Diário do Amapá - 12 e 13/04/2026

ENTREVISTA PESQUISADORA | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 12 E 13 DE ABRIL DE 2026 14 Pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro é a entrevistada da semana no quadro Conexão Margem Equatorial, no programa “Ponto De Encontro”, da rádio Diário FM 90,9. Confira a seguir os principais trechos D iário doAmapá - Seja bem-vinda. Na sua percep- ção, quais as principais cadeias de prestação de serviços que podemsurgir ou se fortalecer no Amapá como avanço da exploração damargemequato- rial? Ana Tereza Parente - São várias. Toda a cadeia logística deve crescer bastante. Estamos numa fase de sísmica e perfuração, que ain- da busca confirmar a existência de óleo emquantidade comercial- mente viável para justificar os investimentos, mas a probabilidade é alta. Por isso, há todo umplanejamento estratégico da Petrobras para investir na área. Nesse momento, é fundamental que diversas cadeias já estejam se expandindo, como construção e infraestrutura, monito- ramento ambiental e serviços corporativos indiretos. Já existem servi- ços voltados a emergências ambientais e técnicos especializados, como perfuração e engenharia submarina. Na fase exploratória, que deve ocorrer em cerca de três anos, haverá grande demanda por bases logísticas, como portos, aeroportos, rodovias e transporte marítimo e aéreo. Essas estruturas não se constroem rapidamente, então é neces- sário planejamento desde já. Diário - Como o Estado pode evitar que essas cadeias funcionemapenas como extensão de polos já consolida- dos, comoMacaé, garantindomaior agregação de valor local? Ana Tereza - Essa é uma grande preocupação. A indústria de óleo e gás hoje se concentra empolos comoMacaé, Santos e Rio de Janeiro. Mas com a expansão da margem equatorial, há possibilidade de mi- gração desse centro. Para isso, é essencial investir em educação e espe- cialização. Universidades e centros técnicos precisam se expandir na região para preparar a população local e garantir que os benef ícios fi- quem aqui.. Diário - É possível conciliar desenvolvimento econô- mico com a sensibilidade ambiental da Amazônia? Ana Tereza - ECom certeza. Um dos princípios da indústria é a segurança. O que vemos hoje é um início de investimentos com forte preocupação socioambiental. A Amazônia é uma re- gião extremamente sensível, então exige cuidado redobrado. Há projetos voltados ao mapeamento ambiental completo da região e ao uso das melhores tecnologias disponíveis. Diferente do passado, quando a exploração começou com menos conhe- cimento, hoje temos um licenciamento muito mais rigoroso. Vejo esse processo com bons olhos. O Brasil precisa investir em energia, e o petróleo ainda é fundamental para a nossa base produtiva. Diário - Já há impactos nas cidades, como Oiapoque. Como lidar com o crescimento urbano desordenado? Ana Tereza - Existem leis e instrumentos para isso, mas é necessário esforço da administração pública. A capacitação dos servidores é essencial. Será preciso investir mais em edu- cação e formação profissional, especialmente de quem vai planejar e executar políticas públicas, garantindo um cresci- mento urbano organizado. Diário - O MBA que você coordena também contem- pla essa preocupação? Ana Tereza - Sim. Inicialmente, a proposta era focada na advo- cacia, mas ampliamos para incluir uma linha voltada à administra- ção pública. O curso tem ummódulo técnico, com conceitos de en- genharia e do setor, e outro voltado ao direito e à regulação. A ideia é preparar tanto profissionais do setor privado quanto servidores públicos para esse novo cenário. Diário - Existe a possibilidade de o Amapá se tornar referência nacional em monitoramento ambiental offshore? Ana Tereza - Sim, é uma grande oportunidade. A Petrobras é re- ferência mundial em exploração em águas profundas, e o Brasil de- senvolveu tecnologia própria para isso. A região tem potencial, mas exige cuidado. O caminho é um licenciamento rigoroso, participa- ção das comunidades tradicionais e estabelecimento de condicio- nantes claras. O que está sendo feito hoje na região está entre o mais moderno do mundo em termos de investimento socioambien- tal. Isso pode posicionar o Amapá como referência. Diário - Uma mensagem sobre esse momento? Ana Tereza - Temos muitas oportunidades, mas tambémmuitos desafios. A sustentabilidade da margem equatorial depende de leis fortes, gestão técnica e atenção à sensibilidade ambiental. Se houver planejamento e capacitação, o Amapá pode aproveitar esse mo- mento de forma estratégica e duradoura. ■ Reportagem: CLEBER BARBOSA PERFIL Advogada, professora e palestrante, atua comConsultoria jurídica para negócios sustentáveis. É especialista em ESG, Saneamento e Energia. BREVE BIOGRAFIA -Bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense. - Pós-graduada em Direito Tributário pela Universidade Federal Fluminense e em Direito do Mercado de Capitais e Mercado Financeiro – IBMEC/SP. - Mestre em Direito Patrimonial Privado pela Universidade de Salamanca, Espanha. - Doutoranda em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF). - Sólida experiência em fusões e aquisições - M&A e petróleo e gás, contratos, regulamentação e práticas comerciais em geral. - Especialização também na análise e negociação de contratos financeiros; e na implementação de práticas de governança corporativa e compliance. - Fluente em Português, Espanhol e Inglês. - Pesquisadora no Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getulio Vargas (FGV CERI). ATUAÇÃO NO MERCADO - Sócia da Área de Sustentabilidade e Meio Ambiente do escritório Rennó Penteado Sampaio Advogados. Pesquisadora da SAGE/Coppe/UFRJ a respeito do descomissionamento da indústria do óleo e gás. Ana Tereza Parente ■ Aentrevista deAna Tereza Parente à jornalista MárciaAndreaAlmeida, pela Rádio Diário FM (90,9). Amapáanova fronteiraoffshore: oportunidades, desafioseopapel dacapacitação desafios

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