Diário do Amapá - 15 e 16/05/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA E SÁBADO | 15 E 16 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA P elo ano 1975, meu pai começou a assinar a Folha de S. Paulo, além da página de Ciência brasileira aos sábados, a coluna do Joelmir Beting era leitura obrigatória, pois ele conseguia traduzir o economês castiço para o Português popular. Arrogantes utilizam linguagem hermética para isso mesmo, fechar-se aos que não conhecem. Mas ter um vocabulário de uma casta não significa entender do assunto. Vejamos! Em 26 de dezembro do ano passado, a Folha de S. Paulo publicou as pre- visões dos economistas de seis entidades que desfrutam de respeito em nosso país. Está certo que adivinhar é mais uma arte que matemática, mas alguns, veremos, são mais economistas que outros... O Banco C6 previu que o Produto Interno Bruto do Brasil seria de 0%, isso mesmo, zero. Já a MB Associados foi mais otimista, 0,5%, enquanto que a Rio Bravo estimou em 0,7% e a Focus, 0,8%. O Banco Central e o Porto Asset Management arriscaram 1% de crescimento. E o que mais se aproximou do que estamos chegando foi o Ministério da Eco- nomia que predisse 2,5%. E deve ser maior ainda. Claramente, os economistas do Ministério da Economia estão mais afinados com a realidade do país e causa espécie o erro grotesco de Banco Central, aqueles que elevaram os juros a 13,75% e dizem que estão certos, mas o resto do mundo que não faz o mesmo não estão... Claro!? Só que não! Afinal, quem toma empréstimo caro se não precisar? No final, não gastam em produtos e serviços que alimentam a inflação? Enfim, o que diziam os economistas preditores? A MB Associados afirmava que o cenário para 2023 era de crescimento mais baixo. O C6 Bank previa um resultado mais baixo para o PIB por causa do fim do processo de reabertura da economia, a desaceleração global e o impacto dos juros altos. Já em abril, com a divulgação dos indicadores econômicos do primeiro trimestre que surpreen- deram positivamente os economistas, os bancos já começaram a revisar suas projeções do PIB, como o Bradesco que passou de 1,5% para 1,8% e o banco ABC Brasil de 0,1% para 1%. Em julho, foi a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorar sua estimativa de 0,9% para 2,1% em 2023. Agora, o Banco Central elevou de 2% para 2,9% sua estimativa de crescimento do PIB. A informação consta do relatório de inflação do terceiro trimestre, divulgado em 28 de setembro. O crescimento pode ser ainda maior, o que nos leva a crer que há muitos modelos preditores que ainda têmmuita incerteza (ou interesses indeclaráveis), mas o mais surpreendente é que os economistas fiquem surpresos com as previsões erradas... Até parece um debate que tivemos no INPE sobre predição da queda natural de um satélite (exigência internacional que cresce por causa do lixo espacial), um colega dizia que ele era o único no instituto que conhecia o assunto e afirmava que os modelos que usávamos da NASA e ESA estavam errados... Desafiei-o a mostrar o dele e provar que era melhor que os daquelas agências. Resultado? Continuamos utilizando os da NASA e ESA. Um dia teremos o nosso, mas depois de estudar bem o assunto. ■ Economia é ciência? O crescimento pode ser ainda maior, o que nos leva a crer que há muitos modelos preditores que ainda têm muita incerteza (ou interesses indeclaráveis), mas o mais surpreendente é que os economistas fiquem surpresos com as previsões erradas... E-mail: mariosaturno@uol.com.br Jornalista MARIO EUGENIO E mbora muitos avanços tenham se verificado neste século quanto ao empode- ramento feminino e combate à discriminação de gênero no ambiente empresarial, ainda há muito a caminhar na luta contra o preconceito e em favor da igualdade salarial e profissional. Perspectivas promissoras nesse sentido são apontadas no conteúdo "O poder das mulheres na empresa familiar: uma mudança geracional em propósito e influência". Trata-se de um dos textos resultantes de pesquisa realizada conjuntamente pela KPMG e o Step Project - Successful Transgenerational