Diário do Amapá - 29/05/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 29 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O s números mais recentes do Anuário da Polícia Rodoviária Federal expõem uma tragédia que insiste em se repetir nas es- tradas brasileiras. Em 2025, foram registrados 72.529 acidentes nas rodovias federais, com 83.550 pessoas feridas e 6.043 mortes. O dado mais alarmante, porém, não está apenas na quantidade de ocor- rências: cerca de 93% das mortes tiveram relação com falhas humanas. Por trás das estatísticas existem histórias interrompidas, famílias devastadas e vidas transformadas em segundos. E entre os comporta- mentos que seguem alimentando essa realidade, um continua se desta- cando como símbolo da imprudência moderna: o uso do celular ao vo- lante. A cena é conhecida. O motorista recebe uma mensagem, olha rapidamente para a tela, res- ponde um aplicativo, verifica uma notificação ou atende uma ligação acreditando que “é só um instante”. Mas esse instante pode ser sufi- ciente para perder o controle do veículo, ignorar uma frenagem à frente ou deixar de perceber um pedestre, uma motocicleta ou uma curva. Quando o olhar abandona a estrada para buscar atenção em uma tela, o risco deixa de ser individual. O motorista imprudente não co- loca apenas a própria vida em perigo, ele trans- forma todos ao redor em vítimas potenciais. Especialistas em segurança viária alertam há anos que dirigir exige atenção integral. Ainda assim, a cultura da hiperconectividade mantém milhares de condutores presos à falsa sensação de que conseguem dividir o foco entre dirigir e interagir com o celular. Não conseguem. O resultado aparece nos números e os aci- dentes provocados por desatenção, excesso de velocidade, consumo de álcool e outras escolhas evitáveis continuam lotando hospitais, causando prejuízos econômicos e, principalmente, produzindo perdas irreparáveis. Nenhuma mensagem é mais urgente do que chegar vivo ao seu des- tino. Cada notificação respondida enquanto se dirige carrega um risco silencioso. Cada segundo de distração pode significar uma colisão. Cada imprudência pode deixar uma cadeira vazia em casa. As rodovias brasileiras não precisam de mais campanhas emocionadas depois das tragédias. Precisam de decisões conscientes antes que elas aconteçam. Porque, no trânsito, um olhar para o celular pode custar uma vida inteira. ■ Cada noti*cação respondida enquanto se dirige carrega um risco silencioso. Cada segundo de distração pode signi*car uma colisão. Cada imprudência pode deixar uma cadeira vazia em casa. As rodovias brasileiras não precisam de mais campanhas emocionadas depois das tragédias. Celular ao volante e um segundo de distração custa vidas nas estradas brasileiras E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E sse foi um dos temas que tratei na minha palestra na Catedral de São José do Rio Preto no Dia Nacional do Congregado Mariano em 17 de maio último. Quem leu a Nota Doutrinal Mater Populi fidelis (Mãe do Povo fiel) do ano passado, pode crer que o Papa Leão XIV rebaixou Maria. Na verdade, a Nota restaura a posição correta da Santa Maria na Igreja e foi resultado de mais de 30 anos de estudos sobre o assunto. A hiperdulia, excessiva, de Maria pode ser responsável pela "hipodulia" das outas santas da Igreja Primitiva e da própria mulher até hoje. O excesso da graça divina em Maria retira os méritos dela na obra da Salvação. Valho- me do livro "Mary in the New Testament", uma Avaliação Colaborativa de Especialistas Protestantes e Católicos da Igreja dos Estados Unidos, editado por Raymond E. Brown (padre e o arqueólogo preferido do Papa Paulo VI). É preciso analisar o Novo Testamento e a Patrística. O Evangelho Segundo Marcos é o pior emMariologia, trata Maria como quem desconhecia a missão. Marcos não conhecia Maria? Esbarramos no primeiro problema do NT, autoria, de todos os evangelhos e cartas, somente temos a certeza de um escritor: Paulo! E somente de sete cartas. As demais? Só Deus sabe! Mateus também não é generoso com Maria, José é o protagonista e comparado a José, filho de Jacó. Na genealogia de Jesus aparecem quatro mulheres de reputação duvidosa: Tamar, Raabe, Rute, Bet-Sabá (nem o nome aparece), além de Maria, que não engravida do marido. A própria citação de Isaías (7,14, no grego, uma virgem...) não bate com o original hebraico, que diz: uma jovem conceberá...). Cada episódio (magos, fuga ao Egito, massacre, retorno, Nazaré) é acompanhado por uma citação profética, ou seja, é o cumprimento das Escrituras. Algo curioso são os presentes incenso e mirra (no grego: libanon e smyrnan) dos magos, não são do oriente, mas do Líbano e Esmirna, onde haveria essênios, segundo Filon de Alexandria. A Sagrada Família foi estrangeira no Egito, outra curiosidade, a palavra usada no NT é "paroikoi", um estrangeiro com permissão para habitar, palavra que entrou na Igreja e que usamos até hoje: Paróquia, para lembrarmos que estamos aqui de passagem, nosso destino é a Jerusalém Celeste. Em Mateus, também não tem vida anterior em Nazaré, não tem censo, não tem quarto de hospedagem (traduz-se erradamente como hospedaria). A história contada em Lucas, exaltando Maria, merece um artigo à parte, especialmente, porque a tradução de Jerônimo extrapola o que Maria seja. Pergunto: qual é o nome da mãe de Jesus segundo João? Pois é, ele não fala, pode procurar. João a cita como "mãe de Jesus" e "mulher" (não é rude, é como o nosso "senhora"). Ela aparece no Evangelho apenas duas vezes: em Caná (Jo 2,1ss), e na cruz (19,25-27). É citada ainda em João 6,42. Os especialistas protestantes e católicos concluíram que "Minha hora ainda não chegou" não é afirmação, mas pergunta (o grego não tinha pon- tuação), ao que Maria assente e chama os servos. Ou seja, ela é a intercessora para o primeiro milagre em uma causa particular. Por que não seria para outras mais importantes? ■ Santa Maria foi rebaixada? Em Mateus, também não tem vida anterior em Nazaré, não tem censo, não tem quarto de hospedagem (traduz- se erradamente como hospedaria). A história contada em Lucas, exaltando Maria, merece um artigo à parte, especialmente, porque a tradução de Jerônimo extrapola o que Maria seja. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Jornalista MARIO EUGENIO

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