Diário do Amapá - 21/05/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 21 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA N o calendário das boas invenções humanas, o 20 de maio passou a merecer um lugar de respeito. Foi o dia dedicado ao Medicamento Genérico, esse herói silencioso que entrou nas farmácias brasileiras sem pompa de laboratório estrangeiro, sem anúncios cinematográficos e sem as vestes douradas das grandes marcas, mas com a virtude rara de aliviar a dor sem castigar o bolso. Durante muitos anos, o brasileiro entrou na farmácia como quem adentrava uma casa de penhores. Saía de lá com a receita numa mão e o susto na outra. O re- médio original, cercado da fama e do luxo do nome, parecia artigo de joalheria. Havia famílias que dividiam comprimidos como quem reparte pão em tempo de seca. E o pobre, esse eterno equilibrista das contas domésticas, frequentemente precisava escolher entre tratar a doença ou preservar a feira do mês. Foi então que o genérico deixou de ser visto como um primo pobre da medicina para se tornar protagonista de uma revolução silenciosa. Os números mais recentes da Pesquisa de Comportamento do Consumidor em Farmácias no Brasil, edição 2026, confirmaram aquilo que o povo já vinha dizendo na linguagem prática da sobrevivência, os ge- néricos conquistaramdefinitivamente espaço nas sacolas dos brasileiros. Eles estiveram presentes em 32,1% das cestas de compras nas farmácias do país, praticamente empatados comos similares, de 30,6%, emuito próximos dos medicamentos de referência, que registraram35,7%. O dado mais eloquente, porém, esteve na curva da história. Em 2021, os genéricos representavam 27,6% das compras. Em 2026, alcançaram 32,1%, crescimento acumulado de cerca de 16%. Não se tratou apenas de estatística fria. Foi o retrato de uma população aprendendo a comprar com inteligência e necessidade. O brasileiro, mestre em improvisar a vida, des- cobriu que saúde não precisava andar de braços dados com preços proibitivos. Descobriu também que confiança não mora necessariamente na emba- lagem mais vistosa. O presidente da Febrafar, Edison Tamascia, resumiu bem esse fenômeno ao afirmar que os medicamentos genéricos conquistaram a confiança da população jus- tamente por reunirem qualidade, segurança e preço acessível. E não era dif ícil compreender a razão dessa preferência. A pesquisa revelou que o preço continuou sendo o fator decisivo para 82,13% dos consumidores na escolha de uma farmácia. A localização apareceu muito atrás, com10,25%, seguida por estoque, Farmácia Popular, estacionamento e atendimento. Em outras palavras, o povo continuou comprando onde o dinheiro rendia mais. E não havia nisso qualquer romantismo econômico. Havia realidade. O salário do brasileiro continuou curto para os longos corredores da indústria farmacêutica. O genérico, nesse cenário, representou uma espécie de democracia medicinal, a possibilidade de tratar a hipertensão sem aumentar a pressão da conta bancária; de combater a infecção sem infeccionar o orçamento doméstico. Os próprios dados de mercado acompanhados pela Febrafar reforçaram a ten- dência. No acumulado anual até janeiro de 2026, os genéricos cresceram 13,6%, desempenho superior ao de diversas categorias do varejo farmacêutico. Foi a vitória da utilidade sobre o glamour. Da necessidade sobre a vaidade co- mercial. O brasileiro finalmente percebeu que remédio bom não era o que vinha envolto em nomes dif íceis e caixas reluzentes, mas aquele que cumpria o dever de curar sem exigir o sacrif ício da panela no fogão. Porque doença nunca escolheu classe social. Mas, durante muito tempo, o acesso ao tratamento pareceu escolher. No fim das contas, o Dia do Medicamento Genérico não celebrou apenas um produto farmacêutico. Celebrou umamudança de consciência nacional. Obrasileiro aprendeu, enfim, que economia também pode ser remédio. ■ Omedicamento genérico chegou ao gosto brasileiro O brasileiro finalmente percebeu que remédio bom não era o que vinha envolto em nomes difíceis e caixas reluzentes, mas aquele que cumpria o dever de curar sem exigir o sacrifício da panela no fogão. Porque doença nunca escolheu classe social. Mas, durante muito tempo, o acesso ao tratamento pareceu escolher. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO C ientistas chineses realizam diversos experimentos para fazer chover, até nevar. No mais extenso experimento, fizeram a semeadura de nuvens com drones adaptados e que resultou na precipitação de mais de 4% em uma área de 8.000 km² em um único dia, de acordo com a Administração Meteorológica da China (CMA). A operação gerou mais de 70.000 metros cúbicos de precipitação adicional utilizando apenas 1 kg de iodeto de prata, um composto comum para semeadura de nuvens. Essa quantidade de pó de iodeto de prata mal encheria uma caneca térmica de viagem. O teste foi detalhado em um artigo revisado por pares publicado no pe- riódico chinês Desert and Oasis Meteorology. Dois drones de médio porte subiram a altitudes de 5.500 metros em 9 de julho de 2023, liberando o iodeto de prata em quatro voos consecutivos sobre as pastagens de Bayanbulak, de acordo com o estudo. O pó amarelado era envolto em uma barra de combustão e liberado na atmosfera na forma de fumaça. As partículas de iodeto de prata foram dispersas a uma taxa de 0,28 gramas por segundo. Desde 2021, a equipe do projeto interligou 24 estações terrestres automatizadas com satélites e frotas de drones. O sistema de drones permite fazer operações de aumento de chuva ou neve em todas as condições climáticas, durante todo o ano e em larga escala, conforme explicam os pesquisa- dores no artigo. E ainda com menores riscos de segurança, maneabilidade, controle preciso e com ampla cobertura. Práticas semelhantes de modificação climática têm sido realizadas em outros países e em outras regiões da China, como Guizhou, Xangai, Gansu e Sichuan. Para determinar se uma operação de semeadura de nuvens amplificou a precipitação, determinar as medidas precisas do volume de água ganho e qual o benef ício projetado para o ano todo, os cientistas empregaram três métodos de validação para examinar os resultados de forma cruzada. 1) Espectrômetros de gota de chuva mostraram os diâmetros das gotas expandindo de 0,46 mm para 3,22 mm após a semeadura, enquanto imagens de satélite registraram resfriamento do topo das nuvens em até 10°C e crescimento vertical de cerca de 3 km, provando o efeito positivo com evidências f ísicas. 2) A análise estatística, baseada em 50 anos de dados climáticos regionais, estimou em 78.200 metros cúbicos de chuva adicional, com um aumento relativo de 3,8%. 3) Simulações em supercomputador previram um aumento de 73.800 metros cúbicos (4,3% de incremento), alinhando-se estreitamente com as observações em solo. Em 31 de maio de 2011, escrevi um artigo lembrando do projeto do então Centro Técnico de Aeronáutica - CTA (hoje DCTA) para fazer chover no Nordeste. Desistiram, mas um engenheiro do ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica, não. Ele dispensou o poluidor iodeto de prata e utilizava gotas de água potável. A SABESP o contratou em 2001, garantindo água para São Paulo. Sugeri que o governo criasse drones para isso, dentro do programa de Veículos Não Tripulados. Nossos financiadores desanimam fácil, os chineses não! Será que algum chinês leu meu artigo? ■ AChina faz até chover Em 31 de maio de 2011, escrevi um artigo lembrando do projeto do então Centro Técnico de Aeronáutica - CTA (hoje DCTA) para fazer chover no Nordeste. Desistiram, mas um engenheiro do ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica, não. MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior
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