Diário do Amapá - 02 a 04/04/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA A SÁBADO | 02 A 04 DE ABRIL DE 2026 Mais de 80% dos estados brasileiros indicaram adesão à proposta de subsídio ao diesel importado apresentada peloMinistério da Fazenda, informou a pasta emnota conjunta divulgada com o Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). A medida busca conter a alta dos combustíveis pro- vocada pela guerra no Oriente Médio. A proporção de 80% das 27 unidades da Federação significa que 22 ou 23 aceitaram a proposta do governo. Oficialmente, a Fazenda não divulga as unidades da Federação que não aderiram. A assessoria da pasta informou que não pode repassar as informações porque as conversas ainda não foram concluídas Mais cedo, o novoministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a medida provisória com o subsídio sai ainda esta semana. Embora a subvenção não exija o compromisso de todos os governadores, oministro explicou as negociações para conseguir a adesão de todas as unidades da Federação contunuam. De caráter temporário e excepcional, a proposta prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel importado por dois meses. O custo será dividido igualmente entre o governo federal e os estados, com R$ 0,60 arcados pela União e os outros R$ 0,60 pelas unidades da federação. Proporção Segundo o comunicado, a participação dos estados será proporcional ao volume de diesel consumido em cada região, embora os critérios específicos ainda estejam em definição. A iniciativa terá duração limitada, com o objetivo de evitar impactos fiscais permanentes. A adesão é voluntária, conforme discutido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão deliberativo que reúne os se- cretários estaduais da área, acima do Comsefaz. O texto também estabelece que as cotas dos estados que optarem por não participar não serão redistribuídas entre os demais, preservando a autonomia das unidades federativas. “A iniciativa reforça o diálogo cooperativo entre União e estados na busca por soluções conjuntas para o mercado de combustíveis, com foco na previsibilidade de preços, na segurança do abastecimento e na manutenção do equi- líbrio das contas públicas em todos os níveis de governo”, ressaltou a nota conjunta. ■ COMSEFAZ Mais de 80% dos estados aderem a subsídio a diesel importado ● U m estudo divulgado nesta terça- feira (31) pela organização não governamental ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, mostra que a inflação de alimentos no Brasil se configura como um fenômeno estrutural, que encarece mais os produtos frescos em comparação com os ultra- processados. O levantamento foi elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Uni- camp). Segundo ele, a inflação dos alimentos no Brasil não pode ser atribuída exclusi- vamente a questões sazonais ─ oscilações temporárias que tendem a se corrigir espontaneamente quando a estaçãomuda. O estudo aponta o exemplo de alta no preço do tomate durante a entressafra. O economista também defende que a inflação dos alimentos não pode ser só explicada por fatores conjunturais, que seriam variações por eventos não recor- rentes, que podemdurar meses ou poucos anos. Um exemplo é a desvalorização súbita do câmbio. O estudo classifica a inflação da ali- mentação como estrutural, composta por pressões permanentes que não se resolvem sozinhas e exigem mudanças no modo como a economia está organi- zada. “A inflação é estrutural, pois não de- corre apenas de choques temporários, é específica, porque está associada às ca- racterísticas históricas do modelo de de- senvolvimento brasileiro”, escreve o pes- quisador no estudo. Alta acima da inflação Em quase 20 anos, o custo da ali- mentação do brasileiro subiu 302,6%, ou seja, multiplicou por quatro, enquanto a inflação geral do país foi de 186,6%. Isso significa que, de junho de 2006 a dezem- bro de 2025, o encarecimento da comida supera em 62% o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conhecido como inflação oficial. Para efeito de comparação, Palmieri Junior mostra que nos Estados Unidos, no mesmo período, o nível de preços dos alimentos ficou cerca de 1,5% acima da inflação geral. O pesquisador ressalta que no Brasil, quando acontece algum tipo de crise e os preços dos alimentos sobem muito, há resistência de recuo. “Aumentar é fácil, mas depois, em algum momento, cair um pouco, isso é muito dif ícil. Vi isso em relação a alguns outros países”, disse em conversa com jornalistas para apresentar o estudo. Ao detalhar os grupos alimentícios do custo da comida no Brasil, a pesquisa revela que os itens que mais subiram fo- ram: Tubérculos, raízes e legumes (359,5%), Carnes (483,5%) e Frutas (516,2%) Saudáveis x ultraprocessados O levantamento mostra que a perda do poder de compra é mais sentida em alimentos in natura. “Se uma pessoa destinasse, por exem- plo, 5% do salário mínimo para comprar alimentos em 2006, hoje, com essa mesma proporção, ela conseguiria levar mais produtos ultraprocessados e menos ali- mentos saudáveis”, diz. Entre 2006 e 2026, o poder de compra para frutas caiu cerca de 31%; e para hortaliças e verduras, 26,6%. Já para compra de refrigerantes (+23,6%) e embutidos como presunto (+69%) e mortadela (+87,2%), aumen- tou. ■ ESTUDO APONTA FATORES ESTRUTURAIS PARA INFLAÇÃO DE ALIMENTOS NO BRASIL OSCILAÇÕES TEMPORÁRIAS V Foto/ Tânia Rêgo/Agência Brasil

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