Diário do Amapá - 13/05/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 13 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H á um ano, a fumaça branca fumegava da Capela Sistina, aquela que tem obras magníficas de Miquelângelo, entre elas uma es- tranha que mostra o Diabo interrompendo Eva em aparente in- timidade com Adão. A fumaça indicava: Habemus Papam! A espera do nome do Papa, o primeiro sinal (ou semeion, no grego do Evangelho segundo João, raiz da palavra semáforo), seria verde ou vermelho? Leão! O último Leão, o XIII, iniciou uma grande revolução na Igreja, mostrando as garras ao denunciar a exploração do ser humano pelo Capitalismo e Liberalismo na Encíclica Rerum Novarum, e que logo no início deixa claro que não é um alinhamento com o So- cialismo nem com o Comunismo. Os cristãos, desde a Patrística, de- fendem o sistema de Comunidade, ou Koinonia. A origem do Papa também constituiu um sinal mais que claro. Pro- veniente do Novo Mundo, aquele que homenageou Américo Vespúcio. Um sacerdote dos Estados Unidos, nascido e criado no primeiro mundo, na nação mais poderosa e rica do mundo, mas que ergueu sua vida apostólica na América do Sul, o Peru. E, ainda, é agostiniano, como Gregor Mendel que viabilizou o Evolucionismo de Darwin com os estudos da hereditariedade. O Papa Leão XIV apresenta-se ao público em êxtase na praça e proclama sua saudação: A paz esteja com todos vocês! Repete a mesma saudação quando Jesus aparece pela primeira vez aos apóstolos, segundo João (20,19ss), já que não levaram muito a sério o testemunho de Maria Madalena. E que acerto! Nunca o mundo precisou tanto de um pregador da Paz. E, completou Leão, a paz de Cristo Ressus- citado é uma paz desarmada e uma paz desar- mante, humilde e perseverante e ela vem de Deus, que nos ama a todos incondicionalmen- te. O Papa Leão XIV fez apelos vigorosos de- nunciando os senhores da guerra cujas mãos "pingam sangue", durante a missa do Domingo de Ramos, em 29 de março. E, ainda, durante a Vigília de Oração pela Paz na Basílica de São Pedro, em 11 de abril: quem é escravo da morte para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe. Leão encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes da Palestina, Abbas, e de Israel, Herzog, reiterando a urgência do cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados. E manteve conversas telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, que durante o pontificado anterior do Papa Francisco não havia mostrado nenhum interesse. A primeira nomeação do Papa Leão XIV fez na Cúria foi de uma mulher, a Ir. Tiziana Merletti, que será secretária do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. O Papa ainda emitiu a Nota Doutrinal Mater Populi fidelis (Mãe do Povo fiel), um tema que ficou amadurecendo nos últimos 30 anos e que recoloca Maria no seu lugar: uma menina que diz sim a uma missão importante de Deus e uma mulher que diz a Jesus que chegara sua hora, torna-se sua discípula e aparece pela última vez no Novo Testamento orando perseverante com todos (At 2,14). ■ Um ano rugindo Paz Leão encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes da Palestina, Abbas, e de Israel, Herzog, reiterando a urgência do cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados. E manteve conversas telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, que durante o ponti.cado anterior do Papa Francisco não havia mostrado nenhum interesse. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO O varejo mineiro voltou a crescer. Os números divulgados pelo Índice do Varejo Stone (IVS) apontam alta de 5,2% nas vendas em Minas Gerais nomês de abril, na comparação comomesmo período do ano passado. À primeira vista, o dado parece reforçar o discurso otimista da recuperação econômica. Mas basta sair das planilhas e percorrer supermercados, feiras livres e pequenos comércios para perceber que o retrato do país real continua muito distante da euforia estatística. O crescimento do consumo, celebrado por setores do mercado financeiro, esbarra em um detalhe incômodo: o brasileiro está pagando mais caro para viver. E vive pior. Enquanto o varejo comemora expansão, o trabalhador vê o salário evaporar antes do fim do mês. A própria análise da Stone reconhece que o avanço ocorre de maneira desigual entre os estados e ainda sem força suficiente para consolidar uma recu- peração econômica consistente. Em outras palavras: há crescimento, mas não há segurança. Há circulação de dinheiro, mas não ne- cessariamente melhoria concreta da qualidade de vida. O alerta mais contundente vem justamente da mesa do brasileiro. Pesquisa do Departamento Inter- sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou aumento do custo da cesta básica em todas as capitais do país e no Distrito Federal. O dado desmonta parte da narrativa triunfalista que tenta transformar números frios do varejo em sinal automático de prosperidade. Quando a alimentação sobe em todas as regiões do Brasil, não se trata de um fenômeno localizado. É sintoma de um país onde o custo de sobrevivência cresce mais rápido do que a renda da população. E issoproduz umefeitoperverso: o consumidor continua comprando porque precisa sobreviver, não porque recuperou poder de compra. O crescimento do varejo, nesse contexto, pode esconder uma armadilha estatística. Muitas famílias seguemrecorrendo ao crédito, parcelando alimentos, renegociando dívidas e reduzindo gastos essenciais para manter o mínimo de consumo. A economia gira, mas gira pressionada pelo endividamento e pela inflação cotidiana que pesa principalmente sobre os mais pobres. MinasGerais aparece entre os estados commelhor desempenho em abril, ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ainda assim, a realidade das cidades do interior e das periferias urbanas revela um cenário de cautela. Pequenos comerciantes relatamvendas irregulares, consumidoresmais seletivos e aumento constante dos custos operacionais. OBrasil vive hoje uma contradição econômica típica de períodos de instabi- lidade: indicadores positivos convivem com sensação permanente de aperto fi- nanceiro. O supermercado mais caro neutraliza parte do crescimento do comércio. O crédito fácil estimula o consumo imediato, mas amplia o risco de inadimplência futura. E os índices de recuperação econômica não conseguem esconder a insegurança silenciosa das famílias brasileiras. O varejo cresce. Mas a pergunta que permanece é outra: cresce para quem? Porque desenvolvimento real não se mede apenas pelo volume de vendas. Mede-se pela capacidade de um trabalhador comprar comida sem sacrificar o aluguel, pela tranquilidade de chegar ao fim do mês sem recorrer ao cheque especial e pela confiança de que o emprego e a renda serão suficientes para sustentar a família. Enquanto a cesta básica sobe em todas as capitais do país, qualquer come- moração econômica precisa ser feita comprudência. Afinal, os números podem até sorrir nas estatísticas. Mas o carrinho de compras do brasileiro continua cada vez mais vazio. ■ O varejo cresce, mas o carrinho do suprmercado diminui O Brasil vive hoje uma contradição econômica típica de períodos de instabilidade: indicadores positivos convivem com sensação permanente de aperto .nanceiro. O supermercado mais caro neutraliza parte do crescimento do comércio. O crédito fácil estimula o consumo imediato, mas amplia o risco de inadimplência futura. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO

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