Diário do Amapá - 12 e 13/04/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 12 E 13 DE ABRIL DE 2026 2 U m pequeno avião avançava em meio à noite. De repente, caíram os sistemas de comunicação, a orientação da rota e o painel de controle apagou-se. O avião voava às cegas. Os pilotos tentaram inutilmente concertar o defeito. Já estavam em pânico e pediram à aeromoça para descobrir se entre os passageiros tinha algum técnico em eletrônica. Não tinha. Mas uma passageira levantou e foi até a cabine de comando perguntando repetidamente: - Diga-me qual é o problema, talvez eu possa ajudar. Logo, perguntaram para ela se entendia de aparelhos eletrônicos. Se não soubesse mexer, devia voltar para o seu assento e não atrapalhar. Mas a mulher insistia e disse que sabia de algo que nunca tinha falhado no passado e que, talvez, tambémajudasse naquele momento. Amulher era astrônoma. Pediu omapa da viagem, a partida e o destino. Olhou bem para as estrelas que apareciam luminosas no céu na frente deles. Ao lado do piloto, ela conseguiu orientar o voo. Algum tempo depois, o esplendor da aurora anunciou que eles estavam salvos. O evangelho do Terceiro Domingo da Páscoa é a continuação da página bemconhecida dos discípulos de Emaús. Os dois peregrinos, antes desanimados, após o encontro com Jesus e reconhecendo que lhes ardia o coração, quando ele falava, voltaram para Je- rusalém. Contaram o que havia acontecido e como tinhamreconhecido Jesus “aopartir opão”.Oevangelista Lucas apresenta, assim, mais uma “aparição pós- pascal” do Ressuscitado. Desta vez, a comunidade está reunida e Jesus age e fala para confirmar a fé dos discípulos e explica qual será amissãodeles. Lembramos que o evangelho de Lucas foi escrito para os cristãos da segunda geração, ou seja, aqueles que não tinham conhecido Jesus e, provavelmente, nem os apóstolos. Portanto o que é apresentado vale igualmente para nós, porque quer responder àquelas perguntas que sempre aparecemquando queremos entendermelhor a novidade da Páscoa de Jesus e aprender a acolhê-la na fé. Com efeito, não temos palavras capazes de explicar algo que não faz parte da nossa experiência comum que passa, necessariamente, pelos nossos sentidos. O Ressuscitado é um fantasma? Alguém irreal? Pura imaginação? A essa questão, o evangelista responde com o pedido de Jesus para comer junto comeles. ORessuscitado é outra pessoa diferente da- quele Jesus que morreu na cruz? Os sinais da paixão confirmam que é o mesmo Crucificado que agora está vivo, mas não comamesma vidamortal anterior. É uma vida diferente, porque a morte está vencida pela ressurreição. Como o Ressuscitado ajuda os dis- cípulos a acreditar? Explicando as Escrituras, ou seja, lembrando as obras deDeus do passado, as promessas antigas, mas, sobretudo, afirmando que aqueles acontecimentos confirmavam definitivamente o amor de Deus coma humanidade. Esse anúncio de conversão e perdão dos pecados deverá ser proclamado a “todas as nações”, a começar por Jerusalém. Os discípulos terão que convencer os outros com uma vida “nova”. Essas palavras de envio para serem testemunhas “de tudo isso”, ou seja, do “evento” Jesus com sua vida, paixão, morte e ressurreição continuamatuais para nós hoje. Não temos condições de explicar a ressurreição a não ser praticando “a conversão e o perdão dos pecados”. Conversão significa vida nova, atitudes novas, capacidade de colocar o bem onde o mal toma conta, a fraternidade onde as divisões causam ódio e morte. O perdão dos pecados é o abraço alegre e misericordioso de Jesus que quer dizer a todos: "Vá em paz e não peque mais!". Ser testemunhas com a nossa vida de tudo isso não é um voo no escuro, sem rumo e direção. Não é acreditar num Ser superior qualquer, sem rosto e identidade. Ao contrário, é ter “os olhos fixos em Jesus", luz que vence as trevas. Mais que confiar nas nossas “técnicas” cheias de raciocínios e palavreados, é acreditar nele e seguir o seu exemplo. É nos deixar guiar pela novidade da sua Páscoa no dia a dia, semear esperança para salvar do desespero, ser pequenas auroras de amor para salvar da escuridão da indiferença. É ser “astrônomos” de bondade. