Diário do Amapá - 08/04/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 08 DE ABRIL DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H á coisas que só a política brasileira consegue fazer sem rir, mas a gente ri mesmo assim porque o roteiro é de comédia pastelão com verniz acadêmico. A deputada Tabata Amaral sobe no palco da modernidade e convoca o público para o grande espetáculo da desconstrução. Empoderamento para as moças, ruptura para as famílias, revisão estrutural para os costumes. O mundo precisa ser reinventado, de preferência começando pela sua casa. Aí chega o grande dia dela. E o que aparece no cenário? Igreja, vestido branco, cerimônia tradi- cional, fotógrafo registrando a bênção, família reunida, tudo como manda o figurino que supos- tamente precisava ser superado. A revolução tirou folga justo no sábado do casamento. Nada contra casar de véu e grinalda. O curioso é a coreografia. Para a plateia, discurso progressista. Para o álbum de família, modelo clássico. Parece aquelas dietas radicais que a pessoa recomenda aos outros enquanto guarda chocolate na gaveta. Ela fala que o machismo é estrutural, que está entranhado em tudo, que é preciso romper padrões históricos. Quando chegou a vez dela romper, o padrão estava tão bem passado e alinhado que parecia desfile de tradição. E não foi comqualquer um. O noivo é João Campos, herdeiro de uma li- nhagem política de respeito em Pernambuco. Uma família que não precisa desconstruir nada porque já construiu faz tempo. É sempre assim. O discurso é revolucionário até a porta de casa. Da porta para dentro, reina a boa e velha estabilidade. A família tradicional é apresentada como opressora no seminário, mas vira porto seguro na prática. A tal estrutura é terrível quando é a sua. Quando é a deles, vira patrimônio histórico. E não é fenômeno isolado. Basta ligar a televisão e ouvir sermões mo- dernos de celebridades que defendem novos arranjos sociais enquanto vivem casamentos sólidos, filhos bem cuidados, patrimônio protegido e sobrenome preservado. O experimentalismo fica para o público. A segurança fica para o palestrante. No fim das contas, a mensagem subliminar parece ser simples. Des- construa você. Eu fico com a planta original. Revolucione sua vida. Eu ad- ministro a minha com tradição, influência e estabilidade. Quem realmente acredita que a família é um problema começaria pela própria. Quando o discurso é inflamado e a prática é conservadora, não é vanguarda. É conveniência com microfone. ■ Revolução no discurso até a porta do altar e de branco pureza No fim das contas, a mensagem subliminar parece ser simples. Desconstrua você. Eu fico com a planta original. Revolucione sua vida. Eu administro a minha com tradição, influência e estabilidade. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia N o mês passado, o presidente Trump declarou que "os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito di- nheiro". Apesar de muito ingênuo acreditar, o apresentador Jimmy Kimmel, em seu programa, lembrou que isso que o Trump fez é "gaslighting". Ele ainda brincou que se ouve muito o termo gaslighting, mas raramente quando se trata de gasolina de verdade. A palavra foi inspirada na peça Gas Light, de Patrick Hamilton, nos anos 1930, mas que ficou conhecida por causa do filme de 1944, Gaslight (no Brasil, ganhou como título: À Meia Luz), estrelado por Ingrid Bergman e Charles Boyer e dirigido por George Cukor, e que dramatiza o conceito de gaslighting. No filme, o ladrão de joias Gregory procura pedras preciosas raras que pertenciam a uma mulher rica que ele assassinou anos antes. Ele se casa com a sobrinha da vítima, Paula, e continua sua busca pelas joias, que acredita estarem escondidas na casa dela. Com medo de que Paula descubra seu plano, ele tenta levá-la à loucura. Entre outras táticas, ele muda objetos de lugar e quando ela percebe, ele diz que ela está esquecida. Com o tempo, Paula começa a duvidar de si mesma e de sua percepção da realidade. Só mais de uma década depois o termo gaslight foi associado ao fenômeno. O antropólogo Anthony Wallace usou a palavra em 1961, no livro Culture & Personality, para descrever essa tática de mani- pulação. A palavra gaslight foi a "Palavra do Ano" da Merriam-Webster em 2022. Tornou-se uma palavra da moda usada contra chefes ruins, ex-namorados e líderes de todo o espectro político. A socióloga e cientista da Universidade de Mi- chigan Paige Sweet, que estuda o fenômeno em relações íntimas, descreve o gaslighting como fazer alguém se sentir louco. "É alguém tentando fazer você parecer ou se sentir louco", diz ela. É como "ver algo acontecer e depois ser informado de que isso não está acontecendo". Mas vai além de simplesmente mentir. Kate Abramson, autora de On Gaslighting diz que "Mentirosos comuns só querem que você acredite em algo. Isso pode fazer parte de um esforço maior para minar sua capacidade de julgamento, ou não." Quando o gaslighting funciona, diz Sweet, "você sente que a culpa é sua ou que há algo errado em você por pensar que o que está acontecendo está realmente acontecendo, fazendo você desconfiar de si mesmo como testemunha da realidade." No filme de 1944, o gaslighting é explícito, uma manipulação planejada por um criminoso com intenções claras. Na vida real, os sinais nem sempre são tão óbvios. O abusador alimenta-se da vítima não saber exata- mente o que está acontecendo com ela. Mas quem pratica gaslighting nem sempre age por pura maldade. Muitas vezes, é um mecanismo de defesa para exercer poder em uma situação. Mulheres são mais frequentemente vítimas de gaslighting. Elas são socializadas para serem mais conciliadoras e mais propensas a buscar terapia. Ser capaz de nomear essa experiência desorientadora pode ajudar as vítimas a recuperar sua identidade. Então, divulguemos! ■ No filme de 1944, o gaslighting é explícito, uma manipulação planejada por um criminoso com intenções claras. Na vida real, os sinais nem sempre são tão óbvios. O abusador alimenta-se da vítima não saber exatamente o que está acontecendo com ela. Gaslighting Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br

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