Diário do Amapá - 08/04/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 08 DE ABRIL DE 2026 A previsão do mercado financeiro para o Índice Na- cional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), re- ferência oficial da inflação no país, passou de 4,31% para 4,36% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (6), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) coma expectativa de instituições finan- ceiras para os principais indicadores econômicos. Em meio às tensões causadas pela guerra no Oriente Médio, a previsão para a inflação deste ano foi elevada, pela quarta semana seguida, mas ainda se mantémdentro do in- tervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Estabelecida peloConselhoMonetárioNacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Emfevereiro, a alta dos preços emtransportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7% – aceleração diante do registrado em janeiro (0,33%). No entanto, o IPCA acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024. A inflação de março, já com os possíveis impactos da guerra no Oriente Médio, será divulgada na próxima quin- ta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística (IBGE). Para 2027, a projeção da inflação subiu de 3,84% para 3,85%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,6% e 3,5%, respectivamente. Taxa Selic Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,75% ao ano pelo Comitê de PolíticaMonetária (Copom) do BC. Na última reunião, mês passado, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto. Em 15% ao ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, fixada em 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuniões seguintes. Após esse período prolongado de manutenção da taxa, havia indicação de início de umciclo de redução, entretanto, diante das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta rever o ciclo de baixa, caso seja necessário. ■ IPCA Mercado eleva previsão da inflação para 4,36% este ano ● O imposto sobre cigarros subirá para compensar a perda de arrecadação com a isenção de tributos sobre o biodiesel e o querosene de aviação (QAV), combustível utilizado no transporte aéreo. Amedida faz parte dopacote anunciado para conter os efeitos da alta dos combus- tíveis provocada pela guerra no Oriente Médio. A alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros subirá de 2,25% para 3,5%. Com isso, o preçomí- nimo da carteira deve passar de R$ 6,50 para R$ 7,50. A estimativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão nos pró- ximos dois meses. Amudança busca compensar a decisão de zerar as alíquotas do Programa de In- tegração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o querosene de aviação, medida que deve reduzir em cerca de R$ 0,07 o preço por litro do combustível. O impactofiscal dessa desoneração é estimado em R$ 100 milhões por mês. Durante o anúncio, o ministro da Fa- zenda, Dario Durigan, afirmou que au- mentos anteriores no imposto sobre cigarros não tiveram os efeitos esperados, nem na redução do consumo nem na ampliação da arrecadação. Compensações Alémda alta no imposto sobre cigarros, o governo prevê outras fontes para equili- brar as contas. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a elevação nas receitas com royalties do petróleo deve ajudar a compensar os gastos com as medidas, es- timados em R$ 10 bilhões. No mês passado, a equipe econômica aumentou emR$ 16,7 bilhões a estimativa de arrecadação com royalties de petróleo para 2026. A projeção foi impulsionada pela alta de cerca de 40% no preço internacional do petróleo desde o início do conflito. Durigan explicou tambémque entram na conta para manter medidas como a alí- quota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo, instituída em março, o aumento da arrecadação dos tributos ligados aos lucros das empresas vendedoras de combustível e a elevação das receitas com leilões de petróleo da camada pré- sal. Meta fiscal Segundo o governo, o conjunto de ações busca equilibrar as contas públicas enquanto reduz o impacto da alta dos combustíveis sobre a economia e o con- sumidor. Para este ano, o governo prevê pequeno superávit primário de R$ 3,5 bilhões, ex- cluindo os precatórios e alguns gastos fora do arcabouço fiscal, como defesa, saúde e educação. Ao incluir essas despesas, a pre- visão passa para déficit primário de R$ 59,8 bilhões. O resultado primário representa o dé- ficit ou superávit das contas do governo sem os juros da dívida pública. Durigan assegurou que a elevação do imposto sobre o cigarro, o imposto de ex- portação sobre petróleo e os aumentos de arrecadação decorrente da maior cotação do barril conseguirão compensar integral- mente as medidas para segurar a alta dos combustíveis. "Quando a gente faz um crédito ex- traordinário, por não estar previsto em razão da guerra, ele ultrapassa o limite previsto para oOrçamento deste ano, mas ele não exclui o cumprimento da meta de resultado primário. O que a gente gastar a mais para a proteção da população está necessariamente casado com o aumento de arrecadação", justificou o ministro da Fazenda. ■ GOVERNO ELEVA IMPOSTO DO CIGARRO PARA BANCAR QUEROSENE E BIODIESEL QAV V Foto/ Washington Costa/MF

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