Diário do Amapá - 23/04/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 23 DE ABRIL DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA A análise do consumo de moda no Brasil, avaliado pela Opnion Box, revela um cenário marcado por tensões e contradições que vão muito além da estética ou das tendências. Embora a moda seja fre- quentemente associada à expressão de identidade, os dados mostram que, na prática, ela está profundamente condicionada por fatores econômicos e estruturais. O fato de 74% dos consumidores apontarem o preço como principal critério de decisão, enquanto 70% também valorizam a qualidade, evidencia um consumidor que precisa equilibrar desejo e limitação financeira, buscando maximizar valor em um contexto de restrição. Esse comportamento indica que o consumo de moda no Brasil está menos ligado ao impulso e mais à racionalidade. Ainda que exista influência das redes sociais e das tendências, a maioria dos consumidores não se considera seguidora ativa dessas referências, mesmo sendo impactada por elas de forma indireta. Plata- formas como Instagram e TikTok funcionam mais como vitrines aspiracionais do que como determi- nantes absolutos de compra, reforçando um con- sumo mediado pelo imaginário, mas limitado pela realidade econômica. Outro ponto relevante é a consolidação do mo- delo omnichannel. Conforme indicado no relatório, 38% dos consumidores transitam entre lojas f ísicas e online, demonstrando que a experiência de compra se tornou híbrida e estratégica. O consu- midor pesquisa, compara e experimenta diferentes canais antes de decidir, o que revela maior autonomia e criticidade no processo de consumo. Essa liberdade não elimina barreiras, como a desconfiança em compras online ou dificuldades com trocas e ta- manhos, fatores que ainda impactam negativamente a experiência. Além disso, a pesquisa expõe limitações estru- turais importantes no setor. A dificuldade em en- contrar roupas adequadas ao próprio corpo, relatada por uma parcela significativa dos entrevistados, e a percepção de que a moda não é acessível para todos evidenciam um mercado que ainda exclui em vez de incluir. Esse dado aponta para uma contradição central: a moda se apresenta como espaço de expressão individual, mas, na prática, restringe quem pode participar plenamente desse processo. Embora a sustentabilidade apareça como um valor crescente, ela ainda ocupa um lugar secundário nas decisões de compra. Mesmo sendo considerada importante por grande parte dos consumidores, poucos estão dispostos a pagar mais por isso, o que demonstra um desalinhamento entre discurso e prática. Esse cenário reforça que, em contextos de pressão eco- nômica, questões éticas tendem a ser relativizadas. Dessa forma, o consumo de moda no Brasil em 2026 pode ser entendido como um campo de negociação constante entre desejo, identidade e possi- bilidade. Mais do que seguir tendências, o consumidor brasileiro revela um comportamento pragmático, adaptativo e, muitas vezes, condicionado por desigualdades estruturais que limitam suas escolhas. ■ Quando o preço dita o estilo os limites da moda no Brasil Embora a sustentabilidade apareça como um valor crescente, ela ainda ocupa um lugar secundário nas decisões de compra. Mesmo sendo considerada importante por grande parte dos consumidores, poucos estão dispostos a pagar mais por isso, o que demonstra um desalinhamento entre discurso e prática. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br GREGÓRIOJ.L. SIMÃO Radialista e estudante de Filosofia A revista digital da Popular Science deste mês traz uma interessante matéria sobre um dos mitos mais antigos da internet (da época do email): cozinhar no micro-ondas destrói os nutrientes? As micro-ondas começaram a ser usadas para o radar na Segunda Guerra Mundial, então, foi aproveitado para aquecer alimentos pela primeira vez em 1947. No final dos anos 1960, os fornos de micro- ondas comerciais já eram pequenos e baratos o suficiente para se tor- narem moda da cozinha moderna. E, na década de 1970, os cientistas começaram a se perguntar como essa forma de radiação eletromagnética poderia estar afetando a comida. Esquentar comida no micro-ondas produz texturas e sabores diferentes de outros métodos de cozimento. Em 2009, uma revisão de estudos de pesquisa sobre cozimento em fornos de micro-ondas afirmou claramente que não existem diferenças nutricionais significativas entre os alimentos preparados por métodos convencionais ou por micro-ondas. No entanto, isso não significa que os fornos de micro-ondas não alterem ou reduzam a nu- trição da sua comida; eles simplesmente não parecem fazer isso mais do que outros métodos de cozimento. Todo cozimento transforma os alimentos, para o benef ício de alguns nutrientes e o detri- mento de outros. E cozinhar a carne começou com os humanos pré-históricos. O aquecimento causa mudanças estruturais nas moléculas de proteína que as tornam mais fáceis de serem absorvidas e digeridas pelo nosso corpo. E tam- bém ocorre a destruição de patógenos. Outros nutrientes, como a vitamina C e as vitaminas B como tiamina e niacina, são solúveis em água e facilmente destruídos pelo calor. Isso significa que eles tendem a ser reduzidos durante o processo de cozimento, especialmente quando se ferve, por exemplo, o repolho ou outros vegetais nutritivos. Em 2009, pesquisadores chineses mediram a concentração de vitamina C e outros nutrientes no brócolis antes e depois do cozimento, testando cinco métodos de cozimento domés- ticos comuns: ferver, cozinhar a vapor, refogar, refogar seguido de fervura e cozimento no mi- cro-ondas. Eles determinaram que o micro-ondas produziu efeitos diferentes nos nutrientes em comparação com os outros métodos de cozimento. No entanto, o micro-ondas não causou a maior perda de nenhum nutriente medido entre os cinco métodos de cozimento comparados. Por exemplo, no caso da vitamina C, todos os tratamentos de cozimento, exceto o vapor, causaram uma perda dramática. Isso provavelmente ocorreu porque cozinhar a vapor foi o método que colocou o brócolis em menor contato direto com a água. Ferver produziu as maiores perdas de vitamina C, mais de 30%. Mas o micro-ondas reduziu a vi- tamina C no brócolis em apenas 16%. Em outro estudo de 2007 sobre perda de nutrientes em brócolis cozido no micro-ondas, os pesquisadores recomendaram tempos mais curtos no micro-ondas com menos água para reter a maior quantidade de nutrientes. Quanto mais água for usada e quanto mais tempo a comida for cozida, mais nutrientes podem ser lixiviados para a água de cozimento. É por isso que o caldo é nutritivo. ■ No entanto, o micro-ondas não causou a maior perda de nenhum nutriente medido entre os cinco métodos de cozimento comparados. Por exemplo, no caso da vitamina C, todos os tratamentos de cozimento, exceto o vapor, causaram uma perda dramática. Micro-ondas faz bem para a saúde? MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior do INPE

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