Diário do Amapá - 08/05/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 08 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br E m1994, durante umprojeto entre o INPE e universidades parceiras da NASA, meu chefe pediu que eu levasse um pesquisador americano ao Banco do Brasil para que ele trocasse dólares por reais. Fomos conversando sobre a situação dos imigrantes mexicanos nos Estados Unidos. Ponderei a ele que os EUA eram a Roma moderna que como a de an- tigamente os bárbaros entravam no império em busca de uma vida digna, como faziam os mexicanos. Ele ponderou e concordou comigo. Pessoas buscam melhores oportunidades de trabalho digno e uma remuneraçãomelhor. E todos que entramnos EUA ilegalmente conseguem algum tipo de emprego, ou subemprego, que mesmo assim ainda é melhor do que tinham nos países de origem. Desde Hamurabi, com a Lei de Talião (1772 aC), ninguém pode sofrer punição injusta, além do mal que causou. E qual o mal que causa alguém que invade um país em busca de trabalho e é recebido por cidadãos que o contrata? Certamente, é mais uma irregularidade que umcrime. Por Hamurabi, não se algema, nem se acorrenta pessoas que não representam perigo e não tenham histórico de violência. O que vimos no último dia 24 de janeiro foi chocante e surpreendente, muitos cidadãos bra- sileiros não perigosos foramdeportados algemados e acorrentados, desfilando diante de toda a nação. Há despatriota que diz que é assim que os EUA tratam quem quer que seja, mas não é verdade, não é o que nossos olhos testemunharam, tratam assim quem não seja americano. Justamente o país que se proclama defensor da Democracia, do Direito e da Justiça, E, ainda, o país cujo povo se declara cristão, escolhe não entender o que disse Deus aMoises: Nãomaltratarás o estrangeiro e não o oprimirás, porque foste estrangeiro no Egito (Êx 22, 20). E Deus ainda reforçou para que tivessem empatia: Não oprimirás o estrangeiro, pois conheceis o que sente o estrangeiro, vós que o fostes no Egito (Êx 23, 9). E ainda prega misericórdia com o faminto estrangeiro: Não respigareis tampouco a vossa vinha, nem colhereis os grãos caídos no campo. Deverá deixar isso para o pobre e o estrangeiro. Eu sou o Senhor, vosso Deus (Lv 19, 10). E ainda diz Pedro (1Pd 2,11-12): Caríssimos, rogo-vos que, como es- trangeiros e peregrinos... Essas duas palavras emgrego tambémdescrevem a situação dessas pessoas. Estrangeiros ( παροίκους , paroikois, palavra que gerou em português paróquia, um lembrete perene de nossa passagem curta por esta existência) aí significa estrangeiros residentes, que tinhamo direito de residência, porém, não de cidadania. Já peregrinos ( παρεπιδήμους parepidemois) significa estrangeiros sem direito a resi- dência. Estes não possuíam qualquer direito. Provavelmente, parte da comunidade petrina estivesse nessa condição social. Paroikois é substituída por xenoi ( ξένοι ) em Hebreus (7,14) quando se refere a Gênesis (23,4). Pedro usa os termos que lembramos israelitas do Antigo Testamento como migrantes ou estrangeiros no Egito e na Babilônia, como teria sido a realidade desses cristãos, certamente é a experiência da fé diante de ummundo indiferente aos ensinamentos de Jesus. ■ E, ainda, o país cujo povo se declara cristão, escolhe não entender o que disse Deus a Moises: Não maltratarás o estrangeiro e não o oprimirás, porque foste estrangeiro no Egito (Êx 22, 20). Imigrantes e Hamurabi MARIO EUGENIO S ou fã de sebos. Sempre fui. São uma alternativa mais barata para que consigamos manter o hábito da leitura. E agente encontra cada tesouro lá... Pois me ocorreu um outro tipo de sebo, o sebo de praia. E existe isso? Pois então, existe, sim. Existe, porque existem pessoas abnegadas, amantes de livros, que fazem deles profissão, ganha-pão. E quando chega o verão, eles vão de mala e cuia – ou melhor, com a barraca e uma boa quantidade de livros – para a praia, oferecer variada opção de leitura para os veranistas. Admiro essas pessoas, por levarem o livro a um lugar onde normalmente ele não seria encontrado e também por sacrificarem o seu verão trabalhando para que algum turista que esteja pro- curando por uma boa leitura, possa encontrá-la sem ter que deixar a praia e deslocar-se até a cidade. Sei que não é em toda praia que acontece isso, não sei exatamente quais delas contam com essa opção, mas aqui em Floripa, em um ou outra, já houve como encontrar um cristão oferecendo livros. É claro que eles não oferecem apenas livros, há revistas, quadrinhos, etc., como todo bom sebo, o que os torna ainda mais atrativos. Acho ótimo que o sebo tenha chegado até a praia. Que a ideia sirva de exemplo e mais sebos nas praias de todo o nosso litoral, por todo o Brasil, apareçam e sejam prestigiados, porque não adianta existir o sebo se não comprarmos os livros que eles oferecem. Se não houver demanda, eles desaparecem. E precisamos valorizar toda iniciativa que venha para incentivar a leitura, que venha para colocar livros nas mãos de todo aquele que queira adquirir mais cultura, mais conhecimento, mais informação. A leitura nos faz viajar, pois ao recriarmos a ficção, passeamos por lugares verdadeiros ou imaginados que talvez não possamos visitar de outra maneira. Que venham os sebos praianos, que venham mais e apareçam em todas as nossas praias. Qualquer iniciativa que privilegie a leitura, qualquer ação que coloque livros nas mãos de leitores em formação ou tenha a possibilidade de formar novos leitores é bem-vinda. A criatividade do brasileiro nesse sentido é grande e precisamos apoiar aqueles que se dedicam a incentivar a leitura. São ideias várias, de norte a sul do Brasil, e tenho o hábito de divulgar, porque bons projetos para melhorar a cultura de nosso povo, têm que ser co- nhecidos e multiplicados. ■ Acho ótimo que o sebo tenha chegado até a praia. Que a ideia sirva de exemplo e mais sebos nas praias de todo o nosso litoral, por todo o Brasil, apareçam e sejam prestigiados, porque não adianta existir o sebo se não comprarmos os livros que eles oferecem. Se não houver demanda, eles desaparecem. Livros nas praias LUIZCARLOSAMORIM E-mail: lcaescritor@gmail.com Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC

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