Entrepreneurship Practices (STEP), na qual foram entrevistadas 1.800 lideranças de empresas familiares, em 33 países da Europa, Ásia Central, América do Norte, América Latina, Caribe, Ásia, Pacífico, Oriente Médio e África. Um aspecto interessante da pesquisa é o fato de mostrar que as mulheres nas empresas familiares enfrentam os mesmos problemas verificados no contexto geral, e a maneira como vêm encaminhando soluções e mudanças pode ser um re- ferencial para transformações mais amplas em organizações de todos os portes e setores. Atualmente, 18% das lideranças de empresas familiares no mundo todo são mulheres, sendo a maior parte na Europa e Ásia Central. Ainda é grande o número de mulheres que desem- penham um papel "invisível" nos negócios familiares, trabalhando nos bastidores em funções administrativas, como assessoras e moderadoras informais ou se con- centrando exclusivamente na administração de suas fa- mílias. Elas também, emmuitos casos, seguem preteridas na sucessão do comando da empresa pelos irmãos, en- frentam desconfianças de clientes e do mercado quando ocupam posições tradicionalmente entendidas como "trabalho de homem" e muitas vezes precisam desistir do trabalho para conseguir atender os cuidados dos fi- lhos. Muitas das entrevistadas compartilharam que o preconceito inconsciente continua a existir sob a su- perf ície da sociedade moderna. E como as pessoas não conseguem vê-lo, é muito importante falar sobre o as- sunto. Para vencer esse problema, a pesquisa demonstra que homens e mulheres podem contribuir para o combate aos estereótipos de gênero. Uma recomendação é que as famílias preparem todos os seus membros, desde a infância, para desen- volverem uma carreira em suas empresas. Fica muito clara a necessidade de avanços culturais ainda mais acentuados na abordagem dessa questão. Uma delas, ao que parece, já está em curso: os líderes da próxima geração escolherão cada vez mais seus sucessores com base puramente em performance e potencial. Outra boa notícia é que as gestoras de empresas fa- miliares ouvidas na pesquisa estão quebrando muitas das barreiras e redefinindo o modo como são vistas. A maioria é respeitada pelos colaboradores, clientes e fornecedores, por sua experiência, conhecimento e habi- lidades. Elas são portadoras dos avanços que as mulheres buscam, com uma ressalva: as empresárias jovens ainda têm um pouco de dificuldade para aumentar sua credibilidade e legitimidade para assumir papéis de liderança . Contudo, a julgar pelo desempenho das executivas, as mudanças positivas tendem a se consolidar: as empresas familiares dirigidas por CEO´s do sexo feminino geralmente têm uma abordagem distinta de transformação e menos au- tocracia para a liderança. Observou-se que as mulheres tendem a incentivar os in- divíduos e as equipes a buscarem novos negócios, identificarem oportunidades de progressos e tomarem decisões por conta própria. Em tese, há menos conflito e mais diversidade, com reflexos diretos na performance da empresa. Um fator que tem contribuído para a redução das desigualdades e a promoção do papel feminino nas empresas familiares verifica-se no campo legal e normativo. Ótimo exemplo nesse sentido encontra-se na Índia, onde a emenda à Lei de Sucessão, em 2005, conferiu direitos de propriedade às filhas, casadas ou solteiras, e lhes concedeu direitos iguais aos dos filhos. Mandato legal subsequente levou as empresas familiares na Índia a aumentarem o número de mulheres representadas em seus conselhos, em comparação com as empresas não familiares. Pelo meio le- gislativo, portanto, venceram-se fatores culturais milenares... ■ O poder das mulheres nas empresas familiares Uma recomendação é que as famílias preparem todos os seus membros, desde a infância, para desenvolverem uma carreira em suas empresas. Fica muito clara a necessidade de avanços culturais ainda mais acentuados na abordagem dessa questão. E-mail: esantos@rodrigues-freire.com.br Sócia-líder de cultura e gestão de mudanças da KPMG PATRÍCIA MOLINO
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