Diário do Amapá - 27/05/2026
ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 27 DE MAIO DE 2026 “ Quem sustentará o Brasil do futuro é um jovem negro, não é um jovem branco". A ponderação é da coordenadora da Unidade de De- senvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvi- mento (Pnud) Brasil, Betina Barbosa que vai além: "É fundamental colocar essas pes- soas dentro da equação do desenvol- vimento. Não por romantismo, mas pela viabilidade do país. Sem colocar essas pessoas nessa equação do de- senvolvimento, o país não se viabiliza”. O Pnud Brasil divulgou, nesta ter- ça-feira (26), a pesquisa Radar IDHM, que apresenta os dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). Os números mostram as de- sigualdades que ainda existem no Brasil e apontam para o alto grau de desen- volvimento das pessoas brancas, que já fizeram a transição demográfica, em comparação à população negra. A especialista argumenta que qual- quer política pública precisa ser mais inclusiva com o jovem negro. As desi- gualdades entre brancos e negros per- sistem e continuam significativas, em- bora a distância tenha diminuído ao longo da série que começou em 2012. O período de análise da publicação vai até 2024. Enquanto o IDHM dos brancos evoluiu de 0,804 em 2012, para 0,851 em 2024, ο dos negros saiu de 0,694, em 2012, para 0,774 em 2024. A escala do Pnud para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo: muito alto, acima de 0,800; alto, de 0,700 a 0,799; médio, de 0,555 a 0,699; e baixo: abaixo de 0,555. Quan- do o programa das Nações Unidas co- meçou a calcular esse índice, há 30 anos, o Brasil era um país de IDHM baixo. No geral, em 2024, o Brasil alcançou IDHM de 0,805, em comparação a 0,744 em 2012, ingressando pela pri- meira vez no grupo de países com de- senvolvimento humano muito alto. “As desigualdades brasileiras ainda são regionais, mas o que os dados mos- tram é que todos nós melhoramos, melhoramos os brancos e melhoramos os negros, mas o tamanho do fosso é o mesmo. Em algummomento, os ganhos de melhoria para os brancos serão mar- ginais. Então, como é que eu vou me- lhorar o país? Com os ganhos dos ne- gros, que são a maioria da população”, explica. “Eu estou falando de 80% da popu- lação na região Norte que é negra, e de 76% na região Nordeste. Se eu tenho políticas públicas voltadas para esses segmentos que ainda estão à margem, eu diminuo as desigualdades regionais”, afirmou Betina em entrevista coletiva em Brasília, que antecipou os dados da pesquisa à imprensa. Democracia “Não é romantismo, não se trata de ideologia. Se trata de uma equação matemática”, afirmou a coordenadora do Pnud ao explicar que a população produtiva está envelhecendo e que não há jovens para substituí-los. “E os jovens que têm são jovens negros, sejam eles homens ou mulheres negras e que precisam, na verdade, dar conta da equação do desenvolvimento brasileiro”, acrescenta. ■ BRASIL DO FUTURO DEPENDE DOS JOVENS NEGROS, MOSTRA ESTUDO DO PNUD DESIGUALDADES V Foto/ Marcello Casal JrAgência Brasil
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