Diário do Amapá - 23/05/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 23 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E m Abril de 2026, o Brasil assistiu a mais um capítulo de sua tumultuada história política com a rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Onome, que poderia soar familiar, traz à tona uma reflexão mais profunda sobre as repercussões da rejeição. Assim como o AGU Jorge Messias, que não encontrou aceitação em um dos mais altos tribunais do país, o verdadeiro Messias, Jesus Cristo, também enfrentou a rejeição em sua jornada terrena. Ao contrário do indicado ministerial, Jesus possuía uma história, repleta de lições e reflexões, que ecoa através dos séculos, revelando a sua natureza divino- humana e suas escolhas. A indicaçãode JorgeMessias, desde o seu inícionão foi recebida comapoiomajoritário nem do Senado, nem de setores da sociedade. Segundo analistas, sua trajetória junto aos governos de esquerda e suas decisões frente as funções públicas que assumiu, pesaramna opinião pública e nos votos dos senadores, principalmente, as decisões que foram de encontro com pautas conservadoras e suas declarações sobre o ocorrido no oito de janeiro, onde afirmou ter encaminhado ao Ministro Alexandre de Moraes, pedido de prisão ao envolvidos no fatídico episódio. No entanto, embora essa rejeição, possa parecer apenas mais um episódio de um drama político, nos faz pensar em comoa aceitaçãoe a rejeiçãomoldamodestinode indivíduos e instituições. Assim, fazemos um paralelo com a vida de Jesus, que também foi rejeitado por muitos, mesmo diante de seus ensinamentos e milagres. Desde o seu nascimento, a história de Jesus é marcada pela rejeição. Maria e José, ao chegarem a Belém para o re- censeamento, encontraram portas fechadas e corações en- durecidos. Não havia lugar para eles na hospedaria, e a única opção foi uma estrebaria, onde Jesus nascera emuma realidade de profunda humildade. Essa cena, que poderia ser um símbolo de esperança, foi o primeiro indício de um caminho repleto de adversidades. O Messias, que deveria ser acolhido como rei, foi recebido como um forasteiro. Essa rejeição inicial não foi ummero acaso; foi uma pre- figuraçãodoque estavapor vir. Asociedade judaica, esperava um líder político e militar que os libertassem da opressão romana, não conseguiuver emJesus o verdadeiro significado de sua missão. A expectativa de ummessias triunfante con- trastava coma realidadedeumhomemhumilde, quepregava amor, perdão e compaixão. Ao longo de sua vida, Jesus desafiou as normas estabele- cidas, curando os enfermos, dando voz aos oprimidos e pro- movendo uma perfeita visão acerca deDeus. Apesar de suas boas obras, ele foi alvo de críticas e hostilidade. Os fariseus, saduceus e escribas temerosos em perder seu poder e influência, viamemJesus uma ameaça. A rejeição culminou em um plano que perpassava por acusá-lo injustamente, para então, promover sua condenação, o que resultou em sua morte por crucificação. Na cruz, sua dor era intensificada pelas zombarias dos que passavam e gritavam dizendo: “Se és o Filho de Deus, desça da cruz!” A ironia é que, enquanto zombavamde sua suposta fraqueza, ignoravama verdadeira força que emanava de seu sacrif ício. Jesus, o Messias rejeitado, não buscava a salvação de si mesmo, mas a salvação da humanidade. Contudo, diferentemente da rejeição de Jorge Messias, que deverá ter repercussões meramente políticas, a enfrentada por Jesus, o verdadeiro Messias, não se limitou a um eventohistórico;mas, tornou-se umreflexoda condiçãohumana. Pois, quando rejeitamos Jesus, rejeitamos não apenas um líder espiritual, mas a oportunidade de transformação e redenção. As consequências dessa rejeição são profundas. Ao ignorar o amor e os ensinamentos de Cristo, a sociedade muitas vezes se vê imersa em conflitos, egoísmo e desespero. A busca frenética por poder e riqueza, emdetrimento de valores éticos emorais, resulta em um vazio existencial que muitos tentampreencher de maneiras destrutivas. Assim como Jorge Messias foi rejeitado em sua busca por um lugar no STF, Jesus, o verdadeiro Messias, enfrentou a rejeição em sua missão divina. A história de ambos nos convida a refletir sobre nossas próprias escolhas e a importância de acolher o que é verdadeiro e transformador. Que possamos abrir nossos corações para amensagemde amor e esperança que Jesus oMessias nos trouxe, reconhecendo que a verdadeira aceitação nos leva a um lugar de fé e compaixão. Pois, reconhecer