Diário do Amapá - 24 e 25/05/2026
ENTREVISTA PESQUISADOR |ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 24 E 25 DE MAIO DE 2026 14 Em entrevista à Diário FM, Eduardo Bastos detalha os bastidores do maior banco de dados de exploração e produção do país, fala sobre inteligência artificial, consumo de energia e aponta oportunidades para profissionais de TI. D iário doAmapá -Você trabalhou durante anos na Agência Nacional do Petróleo, no banco de dados de exploração e produção, considerado umdos maiores domundo. Como é a dinâmica demanter a infra- estrutura de software de umacervo tão gigantesco? Eduardo Bastos - Foi uma experiência que abriuminha visão sobre tecnologias emuma escala completamente diferente da que eu conhe- cia. Agente sai de uma realidade de gigabytes e terabytes e passa a lidar competabytes. Hoje o banco de dados daANP trabalha comcerca de 22 petabytes de informações ligadas à exploração e produção de petró- leo no Brasil. Estamos falando de dados de todos os poços, áreas explo- ratórias e pesquisas sísmicas do país. É algo impressionante. Você perce- be que está lidando comumdos principais ativos estratégicos de uma nação. Isso traz uma responsabilidade enorme, mas tambémumsenti- mento de pertencimentomuito forte. Alémdisso, tive a oportunidade de aprender tecnologias avançadas e trabalhar ao lado de equipes extre- mamente qualificadas, emuma indústria poderosa e estratégica para o Brasil... Diário - Esse trabalho acabou rendendo premiações im- portantes para a equipe. O quemotivou esses reconheci- mentos? Eduardo - Foramdois projetos premiados internamente pela ANP dentro do programa Inova. Oprimeiro envolveu automação de pro- cessos ligados à análise de conformidade de dados de poços. Nós pre- cisávamos acelerar processos regulatórios e melhorar a velocidade das análises feitas pela superintendência. Foi aí que utilizamos Python e tecnologias modernas de automação. OPython hoje é essencial quan- do falamos em automação de processos. Existembibliotecas muito eficientes para manipulação e análise de grandes volumes de dados, e isso ajudou bastante no ganho de produtividade. O segundo projeto envolvia dados sísmicos pós-stack, que são extremamente complexos e pesados. Precisávamos extrair, tratar e validar essas informações com alta eficiência computacional. OLinux e as ferramentas open source foram fundamentais nesse processo, porque oferecem estabili- dade, escalabilidade e um ecossistema muito rico de soluções. Esses projetos impactaramdiretamente a agilidade de resposta da ANP para pesquisadores e operadoras do setor. Diário - Pensando no futuro, o banco de dados da ANP já está preparado para trabalhar com análises em tempo real? Eduardo - Esse é um caminho natural e necessário. Hoje a infraes- trutura já possui tecnologias capazes de responder rapidamente às de- mandas domercado. Existe investimento constante em ampliação da capacidade computacional e melhoria dos sistemas que gerenciam es- ses dados. No último período emque trabalhei lá, houve um reforço importante na infraestrutura justamente para ampliar a capacidade de processamento e armazenamento. Então, sim, existe ummovimento forte para tornar as análises cada vez mais rápidas e eficientes. Diário - Hoje muito se fala sobre inteligência artifi- cial e o enorme consumo de energia dos data cen- ters. Qual sua visão sobre isso? Eduardo - A demanda por energia é real e tende a crescer muito. Os centros de computação voltados para inteligência artificial precisam de equipamentos altamente especializa- dos, que consomem bastante energia e exigem sistemas ro- bustos de resfriamento. A indústria do petróleo depende cada vez mais de análise avançada de dados e automação inteligen- te. Isso exige capacidade computacional contínua e infraes- trutura de alto desempenho. O Brasil possui vantagens im- portantes nesse cenário. Temos potencial hídrico, fontes re- nováveis e condições de expandir a geração de energia para atender essa nova demanda. Esse talvez seja um dos grandes desafios do momento: equilibrar crescimento tecnológico com sustentabilidade energética. Diário - Se você fosse um profissional de TI aqui do Amapá, olhando para essa nova fronteira de explora- ção de petróleo, o que começaria a estudar agora? Eduardo - Muita gente talvez se surpreenda com a resposta, mas eu estudaria armazenamento de dados em fita. A tecno- logia de fitas magnéticas continua extremamente importante na indústria de óleo e gás. Estamos falando de ambientes re- motos e hostis, como navios de pesquisa e áreas marítimas. Os dados coletados são gigantescos e precisam de um meio de armazenamento seguro e resistente. As fitas têm uma du- rabilidade muito maior do que HDs convencionais e SSDs em determinadas condições. Hoje existem fitas que armazenam mais de 40 terabytes de dados. E não estamos falando de algo ultrapassado. Reportagem: CLEBER BARBOSA PERFIL Atualmente, no Mestrado da Unigranrio (PPGHCA), pesquiso como a IAGenerativa pode sero catalisadorda inovação e transparência na gestão pública. PRINCIPAIS ESPECIALIDADES - Infraestrutura & Cloud Native: Domínio profundo em Linux, Docker e Kubernetes (K8s). Especialista em deploy de aplicações utilizando recursos nativos de nuvem (AWS EKS, OCI Container Engine, Azure App Services) integrados de forma eficiente a pipelines de CI/CD. - Gestão de Dados & SGBD: Implantação, gestão e automação de bancos de dados PostgreSQL, Oracle, MSSQL banco de dados de forma ampla . Foco em alta disponibilidade, tunning e integração de dados para dashboards estratégicos. - Observabilidade & Monitoramento: Especialista na administração e implantação de Zabbix e ferramentas de monitoramento para prever incidentes em ambientes de missão crítica. - Gestão de Storage & Backup: Expertise em redes SAN e proteção de dados em larga escala com IBM Spectrum Protect (TSM) e Archive. - Automação & CI/CD: Implementação de esteiras completas de integração e entrega contínua, eliminando gargalos operacionais e erros manuais. Luciano Moreira ■ Eduardo Bastos participa coluna ConexãoMargemEquatorial, do programa PontoDeEncontro. Especialista explicacomo aTIsustenta a indústriade óleoegás
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