Diário do Amapá - 21 e 22/04/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA E QUARTA-FEIRAS | 21 E 22 DE ABRIL DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E studei na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na pri- meira metade dos anos 1980. A Biblioteca da universidade era fantástica, com toda a sorte de livros e revistas. Uma das revistas tinha um colunista que escrevia sobre Cibernética, nada a ver com braços mecânicos e assemelhados, mas sobre Teoria dos Jogos, Estatística e Teorias de Guerras, algo que nossos militares deveriam estudar e muito para não demonstrar o amadorismo que testemunhamos com muito pesar, como ultimamente na novela das Urnas Eletrôni- cas. Primeira vergonha, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira demonstrou que seus subordinados não têm capacidade de coletar informações disponíveis em meios públicos ao solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acesso os códigos-fontes das urnas eletrônicas que estão disponíveis ao público desde outubro de 2021. Para piorar, classificou o of ício urgentíssimo. Realmente, uma desonra humilhan- te. Segunda vergonha, o ministro da Defesa sugeriu ao TSE a realização de votação paralela em cédulas de papel no dia das eleições, como forma de testar a integridade das urnas. O eleitor que vota na urna sorteada seria convidado a preencher em papel seu voto e depositar em uma urna, mas o ingênuo general do Exército, que desconhece Estatística, não entende que seu teste falharia se um eleitor não aceitasse participar ou outro que mentisse, votando di- ferente no teste. É verdade que quando os generais permitiram que os técnicos responsáveis pela guerra ele- trônica falassem, observaram que o desligamento dos sensores biométricos poderia indicar ao software malicioso que a urna pode estar em teste e desligaria a alteração dos resultados, algo que os "experts" do TSE e das universidades não pensaram. Curiosamente, quando eu e um colega do INPE da área de controle de órbita de satélites começamos a fazer um relatório para o TSE, pensamos nisso também. Não que eu seja indiferente, mas não fiquei muito surpreso com essa demonstração de des- conhecimento dos generais, afinal, eleição não é função constitucional de Força Armada e ve- mos que falharam na defesa da Pátria quando o coronavírus invadiu o Brasil e matou certamente mais de 700 mil brasileiros, incluindo o chefe da inteligência do Exército, ou seja, nossas Forças não estão preparadas para uma guerra bacteriológica. E, agora, com o Putin ameaçando a Europa e os Estados Unidos com bombas atômicas, continuamos a ver nossas Forças nada fazendo, como se não existisse uma pequena probabilidade de uma guerra nuclear acontecer. Ou seja, estamos sem um plano de contingência para a catástrofe. Os deputados e senadores têm a obrigação de cobrar desses generais planos para enfrentar uma hecatombe nuclear. Sim, é verdade que isso é assunto militar e que os estrategos da nação deveriam estar preparados. Outro assunto que é dos militares é o controle de armas nas mãos dos civis. Dias atrás, o comandante do Exército disse não saber o ta- manho do arsenal de caçadores, atiradores esportivos e colecionadores (CAC). Como? Quem colocará a Ordem para termos o Progresso neste país? ■ Não que eu seja indiferente, mas não fiquei muito surpreso com essa demonstração de desconhecimento dos generais, afinal, eleição não é função constitucional de Força Armada e vemos que falharam na defesa da Pátria quando o coronavírus invadiu o Brasil e matou certamente mais de 700 mil brasileiros. Exército para que? E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO A aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento contribuiu para o avanço da prestação de serviço do setor por meio de Par- cerias Público-Privadas (PPPs), concessões, entre outros instru- mentos. Até então inexpressiva entre os assuntos de infraestrutura, a pauta ganhou relevância no debate nacional. Se por um lado temos discutido os desafios de atendimento das metas na área urbana até 2033, ainda encontramos lacunas para atender a população rural. A legislação deixa claro que o atendimento dos objetivos de universalização de abastecimento de água e esgotamento sanitário deve ser considerado apenas para áreas rurais sob cobertura de contratos. Porém, as localidades que não estejam sob responsabilidade contratual de uma concessionária – estatal, paraestatal ou privada – não são atendidas pela legislação em vigor. Isso quer dizer que elas estão desobrigadas ao cum- primento das metas dos serviços. A população rural brasileira é de aproxima- damente 30 milhões de pessoas. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS - 2021), 92,3% dos mo- radores dessas regiões não são atendidos por serviços de esgotamento sanitário e 70,4% não possuem sistemas de abastecimento de água tra- tada. A complexidade do saneamento na área urbana já é grande e se multiplica ainda mais nos distantes territórios brasileiros, começando pela ausência de informação dessas localidades, capazes de apontar as reais demandas dessas populações. A ausência de sistemas de esgotamento sani- tário é alta em todas as regiões brasileiras e chega a 99,7% na região Norte. Na região Cen- tro-Oeste, 76,4% da população não dispõe do serviço. No abastecimento de água, 80,2% dos moradores da área rural da região Norte não têm esse serviço, contra 55,1% da região Sul, que aparece com os melhores indicadores nesse quesito, segundo dados do SNIS 2021. Diante de um panorama extremamente di- versificado, as soluções de uma região podem não ser a resposta para outra localidade. Por isso, cabe ao município elaborar um planejamento, que comece com um levantamento de dados da realidade da sua área rural. O próximo passo é buscar soluções para as demandas dessa população. A Embrapa, por exemplo, desenvolveu várias tecnologias para atendimento dos moradores da área rural como “Fossa Séptica biodigrestora”, o “Jardim Filtrante” e o “Clorador Embrapa”. Outro fator importante para o sucesso dessa empreitada é a interação das ações entre os diversos níveis de governo, além da participação ativa da comunidade na discussão de suas demandas bem como no pro- cesso de alcance da universalização dos serviços. O avanço do saneamento básico no país deve atender tanto a população urbana como os moradores do campo. O abastecimento de água potável e o esgotamento sanitário nas áreas rurais promove saúde e desenvolvimento, oferecendo aos brasileiros das mais distantes loca- lizações o sentimento de pertencimento a uma nação que os tornam tão importantes quanto aqueles de qualquer outra região do país. ■ Saneamento rural, um desafio a ser enfrentado Diante de um panorama extremamente diversificado, as soluções de uma região podem não ser a resposta para outra localidade. Por isso, cabe ao município elaborar um planejamento, que comece com um levantamento de dados da realidade da sua área rural. E-mail: edmir@libris.com.br ELZIO MISTRELO Engenheiro e Diretor Administrativo e Financeiro da Apecs

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