Diário do Amapá - 19 e 20/04/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 19 E 20 DE ABRIL DE 2026 A o expor um esquema de fraudes financeiras envolvendo os bancos de Brasília (BRB) e Master, a Ope- ração Compliance Zero, que a Polícia Fe- deral (PF) deflagrou em novembro de 2025, atingiu o ativo mais valioso da ins- tituição pública do Distrito Federal, a con- fiança. E as consequências seguem rever- berando no cotidiano dos quase 5 mil empregados do BRB. “Estamos todos, sociedade e traba- lhadores, pagando a conta de uma decisão política de salvar o Master”, afirmou à Agência Brasil o diretor do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, Daniel Oli- veira, funcionário concursado do BRB desde 2008. Segundo Oliveira, o sindicato tem re- cebido relatos de um ambiente mais es- tressante do que o habitual. Principalmente para os funcionários convocados a contar a policiais federais e auditores o que sabem sobre as negociações com a instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde o início de março. “São, principalmente, analistas de áreas que tiveram acesso às discussões com o Master e que podem saber algo que ajude nas apurações”, disse o sindica- lista. Ele se refere às negociações que re- sultaram na aquisição de bilhões de reais em créditos do banco de Vorcaro e cul- minaram com o anúncio da intenção do BRB em comprar parte do Master por R$ 2 bi. O Banco Central (BC) acabou rejei- tando a operação dois meses antes de de- terminar a liquidação extrajudicial do banco privado e da Polícia Federal (PF) deflagrar a Operação Compliance Zero. A tensão que os funcionários con- cursados, terceirizados e estagiários relatam é resultado de uma crise institucional sem precedentes na história do banco, criado em 1964. Oliveira assegura que, a partir da ope- ração da PF, quando o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), foi afastado do cargo por decisão judicial, suspeito de envolvimento com supostas irregularidades e fraudes financeiras, mui- tos clientes passaram a ir às agências em busca de informações sobre a solidez do banco e os eventuais riscos para seus in- vestimentos. “Alguns chegampensando em resgatar seu dinheiro. São os funcionários que estão fazendo o trabalho de convencer estas pessoas a confiarem na instituição e manterem suas aplicações”, acrescentou o sindicalista. Para ele, o problema maior é que, além de não terem respostas para todas as perguntas, os próprios trabalhadores estão apreensivos diante das incertezas. “Nossos empregos também estão em jogo. Somos cobrados a dar satisfações sobre fatos que escapam da nossa alçada. Quem atende ao público tem que estar o tempo todo atento ao noticiário para poder transmitir informações que, a nosso ver, são de responsabilidade do banco e do GDF”, ponderou Oliveira. Segundo o sindicalista, o sentimento entre parte dos trabalhadores temoscilado entre "muita indignação e apatia". Princi- palmente porque, na visão dele, houve, entre os funcionários, quem apontasse indícios de irregularidades nas negociações com o Master bem antes da PF torná-los públicos. Inclusive ao próprio ex-presi- dente, PHC, preso em caráter preventivo na quarta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje (16). “O próprio sindicato, quando soube da primeira compra e venda de carteira [de créditos doMaster, hoje sob suspeita], em novembro de 2024, denunciou a ope- ração ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários, por entender que se tratava de uma operação danosa para o BRB”, garante. ■ "ESTAMOS TODOS PAGANDO A CONTA", DIZ BANCÁRIO SOBRE O CASO BRB/MASTER FRAUDES FINANCEIRAS V Foto/ Joédson Alves/Agência Brasil

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