Diário do Amapá - 15 e 16/05/2026
| NOTA 10 | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA E SÁBADO | 15 E 16 DE MAIO DE 2026 14 Debate sobre nome do Teatro das Bacabeiras mobiliza artistas e Memorial Amapá IDENTIDADE HISTÓRICA A proposta de alteração do nome do Teatro das Ba- cabeiras voltou ao centro do debate cultural ama- paense nesta quinta-feira, 14, no programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9). O jornalista Walter Júnior, presidente do Movimento Memorial Amapá, co- mentou o Projeto de Lei nº 050/2026, aprovado pela As- sembleia Legislativa, que acrescenta o nome do teatrólogo Amadeu Lobato ao principal teatro do estado. A proposta prevê que o espaço passe a se chamar Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato. Embora reconheça a im- portância histórica do teatrólogo para a cultura local, Wal- ter Júnior afirmou que o movimento defende a manutenção integral do nome original do teatro, criado na década de 1990 após amplo debate entre artistas e intelectuais do es- tado. “O nome Teatro das Bacabeiras homenageia a identi- dade de um povo, não apenas uma pessoa. Ele remete à ori- gem histórica e cultural de Macapá”, afirmou o memorialista. Segundo Walter, a escolha do nome foi resultado de uma mobilização conduzida por nomes como os escritores Fernando Canto, NilsonMontoril e Edgar Rodrigues, após discussões sobre possíveis homenagens individuais ao es- paço cultural. “A professora Zaide Soledade sugeriu o nome, funda- mentando que Macapá significa ‘estância das bacabas’. Foi uma solução construída coletivamente”, explicouWalter Jú- nior. O presidente informou que o Instituto Memorial Amapá se reuniu com o deputado estadual Jesus Pontes, autor da proposta, para apresentar alternativas de home- nagem a Amadeu Lobato, semmodificar o nome do teatro. Entre as sugestões apresentadas está a denominação do anfiteatro da Fortaleza de São José de Macapá com o nome de Amadeu Lobato, local onde o artista consolidou sua tra- jetória com o espetáculo Uma Cruz para Jesus, encenado há mais de quatro décadas. “É naquele espaço que ele se eternizou como um dos grandes nomes das artes cênicas do Amapá”, destacou Walter Júnior. ■ “O nome Teatro das Bacabeiras homenageia a identidade de um povo, não apenas uma pessoa. Ele remete à origem histórica e cultural de Macapá. A professora Zaide Soledade sugeriu o nome, fundamentando que Macapá significa ‘estância das bacabas’. Foi uma solução construída coletivamente” WALTER JÚNIOR Pres. do Movimento Memorial Amapá CLÉCIO LUÍS Governador do Amapá “Vamos chegar a um entendimento que fique bom para o SESI, para o Amapá e, especialmente, para o povo de Santana, preservando esse patrimônio histórico, cultural e afetivo da nossa gente. Sempre tivemos grandes parcerias com o SESI/SENAI e vamos continuar fortalecendo essa relação”. “O estádio está em comodato com o Governo do Estado e nossa intenção é, de fato, que permaneça para o Estado. Estamos nesse processo de negociação para encontrar a melhor solução, que seja positiva para o SESI e, principalmente, para o povo do Amapá”. FRASES DA SEMANA PAULO MÓL JÚNIOR Diretor regional do SESI “Nosso objetivo de reservatório situa-se por volta de 6 mil metros de profundidade; atualmente, a perfuração encontra-se na marca dos 5 mil metros. Atravessamos recentemente uma zona de pressão anormal, um trecho que exige cautela extrema e monitoramento rigoroso”. FALECOMAREDAÇÃO E-mail: diario-ap@uol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa NOTA 1 SYLVIA DOS ANJOS Diretora de exploração e produção da Petrobrás ● N esta sexta-feira, 14, data que antecede o feriado estadual em homenagem a Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzi- nho, o professor, historiador e jorna- lista Célio Alício participou do programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9) para relembrar a importância histórica do líder da re- sistência amapaense contra a inva- são francesa de 1895. Reconhecido como herói nacio- nal e integrante do Panteão da Pá- tria, Cabralzinho teve atuação decisiva durante o conflito franco- brasileiro, episódio que marcou a disputa territorial entre Brasil e França pela região do atual Amapá. Durante a entrevista, Célio des- tacou que a figura de Cabralzinho ainda é cercada por controvérsias e interpretações equivocadas, muitas delas descontextualizadas historica- mente: “Ele tem todos os méritos para ser chamado de herói nacional. Muita gente perde tempo discutindo se ele era herói ou vilão e esquece a conjuntura política da época”, afir- mou o historiador. Segundo o pesquisador, Cabral- zinho não era militar de carreira. Comerciante, jornalista e líder polí- tico paraense, ele chegou à região do Contestado Franco-Brasileiro por volta de 1894 para liderar grupos lo- cais de resistência contra as investi- das francesas. Célio explicou que o confronto ocorrido em 15 de maio de 1895 ga- nhou repercussão internacional após a morte do capitão francês Lu- nier, atingido durante o embate lide- rado por Cabralzinho. O episódio pressionou os governos do Brasil e da França a retomarem solução di- plomática para o conflito. “A resistência da população ama- paense e a repercussão da matança mobilizaram a diplomacia interna- cional. Depois disso, a questão foi re- solvida pela via diplomática, com a defesa do Barão do Rio Branco”, res- saltou. Célio Alício também destacou que, sema resistência organizada na então vila de Amapá, o desfecho ter- ritorial poderia ter sido diferente. “Se os franceses conseguem tomar a vila naquele momento, certamente o desfecho poderia ter sido outro”, pontuou. Outro aspecto abordado foi a relação de Cabralzinho com a capoeira. Célio Alício afirmou que pesquisas recentes e documentos históricos comprovam que o líder amapaense era um exímio capoei- rista, contrariando narrativas antigas queminimizavam sua atuação f ísica nos confrontos. ■ HISTORIADOR EXALTA CABRALZINHO COMO HERÓI NACIONAL QUE AJUDOU GARANTIR AMAPÁ PARA O BRASIL “Ele tem todos os méritos para ser chamado de herói nacional. Muita gente perde tempo discutindo se ele era herói ou vilão e esquece a conjuntura política da época”. CÉLIO ALÍCIO Professor, historiador e jornalista ENTREVISTA
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