Diário do Amapá - 17/04/2026

V Foto/ Ministério das Mulheres/Divulgação A Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, do Ministério das Mulheres, registrou, em 2025, 1.088.900 atendimentos, quase 3 mil por dia, o que representa um aumento de 45% em comparação com o ano anterior. Do total, foram contabilizadas 155.111 denúncias de violência contra mulheres, alta de 17,4% se con- siderado o mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o número de denúncias de violência equivale à média diária de 425. Além de denúncias de violência, o serviço inclui pedidos de informação sobre a rede de proteção às mulheres em território nacional, de políticas públicas e campanhas. Os dados do Ligue 180 de 2025 foram di- vulgados nesta quarta- feira (15). Lar inseguro Se considerado o to- tal de 155.111 denúncias de violência contra às mulheres, quase 70% das agressões ocorreram em ambiente doméstico, sendo 40,76% dos casos na residência da vítima e 28,58% na casa com- partilhada com o sus- peito. A casa do agressor é apontada em 5,39% (8.356) dos registros de violência no Ligue 180. Outras 4.587 denún- cias (2,96%) tiveram como cenário da vio- lência as vias públicas. As denúncias ainda alcançam o ambiente virtual com 2,96% dos registros de violências contra as mulheres.O levantamento mostra que, em 2025, dois terços (66,3% ou 102.770) das denúncias foram feitas pela própria vítima e outras 26,2 mil (16,9%) notificações chegaram de forma anônima. Queixas de terceiros como familiares, amigos e vizinhos da vítima somaram 16,8% (26.033). Outros 53 denunciantes foram o próprio agressor. Rotina de agressões Os dados indicam também a gravidade da per- sistência da violência contra a mulher no Brasil: 20,91% (32.435) das mulheres relatam conviver com a violência há mais de um ano; 10,15% (15.740) das denúncias indicam agressões que começaram recentemente, até 30 dias antes. ■ Em 2025, 70% das agressões contra mulheres ocorreram dentro de casa DENÚNCIAS Quase 70% das agressões ocorreram em ambiente doméstico, sendo 40,76% dos casos na residência da vítima e 28,58% na casa compartilhada com o suspeito. Nos lares Trecho Do Texto A Polícia Federal investiga um esquema de lavagem de dinheiro que incluía valores ilícitos oriundos do tráfico de drogas, envolvendoMCs e influenciadores. Uma operação foi realizada nesta quarta-feira, 15, que cul- minou na prisão dos cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador das páginas de redes sociais Choquei. Segundo a Polícia Federal, Ryan e Poze eram usados na propaganda de empresas de apostas e rifas ilegais, que faziam parte do esquema criminoso alvo da Operação Narco Fluxo. “Dentroda engrenagemcriminosa, se utilizamde pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”, explicou,MarceloAlbertoMaceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF emSão Paulo. “Essas pessoas commuitos seguidores conseguemmo- vimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então sãomuitoúteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras. Como a polícia chegou aos suspeitos? Ainda, segundo o delegado, a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, ressaltava-se no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”. Toda a estrutura era facilitada comousode processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos con- seguiammovimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos re- cursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio. Odelegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”. O que foi apreendido Ao todo, foram cumpridos 33 dos 37 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão. A ação teve a autorização judicial para o bloqueio de R$ 1,6 bilhão. Conforme a PF, R$ 20milhões emveículos foramapreen- didos, entre modelos da marca Land Rover, umda Porsche, dois da BMW e um da Ferrari, além de outros. Também foram confiscados pelas autoridades relógios de marca, di- nheiro em espécie, documentos, armas e equipamentos eletrônicos. ■ COMO APOSTAS E RIFAS ERAM USADOS EM ESQUEMA BILIONÁRIO DE LAVAGEM ENVOLVENDO MCS E INFLUENCIADORES Câmara pode causar impeachment de ministro do STF? Especialistas explicam A cusações contra integrantes do topo do Judiciário brasileiro reacenderam um debate sensível em Brasília: até onde vai o poder de responsabilização entre os Poderes da República. O relatório final da CPI do Crime Organizado, elaborado pelo senador AlessandroVieira (MDB-SE), aponta supostos crimesde responsabilidade e condutas incompatíveis com o decoro e sugere o impeachment de ministros do SupremoTribunal Federal (STF) e do Procurador-Geral daRepública. Entre as suspeitas estãoconflitos de interesse, recebimento de vantagens financeiras indevidas de instituições bancárias e o uso de jatos particulares vinculados a investigados. Apesar da gravidade das acusações, especialistas ouvidos pelo Terra esclarecem que o caminho institucional para um eventual im- peachment deministros doSTFnãopassapelaCâmaradosDeputados, diferentemente do que ocorre no caso do presidente da República. Segundooprofessor doutor emdireito constitucional da Faculdade de Direito da USP, Roger Leal, a Constituição delimita de forma clara as competências de cada Casa legislativa. "O juízo de admissibilidade que cabe àCâmara dosDeputados emcasos de impeachment alcança apenas denúncias contra o presidente, o vice-presidente da República e ministros de Estado. É o que estatui o art. 51, I, da Constituição. O processamento de Ministros do STF por crimes de responsabilidade ocorre apenas no âmbito do Senado Federal", afirma. ■ IMPACTOS INSTITUCIONAIS V Foto/ Reprodução/imcryansp/Instagram V Foto/ Wilton Junior/Estadão / Estadão ■ Das vítimas atendidas no Ligue 180, 31,8% são agredidas todos os dias ■ O ministro Alexandre de Moraes durante o julgamento do ex- presidente Jair Bolsonaro (PL) ■ MC Ryan SP e Poze do Rodo são presos em operação da PF sobre esquema de R$ 1,6 bi de lavagem de dinheiro Esquema movimentou R$1,6 bilhão em lavagem de dinheiro GERAL SEXTA-FEIRA | 17 DE ABRIL DE 2026 13 | GERAL | DIÁRIO DO AMAPÁ FALECOMAREDAÇÃO E-mail: diario-ap@uol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa PRISÕES

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