Diário do Amapá - 17 e 18/05/2026
Adeus, Senhora A embaixadora da Espanha no Brasil, Mar Fernández-Palacios, está de saída depois de quatro anos em Brasília. Entre suas “grandes” realizações, está o cancelamento das celebrações emmemória das vítimas dos atentados terroristas de 11 de março de 2004, nos trens de Madri, substituídas pelas comemorações LGBT, com direito à bandeira do arco-íris em frente à representação diplomática. Lá e cá As relações entre Brasil e Espanha ganharam impulso no início dos anos 2000, quando as principais empresas espanholas investiram pesado no País, especialmente nos setores de energia (Iberdrola, dona da Neoenergia) e telecomunicações (Telefónica, hoje Vivo). No entanto, desde o retorno dos socialistas ao poder há sete anos em Madri, o relacionamento político foi priorizado. Atenção, passageiros Que os comandantes preparem o discurso das cabines quando isso ocorrer. Que os passageiros fiquem atentos à previsão do tempo, para evitar prejuízos. Mas, principalmente, que a concessionária Vinci Airports se vire para reformar e ampliar a pista: A Gol e a Azul vão proibir seus pilotos de aterrissar com pista molhada em Salvador. Efeito do boeing da Mercado Livre/Gol que saiu da pista no sábado. Que tiro! Não houve notícia pior para o senador e seu núcleo duro da pré-campanha do que o vídeo imediato de Romeu Zema logo depois que vazou o áudio de Flávio. Zema era o potencial vice cotado para a chapa. Eles se davam muito bem até o vídeo do ex-governador mineiro cair nas redes ontem. Zema virá a presidente em voo solo, ou a senador por Minas – o que muitos próximos dizem ser mais provável. Mano e Ciro A disputa pelo Senado pode complicar alianças do PT na corrida contra o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A resistência de alguns setores do PT à candidatura do deputado Júnior Mano (PSB) ao Senado pode complicar ainda mais a já difícil situação do partido. Um eventual veto a Mano afeta diretamente o senador Cid Gomes (PSB), principal fiador da candidatura do deputado. Casos de polícia… Ao ironizar ontem quase sorrindo que “o caso dele é de polícia”, referindo-se ao áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o “banqueiro” Daniel Vorcaro, o presidente Lula da Silva (PT) se esquece que tem três problemas de polícia em casa para resolver: o irmão Frei Chico vice-presidente de entidade que tungou R$ 300 milhões dos aposentados, um filho “consultor” que movimentou quase R$ 20 milhões e suspeito de receber mesada do Careca do INSS, e outro filho na mira por suspeita de negociatas no Ministério da Educação. Curiosamente, nenhum desses casos andou na Polícia Federal, nem para busca e apreensão. Não há crime no áudio de Flávio Bolsonaro pedindo patrocínio para um filme a Vorcaro. Mas isso enrolou sua largada da pré- campanha totalmente porque ele agora terá de se explicar para os aliados e, principalmente, o eleitor, por que procurou o enrolado “banqueiro”. As próximas pesquisas mostrarão o quanto ele foi atingido. A Procuradoria-Geral da República (PGR) de- nunciou nesta sexta-feira (15) o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelo crime de calúnia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A denúncia faz menção a uma série de vídeos publicados por Zema em suas redes sociais, intitu- lados "Os intocáveis". Os vídeos trazem sátiras que relacionam Mendes e outros ministros da Corte com o caso do Banco Master. A manifestação da PGR foi protocolada por volta das 17h30 e ainda não tem relator. O crime de calúnia é caracterizado pela imputação falsa de um ato que é considerado crime. Zema é pré-candidato à presidência da República e passou a trocar farpas com Gilmar após uma en- trevista concedida pelo ministro à imprensa. Além de criticar os vídeos publicados pelo ex- governador, Mendes caçoou do sotaque do político e disse que ele "governou Minas com liminares do STF", se referindo a decisões que suspenderam o pagamento da dívida do estado com a União. No auge do embate, Gilmar pediu a inclusão de Zema no inquérito das Fake News, relatado por Alexandre de Moraes. Em nota à imprensa, Zema declarou que “into- cáveis não aceitam críticas”. “Os intocáveis não querem prestar contas de seus atos. Os intocáveis se julgam acima dos demais brasileiros. Não vou recuar um milímetro”, decla- rou. ■ INTOCÁVEIS PGR denuncia Zema por calúnia contra Gilmar Mendes A expectativa de vida da população bra- sileira caiu 3,4 anos durante a pan- demia de covid-19, após aumento de 27,6% na mortalidade. É o que mostra a análise nacional do Estudo Carga Global de Doenças, maior pesquisa mundial sobre o impacto das doenças e fatores de risco nas populações de mais de 200 países. O documento está publicado na edição de maio da revista e Lancet Regional Health – Americas. Para os pesquisadores que participaram do levantamento, esse retrocesso é resultado da postura negacionista do governo federal da época, sob comando do ex-presidente Jair Bolsonaro. "As autoridades enfraqueceram as orien- tações científicas – rejeitando o distancia- mento social, disseminando desinformação, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de vaci- nas, sob a justificativa de isso protegeria o país de um colapso econômico." Apesar de a queda na expectativa de vida ter ocorrido em todo o país, há diferença significativa entre os números por unidades da Federação. Os três estados com a maior redução fi- cam na região Norte: Rondônia: 6,01 anos; • Amazonas: 5,84 anos; • Roraima: 5,67 anos. • Na outra ponta, com a menor redução, estão três estados da região Nordeste: Maranhão: 1,86 anos; • Alagoas: 2,01; • Rio Grande do Norte: 2,11 anos. • De acordo com o estudo, isso se deve ao fato de os governadores da região terem adotado com mais firmeza as medidas de contenção recomendadas por cientistas e autoridades sanitárias. "Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um consórcio com um comitê científico in- dependente que implementou estratégias.” O documento cita, por exemplo, o dis- tanciamento social, o fechamento de escolas e comércios, a obrigatoriedade do uso de máscaras, políticas de proteção aos traba- lhadores e sistemas de dados em tempo real. Os pesquisadores também defendem que o "impacto da pandemia sobre a carga de doenças e a expectativa de vida poderia ter sido mitigado em todo o país", se o go- verno federal à época tivesse adotado essa mesma abordagem. Uma demonstração disso é que o de- sempenho do Brasil no período foi pior do que o de outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, e do Brics, como China e Índia. "Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal como o Brasil ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização, à demora na aquisição de vacinas e ao foco em medica- mentos para ‘tratamento precoce’ sem evi- dências científicas de benef ício." ■ SAÚDE NEGACIONISMO FEZ BRASILEIROS "PERDEREM" 3,4 ANOS DE VIDA NA PANDEMIA V Foto/ Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 17 E 18 DE MAIO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO
RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=