Diário do Amapá - 19/05/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 19 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O nome de Joaquim Barbosa voltou a circular nos bastidores da política nacional com força suficiente para provocar desconforto em Brasília e curiosidade no eleitorado. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, conhecido pelo perfil duro, técnico e combativo durante o julgamento do Mensalão, reaparece agora como possível pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã. E o simples fato de seu nome voltar ao debate político já representa muito mais do que uma movi- mentação partidária comum. JoaquimBarbosa carrega uma característica rara na política brasileira contemporânea. Ele construiu sua imagem pública antes da transformação do Supremo Tribunal Federal emumpalco permanente de disputas ideológicas, espetacularizaçãomidiática e conflitos institucionais transmitidos ao vivo para o país inteiro. Em uma época em que ministros ainda falavam prioritariamente nos autos, Barbosa tornou-se conhecido justamente por não suavizar posições, por enfrentar interesses poderosos e por demonstrar independência diante da pressão política. Sua atuação firme durante o Mensalão marcou uma geração inteira. Para muitos brasileiros, Joaquim simbolizou o enfrentamento direto contra a impunidade política emumperíodo no qual parte da população ainda acreditava que as instituições poderiam reagir contra os abusos do poder. Era visto como alguémduro, tecnicamente preparado e pouco disposto a fazer concessões ao sistema tradicional de acordos silenciosos de Brasília. O cenário político atual, entretanto, é muito diferente daquele período. O STF tornou-se protagonista diário da vida nacional. Ministros passarama ocupar espaço político, ideológico e midiático que ultrapassa os limites clássicos da Corte Constitucional. O Supremo virou alvo constante tanto da direita quanto da esquerda, enquanto a sociedade demonstra sinais evidentes de desgaste institucional e des- confiança crescente. É justamente nesse ambiente de saturação política que o nome de Joaquim Barbosa ressurge. E não por acaso. Sua imagemainda está associada a independência, enfrentamento à corrupção e firmeza institucional. Ao mesmo tempo, existe uma ironia política poderosa nessa possível candidatura. Ele pode acabar se transformando emuma espécie de contraponto ao próprio STF do qual fez parte. Não necessariamente por ataques institucionais, mas pelo contraste entre a postura discreta e técnica que repre- sentava no passado e o atual ambiente de hiperexposição política vivido pela Suprema Corte. Ainda assim, existe um obstáculo central que nenhuma análise séria pode ignorar. Popularidade institucional não se converte automaticamente em força eleitoral. O Brasil possui histórico cruel com candidaturas vistas comomora- lizadoras ou técnicas. O eleitor brasileiro frequentemente demonstra indignação com o sistema, mas nem sempre transforma essa indignação em voto consistente. Outro ponto inevitável é o debate racial que uma eventual candidatura de Joaquim Barbosa traria ao centro da política nacional. O Brasil jamais elegeu um presidente negro pelo voto direto na República contemporânea. Sua candidatura teria peso simbólico profundo em um país historicamente marcado pela desigualdade racial estrutural. A pergunta inevitável começará a surgir nos debates políticos e sociais. Estaria o Brasil preparado para eleger umhomemnegro à Presidência da República? A questão ganha ainda mais relevância quando se observa que, mesmo sendo maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres continuam distantes do centro real do poder presidencial. Opaís segue demonstrando enorme dificuldade emromper estruturas históricas de representação política, tanto racial quanto de gênero. Isso revela que o discurso democrático brasileiro ainda convive combarreiras culturais profundas e silen- ciosas. A possível candidatura ultrapassa a disputa eleitoral convencional. Ela toca em temas sensíveis da sociedade brasileira, como representatividade, confiança institucional, desgaste do Judiciário e esgotamento da polarização política. Mas tudo dependerá do eleitor. O discurso firme, a história pessoal e a biografia ins- titucional podem despertar atenção inicial, mas eleições presidenciais no Brasil exigem estrutura partidária, alianças, comunicação popular e capacidade de sobreviver à brutalidade das campanhas modernas. O país mudou. A política endureceu. As redes sociais transformaram o debate público em território de guerra permanente. ■ Joaquim Barbosa reacende o debate sobre representatividade no Brasil A possível candidatura ultrapassa a disputa eleitoral convencional. Ela toca em temas sensíveis da sociedade brasileira, como representatividade, confiança institucional, desgaste do Judiciário e esgotamento da polarização política. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO O . sol deste verão está muito forte e tem chovido pouco onde é preciso que chova muito para encher reservatórios de água que abastecem muitas cidades. Mas temos tido tempestades e enchentes, em muitos lugares, depois de um Janeiro muito seco. As temperaturas têm passado de trinta e se aproximado dos quarenta. E a sensação térmica já superou os quarenta. No sol, termómetros já medira mais de cinquenta graus. Isto me faz pensar na estiagem em tantos lugares pelo Brasil, que faz secar os reservatórios e desaparecer a água tão necessária nas torneiras dos brasileiros. Sem água não há vida e, ao mesmo tempo que falta água potável, temos tempestades de verão que fazemcomquemuitas pessoas percam tudo nas enchentes, deslizamentos, etc. Na verdade é irônico, pois temos enchentes quando falta água na torneira, mas de há muito tempo falta planejamento na gestão da coisa pública, pois deveríamos ter pensado há décadas no que está acontecendo hoje, para prevenir. E deveríamos ter feito melhor manutenção, re- novação e ampliação das nossas redes de dis- tribuição de água, assimcomo fazer planejamento para o aumento na captação e no tratamento. Os rios estão secando, os reservatórios, poucos para o consumo atual, também. Os encanamentos envelhecem e ficam ob- soletos, com vazamentos que não podem ser tolerados hoje em dia e a população, por sua vez, vai aumentando dia a dia, sem que a pro- dução de água seja pensada para acompanhar esse crescimento. A falta de água na minha casa, nestes últimos tempos, chegaram a três dias continuados, por causa da chuva, das tempestades e das enchentes, que inviabilizam o tratamento de água que é precário e insuficiente, vejam que contraponto: muita água lá fora e nada de água nas torneiras. Será que todo esse descontrole do clima tem a ver com o nosso cuidado com o meio ambiente? Dúvida cruel, não? Alguns gestores da coisa pública, ao invés de planejarem a longo prazo as providências para que a água não falte, querem cobrar mais caro a água que os cidadãos consomem! Só que esse dinheiro, todos sabemos, não vai ser usado para prevenir a falta d´água. Infelizmente. Há que os conscientizarmos que a natureza não aceita o pouco caso de nós, seres humanos. Ela está cobrando o preço do descaso, do des- respeito, do deboche. Precisamos acordar, será que há tempo? ■ A água e nós: o calor que sentimos Vejam que contraponto: muita água lá fora e nada de água nas torneiras. Será que todo esse descontrole do clima tem a ver com o nosso cuidado com o meio ambiente? Dúvida cruel, não? LUIZCARLOSAMORIM E-mail: lcaescritor@gmail.com Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC
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