urbana até 2033, ainda encontramos lacunas para atender a população rural. A legislação deixa claro que o atendimento dos objetivos de universalização de abastecimento de água e esgotamento sanitário deve ser considerado apenas para áreas rurais sob cobertura de contratos. Porém, as localidades que não estejam sob responsabilidade contratual de uma concessionária – estatal, paraestatal ou privada – não são atendidas pela legislação em vigor. Isso quer dizer que elas estão desobrigadas ao cum- primento das metas dos serviços. A população rural brasileira é de aproxima- damente 30 milhões de pessoas. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS - 2021), 92,3% dos mo- radores dessas regiões não são atendidos por serviços de esgotamento sanitário e 70,4% não possuem sistemas de abastecimento de água tra- tada. A complexidade do saneamento na área urbana já é grande e se multiplica ainda mais nos distantes territórios brasileiros, começando pela ausência de informação dessas localidades, capazes de apontar as reais demandas dessas populações. A ausência de sistemas de esgotamento sani- tário é alta em todas as regiões brasileiras e chega a 99,7% na região Norte. Na região Cen- tro-Oeste, 76,4% da população não dispõe do serviço. No abastecimento de água, 80,2% dos moradores da área rural da região Norte não têm esse serviço, contra 55,1% da região Sul, que aparece com os melhores indicadores nesse quesito, segundo dados do SNIS 2021. Diante de um panorama extremamente di- versificado, as soluções de uma região podem não ser a resposta para outra localidade. Por isso, cabe ao município elaborar um planejamento, que comece com um levantamento de dados da realidade da sua área rural. O próximo passo é buscar soluções para as demandas dessa população. A Embrapa, por exemplo, desenvolveu várias tecnologias para atendimento dos moradores da área rural como “Fossa Séptica biodigrestora”, o “Jardim Filtrante” e o “Clorador Em- brapa”. Outro fator importante para o sucesso dessa empreitada é a interação das ações entre os diversos níveis de governo, além da participação ativa da comunidade na discussão de suas demandas bem como no pro- cesso de alcance da universalização dos serviços. O avanço do saneamento básico no país deve atender tanto a população urbana como os moradores do campo. O abastecimento de água potável e o esgotamento sanitário nas áreas rurais promove saúde e desenvolvimento, oferecendo aos brasileiros das mais distantes loca- lizações o sentimento de pertencimento a uma nação que os tornam tão importantes quanto aqueles de qualquer outra região do país. ■ Saneamento rural, um desafio a ser enfrentado Diante de um panorama extremamente diversificado, as soluções de uma região podem não ser a resposta para outra localidade. Por isso, cabe ao município elaborar um planejamento, que comece com um levantamento de dados da realidade da sua área rural. E-mail: edmir@libris.com.br ELZIO MISTRELO Engenheiro e Diretor Administrativo e Financeiro da Apecs
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