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá Essas palavras de envio para serem testemunhas “de tudo isso”, ou seja, do “evento” Jesus com sua vida, paixão, morte e ressurreição continuam atuais para nós hoje. Não temos condições de explicar a ressurreição a não ser praticando “a conversão e o perdão dos pecados”. Uma viagem no escuro D eus não precisa do mundo para se tornar perfeito. Ele, fonte do amor, criou tudo livremente, expressando que tudo era bom. Deus compartilha esse amor em sua obra. Ele criou tudo como expressão do amor. Se Ele é perfeito, a obra deve refletir a perfeiçãodivina: somos feitos à imageme semelhança deDeus. Devemos, então, manifestar esse desígnio que está em nossa origem, dando glórias ao nosso Pai, manifestando seu amor na partilha. O mundo decaído precisa de redenção para ser conforme ao projeto original. E a redenção vem com a ressurreição, domde Deus. Assim, o cristão temumolhar de es- perança, para alémdomal domundo. O ser humano não se detémnomal domundo. Ele tem a confiança de que o mal não pode derrotar o mundo. Omal é “nada”. Nestes tempos escatológicos, sabemos que omal é passageiro, não é a essência. Para compreender tudo isso, precisamos conhecer a Palavra de Deus. Conhecer a Bíblia! E o salmo 91 das Sagradas Escrituras nos convida a meditarmos sobre isso. “É bom louvar ao Senhor e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo; proclamar, de manhã, a vossa misericórdia, e, durante a noite, a vossa fidelidade,com a harpa de dez cordas e com a lira, com cânticos ao som da cítara, pois vós me alegrais, Senhor, com vossos feitos; exulto com as obras de vossas mãos.Senhor, estupendas são as vossas obras! E quão profundos os vossos desígnios! Não compreende estas coisas o in- sensato nem as percebe o néscio.Ainda que floresçamos ímpios como a relva, e floresçam os que praticam a maldade, eles estãoàperda eternadestinados. Vós, porém, Senhor, sois o Altíssimo por toda a eternidade.Eis que vossos inimigos, Senhor, vossos inimigos hão de perecer, serão dispersados todos os artesãos do mal. Exaltastes a minha cabeça como a do búfalo, e com óleo puríssimo me ungistes.Meus olhos veemos inimigos comdesprezo, e meus ouvidos ouvem com prazer o que aconteceu aos que praticam o mal. Como a palmeira, florescerão os justos, elevar-se-ão como o cedro do Líbano.Plantados na casa do Senhor, nos átrios de nossoDeus hão de florir. Até na velhice eles darão frutos, continuarão cheios de seiva e verdejantes,para anunciaremquão justoéoSenhor, meu rochedo, e como não há nele injustiça.” O autor deste salmo mostra como Deus está no centrode tudo e, namedida emque se respeitar e atender isso, o mundo se tornará bem pacífico e tranquilo. É nessa perspectiva que se apresenta a pessoa ‘justa’: “como a palmeira, florescerão os justos, elevar-se-ão como o cedro do Líbano.” O justo direciona a sua vida ao dispor do Criador e segue os seus caminhos. Não se deixa atrair pela lógica do mundo, pelo sucesso no mundo e do mundo. E o salmista aqui justamente salienta que a alegria, o bem-estar e a longa vida são a consequência de uma existência justa. Assim sendo, o salmo exalta a justiça de Deus que sabe discernir entre o bem e o mal e oferecendo um mundo perfeito. Aqui se demonstra uma visão positiva quenemtodomundoconcorda conforme várias redações das Sagradas Escrituras, como nos salmos 49 e 73 e no livro de Jó. Insiste o autor desse hino que o justo é comparado à imagemda palmeira e do cedro do Líbano. As raízes do justo são parecidas a essas esplendidas arvores. O seu alicerce é garantia de uma vida semfim. No entanto, o ímpio, quempratica a maldade, é parecido “como a relva que floresce de manhã” e ao entardecer seca. Esse é o futuro de quem não pratica a justiça. Uma justiça que vai além a dos homens. De fato, diz o salmista: “não compreende estas coisas o insensato e o estulto” e cujo destino é a perda da vida eterna. E o papa Francisco na catequese das quartas feiras, 03.02.2016, disse: “E este é o coração de Deus, um coração de Pai que ama e quer que os seus filhos vivamno beme na justiça, e, portanto, vivamemplenitude e sejamfelizes. Umcoração de Pai que vai alémdo nosso pequeno conceito de justiça para nos abrir aos horizontes ilimitados da suamisericórdia. Umcoração de Pai que não nos trata segundo os nossos pecados e não nos retribui segundo as nossas culpas. E precisamente é um coração de pai que nós queremos encontrar quando vamos ao confessionário. Talvez nos dirá algo para nos fazer entender melhor o mal, mas no confessionário todos vamos encontrar umpai que nos ajude amudar de vida; umpai que nos dê a força de seguir adiante; um pai que nos perdoe emnome de Deus. E por isso ser confessor é uma responsabilidade tão grande, porque aquele filho, aquela filha que vema você procura somente encontrar um pai. E você, padre, que está ali no confessionário, você está ali no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia.” ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. Esse é o futuro de quem não pratica a justiça. Uma justiça que vai além a dos homens. De fato, diz o salmista: “não compreende estas coisas o insensato e o estulto” e cujo destino é a perda da vida eterna. E o papa Francisco na catequese das quartas feiras, 03.02.2016, disse. Como é bom louvar ao senhor

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