Diário do Amapá - 24 e 25/05/2026
LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 24 E 25 DE MAIO DE 2026 2 D urante as férias, uma família, que morava em uma grande cidade, foi passear num bosque. Todos admiravam a altura das árvores, o perfume e a variedade das flores. Depois de uma boa caminhada, encontraram uma fonte que brotava da rocha. Na pedra, estava esculpido: “Aprendam de mim!”. O pai perguntou: _ O que podemos aprender com esta fonte? A mãe foi a primeira a falar: - Esta fonte ensina a persistência. Não desiste. Nasce na profundidade da terra, brota da rocha e vai seguindo o seu caminho até chegar ao mar. A filha apontou a pureza da água e a sua gratuidade: _ A fonte é generosa, se oferece a quem tem sede e nada exige por isso. Para o filho, a fonte servia a todos sem distinção: - Ela serve aos amigos, aos estranhos, às aves, aos animais, aos insetos...Finalmente o pai observou: - Cada um aprende alguma coisa, de acordo com sua experiência e o seu coração. A fonte é a mesma. Os corações é que são diferentes. Cinquenta dias após a Páscoa, chegamos ao Domingo de Pentecostes e celebramos, acompanhando o livro dos Atos dos Apóstolos, o dom do Espírito Santo derramado sobre os discípulos reunidos. O evan- gelho de João fala do dom do Espírito “ao anoitecer da- quele dia, o primeiro da semana” (Jo 20,19) ou seja, no mesmo dia de Páscoa. Mas já na cruz, ao morrer, Jesus “entregou o espírito” (Jo 19,30). Cada evangelista tem o seu jeito e as suas motivações para nos comunicar a mensagem: o Divino Espírito Santo é o último “dom” de Jesus aos seus amigos, é o cumprimento da sua pro- messa de não deixá-los órfãos na tarefa da missão (Jo 14,18). Por isso, para o autor do livro dos Atos dos Apóstolos, é o Espírito Santo o protagonista da difusão do Evangelho. É ele que orienta as decisões, acompanha os apóstolos e os sustenta nas dificuldades. A solenidade de Pentecostes é sempre a oportunidade para refletirmos sobre a presença viva do Espírito Santo em nossa vida pessoal e na vida das nossas co- munidades. No caminho sinodal, proposto comcoragem pelo papa Francisco, somos convidados à escuta uns dos outros e todos juntos à escuta do Espírito Santo. Com efeito, todos nós percebemos que a nossa Igreja deve estar em constante renovação e reavivamento. Numa sociedade que muda rapidamente, métodos e linguagens de outros tempos precisam ser atualizados sem perder, evidentemente, o mais importante: a fide- lidade à pessoa de Jesus Cristo e à sua mensagem reve- ladora e salvadora. Temos uma história milenar de santidade, evangelização emartírio, mas, a cadamudança de época, somos desafiados a encontrar formasmelhores para comunicar a novidade do Evangelho aos homens e às mulheres deste novo tempo. Contamos com grandes exemplos, com a Tradição viva, mas, sobretudo, devemos dar atenção aos “sinais dos tempos” – si- tuações, pessoas e formas de pensamento - através dos quais, junto com seus “mi- nistérios” e “carismas”, o Divino Espírito Santo continua a sustentar a sua Igreja. Precisamos melhorar no diálogo entre nós, para superarmos, também, dentro das nossas comunidades as polarizações que destroem a comunhão e aquelas formas de saudosismos que nos impedem de abrir novos caminhos. A página de Pentecostes do livro dos Atos para apresentar a chegada do Espírito Santo usa as imagens bíblicas do vento e do fogo. Tomo a liberdade de lembrar mais uma imagem do mesmo Espírito, usada por Jesus: a da água. Lemos em Jo 7,37-39: “No último e principal dia da festa (das Tendas), Jesus, de pé, exclamou: ‘Se alguém tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim. Conforme diz a Escritura: do seu interior fluirão rios de água viva’. Ele disse isso, falando do Espírito que haveriam de receber os que cressem nele; pois não havia ainda o Espírito, porque Jesus ainda não fora glorificado”. Jesus é a única e inesgotável “fonte”. Todos teremos sempre muitas coisas para aprender com ele. No entanto, aqueles que saciarem a sua sede nessa fonte, tornar-se-ão, por sua vez, fontes capazes de satisfazer a sede de outros. A água-Espírito Santo, corre livremente, nunca cansa de se doar a todos, é generosa e gratuita. É a água do amor, da sabedoria, da comunhão. Talvez sejamos nós a ter pouca sede dela. