Diário do Amapá - 31/03/2026

ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 TERÇA-FEIRA | 31 DE MARÇO DE 2026 O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou nesta segunda-feira (30) que o Brasil está emuma posiçãomais favorável que outros países para encarar a volatilidade do preço do petróleo causada pela guerra noOrienteMédio. Oexecutivo participou do J. Safra Macro Day, realizado nesta manhã na capital paulista. “É lógico que todo mundo preferia estar em uma situação sem todos esses potenciais riscos e choques que omundo vem sofrendo nos últimos anos. Mas, quando eu comparo relativamente aos seus pares, o Brasil parece estar numa posição relativamente mais favorável”, disse. Galípolo afirmou que essa vantagem se deve ao fato de o Brasil exportar mais petróleo do que importar e à política monetária contracionista adotada pelo Banco Central, que mantém a taxa Selic em 14,75% ao ano. “Comparativamente a outros bancos centrais, que estão mais próximos de uma taxa de juros neutra, acho que isso também nos coloca em uma posição mais favorável quando comparado com seus pares”, destacou Galípolo. Para ele, o atual nível de juros elevados no Brasil criou “uma gordura” que vai possibilitar cortar a taxa básica mesmo durante a pressão da guerra no Oriente Médio. “Essa gordura que foi acumulada com uma posição mais conservadora ao longo das últimas reuniões do Copom nos permitiu, mesmo diante de novos fatos, não alterar a conjuntura como um todo", disse. "Então, a gente decidiu seguir com a nossa trajetória e iniciar o ciclo de calibragem da política monetá- ria”. Para ele, todos esses fatores apontam que o país atualmente é “mais um tran- satlântico do que um jet ski”. “Não vamos fazer movimentos brus- cos nem extremados. Por isso, no RPM [relatório de política monetária], tomei o cuidado de dizer que a gordura permitiu ganhar tempo para ver, entender e apren- der mais", disse a autoridade monetá- ria. Inflação Segundo Galípolo, essa volatilidade do preço do petróleo no cenário inter- nacional deverá implicar um aumento da inflação no país e também em uma desaceleração da economia brasileira em 2026. Opresidente do Banco Central disse que, no Brasil, o aumento do preço do petróleomuitas vezes significou um im- pacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB), o que não deve se concretizar nesse caso. "Essa me parece ser uma elevação do preço do petróleo de natureza bastante distinta do passado. Ela não decorre de um ciclo de demanda, não decorre de uma elevação na demanda e, sim, de um choque de oferta". "Então, no Banco Central, temos uma visão de que provavelmente é in- flação para cima e crescimento para bai- xo”, projetou Galípolo. ■ GALÍPOLO: BRASIL ESTÁ MAIS PREPARADO PARA VOLATILIDADE DO PETRÓLEO EXPORTAÇÃO V Foto/ Lula Marques/Agência Brasil

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