Diário do Amapá - 07/05/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 07 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA U berlândia (MG) registrou 480 acidentes com caminhões em apenas seis meses. Quase dois acidentes por dia em uma cidade de médio porte. O dado impressiona — e assusta. Mas o problema não é isolado. Pelo contrário: é reflexo direto de um colapso nacional silencioso que há décadas se alastra pelas estradas e avenidas brasileiras, onde o tráfego pesado convive com imprudência, desgaste estrutural e negligência coletiva. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), mais de 15 mil acidentes com caminhões foram registrados em 2023 nas rodovias federais brasileiras. Destes, mais de 2.300 resultaram em mortes. Isso significa que, a cada 3 horas, alguém morre em um aci- dente envolvendo veículos de carga. E isso sem contar os casos nas malhas urbanas, onde estatísticas locais, como a de Uberlândia, re- velam uma realidade ainda mais alarmante: as cidades brasileiras não estão preparadas para conviver com esse volume de veículos pesados. E não se trata apenas de falhas individuais. Há um encadeamento de fatores estruturais que alimentam essa tragédia. Os caminhoneiros enfrentam jornadas exaustivas, frequentemente descumprindo a Lei do Descanso (Lei 13.103/2015), por pressão de prazos e da lógica cruel da produção sem pausa. Muitos conduzem veículos com manutenção precária, por conta da crise no setor e da falta de fisca- lização efetiva. As rodovias, em sua maioria, acumulam problemas de sinalização, buracos, falta de acostamentos seguros e ausência de pontos de parada adequados. O resultado? Uma equação previsível, em que o fim da linha quase sempre inclui vítimas. Mas o que o Estado tem feito? Muito pouco. A cada tragédia, discursos protocolares, pro- messas de novas licitações, anúncios de re- formas estruturais que não saem do papel. E pior: nenhuma política nacional de mobilidade urbana séria integra o transporte de cargas como parte do planeja- mento viário. No Brasil, o caminhão é rei, mas governa sem lei. Uberlândia, neste cenário, é apenas um espelho. Um retrato do que se repete em Campinas, Goiânia, Contagem, Feira de Santana e tantas outras cidades brasileiras. O mesmo filme: motoristas exaustos, frota antiga, fiscalização insuficiente, planejamento urbano ineficaz e um governo que segue parado no acostamento da responsabilida- de. É preciso inverter essa lógica. Caminhão não é vilão — é instru- mento de desenvolvimento. Mas quando inserido em um sistema de irresponsabilidade institucionalizada, ele se transforma em risco ambulante. Não faltam estatísticas. Falta ação. A bomba-relógio já está em contagem regressiva. E ninguém poderá dizer que não foi avisado. ■ Uberlândia, neste cenário, é apenas um espelho. Um retrato do que se repete em Campinas, Goiânia, Contagem, Feira de Santana e tantas outras cidades brasileiras. O mesmo filme: motoristas exaustos, frota antiga, fiscalização insuficiente, planejamento urbano ineficaz e um governo que segue parado no acostamento da responsabilidade. O país avança e o asfalto continua matando caminhoneiros E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO A o contrário do que pensam alguns antipatriotas, o INPE é um celeiro de genialidades que contribuem muito para o progresso do Brasil. E a última notícia que engrandece o país é que um bra- sileiro foi escolhido para integrar a Royal Society, o climatologista Carlos Nobre. Antes dele, só Dom Pedro II. e Royal Society of London for Improving Natural Knowledge é uma sociedade do Reino Unido com a função de promover e apoiar a ciência, fornecer aconselhamento científico para políticas, educação e engajamento público e promover a cooperação internacional. Foi fundada em 28 de novembro de 1660. A sociedade é composta pelos membros, pelo Conselho, pelo o Pre- sidente e ainda os membros estrangeiros, titulados como Foreign Member of the Royal Society. Carlos Nobre ingressa como Membro Estrangeiro. Segundo a Royal Society, Carlos Nobre é um cientista do clima am- plamente reconhecido por seu trabalho sobre as interações biosfera- at- mosfera e os impactos climáticos do desmata- mento da Amazônia. E uma particularidade de seus estudos observacionais e de modelagem é que o desmatamento em grande escala aliado aos aumentos de temperatura que podem acon- tecer neste século poderão levar a floresta a tor- nar-se semelhante à savana no sul e leste da Amazônia. Carlos tem sido muito ativo na co- municação da ciência das mudanças climáticas e sustentabilidade para a sociedade nacional e internacional. Ele iniciou, organizou e liderou vários programas científicos que moldaram o desenvolvimento da ciência brasileira. No seu currículo Lattes, vê-se que ele foi gra- duado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA (1974) e dou- torado emMeteorologia pelo Massachusetts Ins- titute of Technology - MIT (1983). Foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA (1975-1981) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE (1983 a 2012). Im- plantou o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais - CEMADEN em 2015. Em 2021, Nobre recebeu ainda o prêmio da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) de Diplomacia Científica. Segundo a nota do comitê de premiação, o pesquisador é homenageado por "seu trabalho de longo prazo para compreender e proteger a biodiversidade e os povos indígenas da Ama- zônia". Uma nação que não valoriza aqueles que promovem seu progresso está fadada a ocupar lugares abaixo das nações desenvolvidas. Carlos e seu irmão Ismael Nobre propuseram um projeto de desenvolvimento denominado Projeto Amazônia 4.0, em que propõem soluções geniais e que destrói as falácias desenvolvimentistas que os simpatizantes do atual governo implementam à revelia da lei, destruindo florestas e fontes de água (estultícia mor). O Projeto do Nobre é ignorado pelos políticos brasileiros no geral, uma vergonha, pois contém o esforço que tornaria nossa nação ainda maior. Temos o potencial de ser a terceira potência econômica do planeta, mas elegemos nanicos intelectuais que são avessos ao trabalho árduo de construir uma Pátria tecnológica com vocação agroindustrial em um mundo cada vez mais faminto, quente e seco. ■ Nobre é do Brasil O Projeto do Nobre é ignorado pelos políticos brasileiros no geral, uma vergonha, pois contém o esforço que tornaria nossa nação ainda maior. Temos o potencial de ser a terceira potência econômica do planeta... E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sêniordo INPE MARIO EUGENIO

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