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá A solenidade de Pentecostes é sempre a oportunidade para refletirmos sobre a presença viva do Espírito Santo em nossa vida pessoal e na vida das nossas comunidades. No caminho sinodal, proposto com coragem pelo papa Francisco, somos convidados à escuta uns dos outros e todos juntos à escuta do Espírito Santo. A fonte A s realidades terrenas gozam de autonomia. O homem tem liberdade em sua ação. Mas, essa autonomia das realidades terrenas deve sempre ser entendida em relação a Deus. Toda a criação nos leva a Deus. Tudo é obra da criação de Deus. E o ser humano tem a tarefa de continuar a ação de Deus sobre o criado. É preciso, então, superar o vazio cultural em que estamos imersos. Quando a violência aumenta entre nós, significa que estamos parados, inertes. Nessa condição, o ser humano não se exalta como criatura e não auxilia na criação. O ser humano é jogado para baixo. A Palavra de Deus é necessária para o resgate dessa criatura. O salmo 90 das Sagradas Escrituras nos mostra a importância dessa confiança emDeus para nos resgatar e dar segurança à nossa vida. “Tu que habitas sob a proteção doAltíssimo, quemoras à sombra doOnipotente, dize ao Senhor: Sois meu refúgio e minha cidadela, meu Deus, em que eu confio.É ele quem te livrará do laço do caçador, e da peste perniciosa. Ele te cobrirá com suas plumas, sob suas asas encontrarás refúgio. Sua fidelidade te será um escudo de proteção.Tu não temerás os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia, nem a peste que se propaga nas trevas, nem o mal que grassa ao meio-dia.Caiam mil homens à tua esquerda e dezmil à tua direita, tu não serás atingido. Porémverás com teus próprios olhos, contemplarás o castigo dos pecadores,porque o Senhor é teu refúgio. Escolheste, por asilo, o Altíssimo. Nenhum mal te atingirá, nenhumflagelo chegará à tua tenda,por- que aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.Sobre serpente e víbora andarás, calcarás aos pés o leão e o dragão. Pois que se uniu a mim, eu o livrarei; e o prote- gerei, pois conhece o meu nome.Quando me invocar, eu o atenderei; na tribulação estarei com ele. Hei de li- vrá-lo e o cobrirei de glória. Será favorecido de longos dias, e mostrar-lhe-ei a minha salvação.” Esse salmo proclama emvoz alta a grande sabedoria em confiar em Deus, autor da vida. É Ele o nosso refúgio, fortaleza, escudo nas lutas do dia a dia. Ele protege e defende o fiel. Com essa convicção, o fiel en- frenta os desafios das trevas, que, segundo a tradição oriental, os espíritos do mal frequentam a noite, não tem medo da super quentura do dia, das doenças que aparecem na população e dos tantos inimigos que se ‘lastram pelo chão.’ Deus com os seus anjos a protege e acompanha pelos seus caminhos da vida. O mal que se insinua na história da humanidade terá o fim, cessará de ser ameaça para os fiéis. Para en- tender melhor isso, é bom lembrar o que disse Jesus Cristo: “Eis que vos dou o poder de pisar serpentes, es- corpiões e todo poder do inimigo, e nada poderá vos causar dano”(Lc 10,19). E a invocação final em que o mesmo Deus confirma que a confiança Nele é que rendemais eficaz a vida do fiel: “OSenhor é teu refúgio. Escolheste, por asilo, o Altíssimo. Nenhum mal te atingirá, nenhum flagelo chegará à tua tenda”. É a confiança que garante a vida do fiel! Com a confiança emDeus, a história da humanidade se torna elevação, salvação. Esta oração é bem enraizada na realidade do ser humano, que passa tambémpela sua dramaticidade da existência. Embora as provas da vida acompanhem as pessoas, a certeza da proteção de Deus é muito superior a elas. O papa Francisco, no ‘Angelus’ de 26.02.2017, falou o seguinte: “Confiar emDeus não resolve magicamente os problemas, mas permite enfren- tá-los com o espírito justo, corajosamente. Sou corajoso porque confio emmeu Pai que se ocupa de tudo eme amamuito.É o nosso refúgio, a fonte da nossa serenidade e da nossa paz. É a rocha da nossa salvação, à qual nos podemos agarrar, certos de que não caímos; quem se agarra a Deus nunca cai! É a nossa defesa do mal que está sempre à espreita. Deus é para nós o grande amigo, o aliado, o pai, mas nem sempre nos damos conta disto. Não nos apercebemos de que temos um amigo, um aliado, um pai que nos ama, e preferimos apoiar-nos em bens imediatos que podemos tocar, em bens contingentes, esquecendo, e por vezes rejeitando, o bem supremo, ou seja, o amor paterno de Deus. Senti-lo como Pai, nesta época de orfandade, é tão importante! Neste mundo órfão, senti-lo como Pai. Nós afastamo-nos do amor de Deus quando vamos em busca dos bens terrenos e das riquezas, manifestando assim um amor exagerado a estas realidades.” ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. É a confiança que garante a vida do fiel! Com a confiança em Deus, a história da humanidade se torna elevação, salvação. Esta oração é bem enraizada na realidade do ser humano, que passa também pela sua dramaticidade da existência. Embora as provas da vida acompanhem as pessoas, a certeza da proteção de Deus é muito superior a elas. Escolheste, por asilo, o altíssimo!
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