Diário do Amapá - 27/05/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 27 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Radialista e estudante de Filosofia E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br D urante muito tempo o Brasil tratou a violência doméstica como assunto de porta fechada. Briga de marido e mulher. Desentendi- mento. Problema de casal. Expressões que serviram durante décadas para esconder aquilo que sempre esteve diante dos olhos de todos. Violência doméstica não é conflito comum. É abuso. É controle. É medo. É crime! E existe algo ainda mais cruel do que a agressão em si. É o dia seguinte. Porque muitas vezes o agressor termina o ataque e continua vivendo. A vítima não. Ela fica. Fica com os pontos. Com as cicatrizes. Com o medo de dormir. Com o receio de sair na rua. Com consultas. Com remédios. Com terapia. Com filhos tentando entender por que a casa deixou de ser lugar seguro. Há mulheres que perdem emprego. Há mães que deixam de trabalhar para re- construir a própria vida. Há crianças que crescem aprendendo que amor e violência ocupam o mesmo espaço. E isso não termina quando a ambulância vai embora. Por isso o debate sobre responsabilização pre- cisa avançar. A proposta que altera a Lei Maria da Penha e obriga o autor da violência doméstica a arcar também com os custos do tratamento psicológico e do apoio psicossocial da vítima e de seus de- pendentes aponta para uma discussão importante. Não basta responder criminalmente. Existe uma consequência humana, emocional e financeira que hoje frequentemente recai sobre quem sofreu a violência e sobre o sistema público. Responsabilidade não é vingança. Responsa- bilidade é consequência. Quem agride não produz apenas um boletim de ocorrência. Produz meses de recuperação. Produz despesas. Produz trauma. Produz insegurança. E quando toda essa conta fica apenas para a vítima, para os filhos e para a sociedade, alguma coisa está errada. Não é aceitável naturalizar histórias em que alguém destrói emocio- nalmente uma família e depois segue sua rotina como se tivesse apenas perdido a cabeça. Não perdeu a cabeça. Fez escolhas. Relacionamento não é posse. Ciúme não é autorização. Casamento não é contrato de domínio. Ninguém pertence a ninguém. Nenhum ser humano tem direito de controlar o corpo, a liberdade, os horários, os amigos ou o futuro do ou- tro. E talvez esteja na hora de parar de perguntar por que tantas vítimas demoraram para denunciar. A pergunta correta é outra. Por que durante tanto tempo foi tão fácil para tantos agressores acreditar que poderiam fazer tudo isso sem enfrentar todas as consequências dos próprios atos? ■ Ninguém pertence a ninguém. Nenhum ser humano tem direito de controlar o corpo, a liberdade, os horários, os amigos ou o futuro do outro. E talvez esteja na hora de parar de perguntar por que tantas vítimas demoraram para denunciar. Quando a violência termina para o agressor e continua para a vítima GREGÓRIOJ.L. SIMÃO N o primeiro escrito cristão, Paulo suplica que aprendam sempre mais (1Ts 4,1) e a amar (ágape) mais e mais (1Ts 4,9-10). Sua Bíblia não diz, mas o original fala em andar, o que faz sentido, já que não existia o conceito de Cristianismo, mas do "Caminho". Para compreender a Bíblia, devemos estuda-la utilizando todo o ferramental disponível. Em artigo anterior, apresentei as descobertas em Nuzi (Mesopotâmia) e Elefantina (Egito) que o doutor biblista Padre Raymond E. Brown apresenta no livro "Recent discoveries and the Biblical world", que mostram que as práticas estranhas de Abraão eram comuns naquela re- gião. O conhecimento da Bíblia cresceu com as descobertas de escritos, como cópias mais antigas de livros bíblicos (como os Manuscritos do Mar Morto e os Papiros Bodmer) ou de obras "bíblicas" que não foram aceitas no cânon sagrado (como os de Nag Hammadi). Essas descobertas mostram como os povos bíblicos viviam, as línguas e estilos de escrita usados, como em Ebla, Ugarit, Mari e Nuzi. Im- périos, povos e cidades antes pouco conhecidos deixaram registros, como os hititas, hurritas e as cartas de Amarna, preenchendo o pano de fundo da história bíblica. Uma descoberta recente revelou um impor- tante centro do terceiro milênio na Síria (localizado entre Hama e Aleppo), mais próximo geográfica e linguisticamente de Canaã do que as civilizações suméria, acadiana e egípcia conhecidas até então. As línguas semíticas são frequentemente divididas em nordeste-semíticas (acadiano, assírio, babi- lônico) e sudeste-semíticas (arábico do sul, etió- pico), em contraste com as noroeste-semíticas (amorita, cananeia, aramaico) e sudoeste-semíticas (arábico). Dentro do ramo cananeu, incluem-se o ugarítico, o hebraico e o fenício. Uma equipe arqueológica italiana da Univer- sidade de Roma escava Tell Mardikh (a antiga Ebla), uma cidade que supostamente tinha 250 mil habitantes e foi destruída por Naram-Sin da Acádia, um governante já conhecido por desco- bertas. Entre 1974 e 1976, os arquivos de Ebla foram divulgados, uma descoberta impressionante mesopotâmicas de mais de 16.500 itens catalo- gados, datados de 2400 a 2250 a.C. Cerca de 80% das tabuinhas estão em sumério (uma língua não semítica), enquanto 20% estão em uma língua semítica (que foi chamada de eblaíta), aparentemente do mesmo ramo noroeste- semítico que o hebraico. Mais de 10.000 nomes aparecem nessas tabuinhas (em sua maioria documentos comerciais), e alguns eram somente encontrados na Bíblia, como Adão, Eva, Jabal, Noé, Hagar, Bila, Miguel e Israel. Aparecem também palavras raras no hebraico, cerca de 1.700 palavras que aparecem apenas uma vez nos textos hebraicos anteriores a 70 d.C.. O emprego dessas palavras dão novos significados sobre as passagens bíblicas. É importante lembrar que a poesia, incluindo a hebraica, frequentemente preserva vocabulário e sintaxe arcaicos. Assim, documentos em uma língua semítica relacionada, mesmo escritos 1.500 anos antes do texto bíblico, podem esclarecer fenômenos linguísticos esquecidos em períodos posteriores. Seguiremos aprendendo mais e mais. ■ Cerca de 80% das tabuinhas estão em sumério (uma língua não semítica), enquanto 20% estão em uma língua semítica (que foi chamada de eblaíta), aparentemente do mesmo ramo noroeste- semítico que o hebraico. Outras descobertas bíblicas E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO
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