Diário do Amapá - 19 e 20/04/2026
LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 12 E 13 DE ABRIL DE 2026 2 C onta-se que os monges do Tibet, nas montanhas da Ásia, procuravam desde séculos reunir em um grosso código todos os nomes com que os homens, pelo mundo inteiro, tivessem designado Deus. Tratava- se de, aproximadamente, nove bilhões de nomes a serem consignados naquele volume. O trabalho parecia muito lento. Estimavam que fossem necessários 200.000 anos para concluir a tarefa. Um deles, então, lembrou- se de uma máquina que podia ajudá-los. Alugaram um computador que trabalhava rapidamente e imprimia os nomes. Os monges mal tinham tempo para colar os nomes no enorme livro. Uma dúvida, porém, começou a surgir: “Por que procuramos reunir todos os nomes de Deus?”. Eles perce- beram que essa era, e ainda é, a busca de todo ser humano: chegar a designar Deus pelo seu nome verdadeiro. A vida não tem outro objetivo a não ser a procura de Deus. Conhecê-lo e encontrá-lo é a maior alegria. No Quarto Domingo da Páscoa, a liturgia da Palavra nos oferece um trecho do capítulo 10 do evangelho de João. Lá, encontramos um “nome” com o qual Jesus se apresenta e com este nome podemos reconhecê-lo e in- vocá-lo. Ele disse, dele mesmo: “Eu sou o Bom Pastor” (Jo 10,11). Podemos então chamar Jesus assim, sobretudo se, como lemos no evangelho, ele está em contraposição ao “mercenário”, ou seja, àquele que se importa mais com sua vida e seu lucro do que com o bem-estar das ovelhas. Quando chega o lobo, na hora do perigo, o mercenário foge e abandona o rebanho. O verdadeiro pastor, que é o dono do rebanho, está pronto a dar a própria vida para defender as ovelhas ameaçadas. O Bom Pastor e as ovelhas se conhecem de uma forma única e extraordinária comparável com a intimidade entre Deus Pai e Deus Filho, que somente podemos pensar como uma comunhão perfeita de amor. A missão do Filho é conduzir, ao único redil e ao único Pastor, também ovelhas de outros rebanhos sem mais divisões, agressões e disputas entre elas. Para que isso aconteça, preci- samos escutar a voz do Bom Pastor que chama todos à unidade. Por fim, o Filho entrega livremente a sua vida para a salvação da humanidade, porque sabe que é amado pelo Pai, nele confia e a ele obe- dece. Quantas pessoas generosas criam filhos de outros e conseguem amá-los como se fossem os próprios, apesar de encontrar enormes dificuldades para educá-los... Tem grupos de famílias que “ado- tam” outras famílias sem recursos ou atribuladas por doenças e calamidades. Cuidar de uma ou mais pessoas idosas, que vivem sozinhas, é uma verdadeira missão que demanda carinho e fidelidade. Cuidar de alguém que precisa, até de um animal ou de uma planta, faz bem e se tornou hoje uma terapia para curar do desinteresse, da indiferença ou de problemas ainda mais sérios. Não podemos esquecer dos “bons” pastores e pastoras que tomam conta das nossas Comunidades do interior ou das periferias, sobretudo aquelas mais afastadas, de dif ícil acesso ou de bairros mal- afamados e perigosos. Muitas vezes, essas pessoas que fadigam nas Comu- nidades, muito dedicadas e fiéis, são vistas com suspeita. São julgadas como interesseiras ou até “mercenárias”, porque os que pouco ou nada en- tendem de vida cristã acham impossível que exista alguém que “trabalhe” de graça para os outros ou mesmo só para a glória de Deus. Ser generosos e dar um pouco do seu próprio tempo, da sua competência, do seu zelo, parece demais fora do comum e, de fato o é, se o avaliamos com a mentalidade gananciosa e calculadora que domina a nossa sociedade. Esses nossos irmãos e irmãs não aguardam o prêmio simplesmente para mais tarde no céu. Eles sabem que fazer o bem, cuidar dos necessitados e das coisas de Deus dá gosto e alegria já nesta vida. O que virá depois será gratuidade de Deus. Eles e elas conheceram não só o nome de Jesus “Bom Pastor”, encontraram-no e seguiram o seu exemplo. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá Todos nós, de tantas formas, somos chamados a “cuidar” de alguém, além, obviamente, de nós mesmos. Quantos pais e mães gastam a própria saúde para cuidar dos filhos quando pequenos e ainda quando crescem se precisam de carinho e ajuda especial... Os nomes de Deus U mas das experiências mais tristes do ser humano é quando ele se sente só, porque foi julgado e difamado. Quantas vezes cada um de nós passa por essa experiência terrível de ter sido atacado e consequentemente isolado? Chega ao ponto de não encontrar uma alma viva que te possa socorrer e ajudar. Ao máximo, constatar os balanços de cabeças para confirmar: ‘pobre coitado!’. Uma pessoa denegrida, julgada e abandonada é a destruição da sua humanidade. Mas o que resta a uma pessoa que passa por esses momentos tão cruéis? Onde buscar abrigo, compreensão? Nem os familiares ou colegas de profissão estão próximos. Um deserto tomou conta da pessoa. O que fazer em circunstâncias como essas? Será que há saída? É verdade que tem gente que não consegue enxergar mais nada e se entrega ao ‘vazio’. Porém, eu acredito firmemente que também nesses momentos tão cruciais é possível encontrar uma saída relevante que ajuda a superar tudo. Qual é? Quem nos orienta mais uma vez é a Sagrada Escritura, através do salmo 34. Leia atentamente: “Lutai, Senhor, contra os que me atacam; combatei meus adversários. Empunhai o broquel e o escudo, e erguei-vos em meu socorro. Brandi a lança e sustai meus perseguidores. Dizei à minha alma: ‘Eu sou a tua salvação’. Sejam con- fundidos e envergonhados os que odeiam a minha vida, recuem humilhados os que tramam minha desgraça. Sejam como a palha levada pelo vento, quando o anjo do Senhor vier acos- sá-los. Torne-se tenebroso e escorregadio o seu caminho, quando o anjo do Senhor vier perse- gui-los, porquanto sem razão, me armaram laços; para me perder, cavaram um fosso sem motivo. Venha sobre eles de improviso a ruína; apanhe-os a rede por eles mesmos preparada, caiam eles próprios na cova que abriram. Então, a minha alma exultará no Senhor, e se alegrará pelo seu auxílio. Todas as minhas potências dirão: ‘Senhor, quem é semelhante a vós? Vós que livrais o desvalido do opressor, o mísero e o pobre de quem os despoja’. Surgiram apaixo- nadas testemunhas, interrogaram-me sobre faltas que ignoro, pagaram-me o bem com o mal. Oh, desolação para a minha alma! Contudo, quando eles adoeciam, eu me revestia de saco, extenuava-me em jejuns e rezava. Andava triste, como se tivesse perdido um amigo, um irmão; abatido, me vergava como quem chora por sua mãe. Quando tropecei, eles se reuniram para se alegrar; eles me dilaceraram sem parar. Puseram-me à prova, escar- neceram de mim, rangeram os dentes contra mim. Senhor, até quando assistireis impassível a este espetáculo? Arrancai desses leões a minha vida, livrai-me a alma de seus rugidos. Vou render-vos graças publicamente, eu vos louvarei na presença da multidão. Não se regozijem de mim meus pérfidos inimigos, nem tramem com os olhos os que me odeiam sem motivo, pois nunca têm palavras de paz: e armam ciladas contra a gente tranquila da terra, escancaram para mim a boca, dizendo: ‘Ah! Ah!’ Com os nossos olhos, nós o vimos! Vós também, Senhor, vistes! Não guardeis silêncio. Senhor, não vos aparteis de mim. Acordai e levantai-vos para me defender, ó meu Deus e Senhor meu, em prol de minha causa! Julgai-me, Senhor, segundo vossa justiça. Ó meu Deus, que não se regozijem à minha custa! Não pensem em seus corações: ‘Ah, tivemos sorte!’ Não digam: ‘Nós o devoramos!’ Sejam confundidos todos juntos e se envergonhem os que se alegram com meus males, cubram-se de pejo e ignomínia os que se levantam orgulhosamente contra mim. Mas exultem e se alegrem os favoráveis à minha causa e digam sem cessar: ‘Glorificado seja o Senhor, que quis a salvação de seu servo!’ E a minha língua proclamará vossa justiça, dando-vos perpétuos louvores.” ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. Quando tropecei, eles se reuniram para se alegrar; eles me dilaceraram sem parar. Puseram-me à prova, escarneceram de mim, rangeram os dentes contra mim. Senhor, até quando assistireis impassível a este espetáculo? Arrancai desses leões a minha vida, livrai-me a alma de seus rugidos. Vou render- vos graças publicamente, eu vos louvarei na presença da multidão. Deus julga as pessoas
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