Diário do Amapá - 12 e 13/04/2026

Presidente dos Estados Unidos tem estarrecido o mundo com suas exóticas colocações, que, nomínimo e nomáximo, representamum jogo de faz-e-esconde, o que tem mantido as nações em suspense sem saber por onde ele quer ir e para onde vai. Parece os versos do grande poeta português José Régio: “Se ao que busco saber nenhum de vós responde, / Por que me repetis: ‘vem por aqui’? / Prefiro escorregar nos becos lamacentos, / Redemoinhar aos ventos, / Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, / a ir por aí… […] Ninguémme diga: ‘vem por aqui’! / Aminha vida é um vendaval que se soltou. / É uma onda que se ale- vantou. / É um átomo a mais que se animou… / Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / —Sei que não vou por aí!” Este é o caso de todos no mundo inteiro: não sabemos por onde vamos, não sabemos para onde vamos, mas sabemos que não vamos atrás do Trump. A última dele foi a de que iria destruir uma civilização, isto é, a milenar civilização persa, como se isso fosse possível. Em seguida, afirmou que o Irã seria consumido pelo fogo, numa tragédia igual àquela de Sodoma e Gomorra. Mas no dia seguinte, já na quarta-feira, pensando melhor, Trump voltou atrás e, numa boa volta, resolveu parar com essa coisa escatológica de fim do mundo e negociou uma trégua em troca da abertura do Estreito de Hormuz. Essa guerra como Irã sempre foi dif ícil de ser entendida ou de se aceitar a razão, a sem-razão, de sua fúria, nem as alegadas justificativas. O fato que é dif ícil de explicar é, depois de destruída — obliterada — a capacidade iraniana de enriquecimento do urânio, como esse país produziria uma bomba atômica que pudesse ameaçar Estados Unidos e/ou Israel. Israel e Irã sempre pregaramamútua destruição, mas os ataques sempre partiram de Israel. Oque ficou evidente é que, enquanto os Estados Unidos negociavamumacordo como Irã, os israelenses descobriram onde as lideranças iranianas iriam se reunir para discutir os termos desse acordo e imediatamente o Netanyahu con- venceu Donald Trump de que deviam aproveitar essa reunião para eliminar todas as lideranças iranianas. Com o assassinato destes líderes, cairiam o Governo iraniano e o regime teocrático, assegurando uma vitória total com menor custo do que o de uma guerra. Daí a afirmação inicial de Trump de que em quatro dias a guerra estaria acabada. Isso bastou para convencer Trump a entrar em uma guerra sem uma análise mais aprofundada de que, com o componente religioso e dogmático que leva ao fanatismo do povo, liquidados os seus líderes, outros apareceriam imediatamente em substituição àqueles, sem solução de continuidade. Talvez os estudos tenham sido feitos, mas se sabe que Trump não lê nem ouve nada que não esteja na televisão — e por isso logo demitiu o chefe da inteligência americana que disse ter avisado que o Irã não era uma ameaça. Não previu as consequências que adviriam ao co- mércio mundial com o comprometimento das exportações do Golfo Pérsico, nem tomou providências para proteger as bases americanas na região. Ignorou que pelo Estreito de Hormuz transitavam 20% de todo o consumo mundial de petróleo. O fracasso dessa ausência de qualquer plano estratégico imediatamente aflorou, e o resultado é que a economia mundial entrou em crise, com impactos considerados mais graves que os da crise de 1972, quando houve o famoso choque do petróleo. A guerra não obedeceu a nenhuma das previsões feitas pelo Sr. Trump nesse jogo de faz-e- desfaz, e ele teve de desmentir-se, aplicar sua técnica de negociação TACO — Trump Always Chicken Out, isto é, sempre se acovarda e desiste — e lutar desesperadamente por um acordo de paz. Trump não acredita na revolta da opinião pública dos Estados Unidos, que hoje está sendo divulgada: 60% da po- pulação é contra sua decisão de fazer essa guerra levado pelo israelense Netanyahu — que aproveitou o momento paramais uma vez destruir o Líbano, várias vezesmassacrado pelo vizinho mais forte. Se soube agora que, no ano passado, o Pentágono chamou o Núncio Apostólico para dizer que, se o Papa não aderisse ao trumpismo, os americanos fariam um novo pa- pado paralelo— como o de Avignon. O Papa, que está com Deus e não com o Diabo, sabe por onde vai e não se abalou, continuou