e aceitar o plano salvífico deDeus transforma não apenas o indivíduo, mas toda a humanidade. ■ O Messias rejeitado: entenda as consequências disso As consequências dessa rejeição são profundas. Ao ignorar o amor e os ensinamentos de Cristo, a sociedade muitas vezes se vê imersa em conflitos, egoísmo e desespero. A busca frenética por poder e riqueza, em detrimento de valores éticos e morais, resulta em um vazio existencial que muitos tentam preencher de maneiras destrutivas. E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR H á uma cena que talvez empoucos anos precise de nota de rodapé. Umobjeto retangular, pesado, de lombada sofrida, papel fino como promessa eleitoral e milhares de páginas que ninguém lia até precisar desesperadamente de um encanador. Chamava-se catálogo telefônico. Existia em praticamente toda casa brasileira e ocupava um lugar curioso entre a lista telefônica e o apoio improvisado para monitor de computador. Antes disso virar arqueologia doméstica, surgiu uma ideia revolucionária para a época. Emvez de folhear páginas como quemprocura uma palavra secreta numgri- mório, bastava digitar. No Brasil, vieram nomes que hoje soam quase como personagens esquecidos de novela tecnológica. Cadê? Aonde? Ferramentas simples, rápidas, com aquele charme de internet que ainda não tinha aprendido a vigiar nossos hábitos com a dedicação de ummordomo britânico. Depois chegou o Google. E o verbo nasceu. Ninguém dizia pesquisar. Dizia dar umGoogle. É curioso comouma empresa consegue deixar de sermarca e virar comportamento. Não se pede mais fita adesiva, pede-se durex. Não se faz busca, dá-se um Google. Foi vendido como libertação do caos da informação e, durante muito tempo, foi exa- tamente isso. O catálogo telefônico digital do planeta, só que sem o risco de rasgar na página do “M”. Só que agora a roda gira outra vez. Depois de 25 anos, o próprio Google resolveu anunciar que procurar talvez seja coisa do passado. A ideia apresentada parece simples. Emvez demostrar uma avenida de links para você decidir, a inteligência ar- tificial atravessa a rua por você e volta comuma resposta pronta. Mais confortável. Mais rápido. Mais elegante. Menos cliques. Menos esforço. Tambémmenos escolha. Porque existeumadiferença importante entre encontrar e ser conduzido. Buscar sempre teve um pequeno des- confortodemocrático. Você via dez resultados, desconfiava de sete, abria quatro, fechava três, se irritava com publi- cidade e talvezdescobrisse algoquenemestavaprocurando. Havia ruído, mas havia descoberta. Quando uma IA responde diretamente, o caminho desaparece. Você não vê quem ficou em segundo lugar. Não vê quemdiscordou. Não vê o textopequeno escondido lá na página cinco. E aí aparece a pergunta inconveniente que nenhuma apresentação tecnológica gosta muito de responder. Se a máquina vai me levar até o que eu quero, quem decidiu o que eu queria? Porque existe uma diferença enorme entre indicar o que você busca e indicar o que convémque você encontre. Talvez seja o conteúdo mais confiável. Talvez seja o mais popular. Talvez seja o que melhor responde. Talvez. Ou talvez exista dinheiro, prioridade, interesse comercial, otimização de permanência, contratos, relevância medida por critérios invisíveis ou simplesmente uma interpretação estatística do seu comportamento. O antigo catálogo telefônico tinha um defeito enorme. Era limitado. Mas tinha uma qualidade rara. Ele não fingia pensar por você. O Google venceu porque organizou o caos. Agora aposta que pode substituir a curiosidade. E talvez consiga. Porque convenhamos, clicar, comparar e ler virou atividade quase artesanal. Só que existe um risco engraçado nessa história toda. O dia em que ninguém mais visitar os sites, os sites desaparecem. Quando os sites desaparecerem, de onde a IA vai aprender. Talvez acabemos descobrindo que o futuro mais avançado da internet é uma biblioteca gigantesca onde ninguémmais escreve porque ninguémmais entra. E nesse dia alguém vai perguntar para uma IA onde encontrar informação original. Ela provavelmente responderá commuita segurança. E semmostrar os links. ■ Depois do "dar um Google" o que virá? Quando os sites desaparecerem, de onde a IA vai aprender. Talvez acabemos descobrindo que o futuro mais avançado da internet é uma biblioteca gigantesca onde ninguém mais escreve porque ninguém mais entra. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO

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