dizendo que as orações de quem faz a guerra não são ouvidas por Deus. A Paz é o que o povo americano e o resto do mundo querem. ■ Faz-não-faz e Desfaz E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY O ➔ E-mail: luizmello.da@uol.com.br ➔ Instagram: @luizmelodiario© 2018 ➔ twitter: @luizmelodiario RÁPIDAS ● Janela … Por que, nesses últimos dias, tantos políticos trocaram de partido? A resposta está na janela partidária. Como explica a cientista política Anne Meireles, trata-se de uma exceção à regra da fidelidade: no proporcional, o mandato pertence ao partido - não ao eleito - e sair fora nesse período pode levar à perda do cargo. Por 30 dias, a lei libera a migração, mas vale pontuar que, em 26, a regra se aplica a deputados estaduais e federais - não aos vereadores, que seguem outro calendário eleitoral, finaliza Anne. ● Atípico… Nem Clécio, nem Davi - mesmo num mesmo tabuleiro político - pede votos para candidato a prefeito de Oiapoque, na atual eleição suplementar deste domingo, 12, em Oiapoque. É que os 3 candidatos (Inácio/PDT, Guido (União Brasil) e Sena Dinâmica (MDB) são do grupo do governador Clécio. Então, quem vencer é amparado pelo Setentrião, por assim dizer. ● Sumiço… Homem de 31 anos, Jhemerson, o ‘Dunga’, já está há 7 dias desaparecido nas matas do rio Paru, município de Almerim, no PA, na divisa com o Amapá. Coletor de castanha na região, Jhemerson, numa folga, foi à caça de alimentos para o grupo de trabalho e não mais voltou para o acampamento. Com ajuda do Graesp (PA) e do GTA (AP), vinte pessoas estão mata adentro em busca do castanheiro desaparecido. ● Zerão... Flamenguista, Randolfe (PT) parece mesmo ter gosto pelo futebol - não só como torcedor. Com recursos de emendas, já deixou marca na reforma do Augusto Antunes. Agora, mira o Zerão, onde novo gramado seguirá o “padrão FIFA. E não é qualquer campo: o Zerão é o único no mundo com seu campo cortado pela linha imaginária do Equador - entre os hemisférios Norte e Sul. Alvo... Da Sefaz de Clécio, Jesus Vidal passou a semana inteira sendo “saco de pancadas” a partir dos punhos dos deputados Roberto Góes e Júnior Favacho. Detalhe intrigante: ambos compõem, na Alap, base de apoio político do atual governo. A se considerar o abandono em que se encontra a praça Floriano Peixoto - inclusive sem condições salúbres [águas do lago] para visitação pública -, até parece que a prefeitura, por tempos, só alimentava mais cuidados por aqueles espaços públicos mais à vista dos macapaenses - tipo Jacy Barata, Veiga Cabral... Enfim, agora urge que aquele logradouro belíssimo volte logo a ser o ‘Cartão Postal de Macapá’, como noutros tempos. Esquecida... Projeção... Em pesquisa recente do Datafolha, Flávio Bolsonaro ganharia a eleição presidencial no Rio Grande do Sul. Lá ele [Flávio] tem 50,1% e Lula 39,3% - num cenário de segundo turno. Kássyo Ramos descarta bochichos sobre ter trocado o PRD pelo Podemos, partido de Rayssa, sob condição de ser mais uma opção de escolha para a vice de Furlan, na disputa pelo GEA, em outubro. Ele reafirma que seu projeto segue sendo o de conquistar uma cadeira como deputado federal, em Brasília - já numa segunda tentativa, registre-se. Estratégia.. Furlan anda assimmeio sumidão depois do baru- lho do afastamento pelo STF e da renúncia do cargo - apesar das andanças interior adentro. Já o vice, nome deve sair da cartola do aliado Lucas Barreto, atual senador do PSD. Embaraço... Alliny ainda segue naquele vai, não vai... Senado ou vice na chapa de Clécio Luis rumo à reeleição? PhDs avaliam que, pela experiência de jogo, ela seria um estorvo para as pretensões de Rayssa ao Senado Federal. |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 12 E 13 DE ABRIL DE 2026 3 FROM / LuizMelo Persistência O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim, terás o que colher. Cora Coralina Poetisa e contista brasileira “Pão é trigo e trigo é dólar. Se o dólar sobe, o preço do pão também sobe.” Ciro Gomes “ Confronto... Já com relações sob relâmpagos e trovoadas - candidatura Bena como pomo da discórdia -, não convidem mais Bala Rocha e Antônio Nogueira para um mesmo ‘regabofe’. Antes amiguinhos que só, hoje estão que nem cão com gato. “

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