Diário do Amapá - 02/06/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa A bolsa de valores B3 fechou maio com queda acumulada de 7,22%, no pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023. O dólar comercial avançou 1,82% no mês e voltou a encerrar acima de R$ 5, em meio à saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira e à mudança no fluxo global de capital. Nesta sexta-feira (29), o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,73%, aos 173.787,49 pontos. A moeda esta- dunidense subiu R$ 0,011 (0,24%), cotada a R$ 5,0453. A bolsa brasileira acumulou a sétima semana conse- cutiva de perdas, em uma sequência iniciada após o Ibo- vespa renovar recordes históricos em abril. Desde então, o índice caiu da faixa de 187 mil pontos para a casa dos 173 mil pontos. O indicador reduziu o ganho acumulado no ano para 7,86%. Durante o pregão desta sexta-feira, o Ibovespa chegou à mínima de 172.686,36 pontos, menor nível desde janeiro, pressionado principalmente por ações ligadas a commodities (bens primários com cotação internacional) e bancos. A correção da bolsa ocorre em meio à reversão do fluxo internacional que vinha favorecendo mercados emergentes nos últimos meses. Parte dos recursos voltou a ser direcionada para ações de tecnologia nos Estados Unidos e em países asiáticos, como Coreia do Sul e Taiwan, reduzindo a atratividade relativa do mercado brasileiro. Na bolsa de Nova York, os principais índices renovaram máximas históricas. O Nasdaq acumulou alta de 8,36% em maio, enquanto o S&P 500 avançou 5,15% no perío- do. Pressão cambial No câmbio, o dólar encerrou maio com alta de 1,82%, após ter recuado 4,36% em abril. A valorização da moeda estadunidense refletiu a saída líquida de capital estrangeiro da bolsa brasileira, estimada em R$ 14,1 bilhões no mês até o dia 27. Pela manhã, o dólar chegou à máxima de R$ 5,07, mas perdeu força ao longo do dia. Além do fluxo externo, o mercado reagiu à percepção de juros elevados por mais tempo no Brasil e nos Estados Unidos. A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro tri- mestre de 2026 ante o trimestre anterior, resultado acima das expectativas e que reforçou dúvidas sobre a conti- nuidade do ciclo de cortes da Selic. Investidores também acompanharam desdobramentos políticos e geopolíticos, incluindo a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. (Com informações da Reuters) ■ FLUXO GLOBAL Bolsa tem pior mês desde 2023, e dólar sobe 1,82% em maio ● ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 TERÇA-FEIRA | 02 DE JUNHO DE 2026 A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), re- ferência oficial da inflação no país, passou de 5,04% para 5,09% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda- feira (1º), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) coma expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Com a guerra noOrienteMédio pres- sionando o preço dos combustíveis e a inflação, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela décima segunda se- mana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Estabelecida pelo ConselhoMonetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com in- tervalo de tolerância de 1,5 ponto per- centual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Em abril, o preço dos alimentos pres- sionou a inflação oficial, que fechou em 0,67%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em4,39%, de acordo como Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística (IBGE), ainda dentro do teto da meta de inflação. Para 2027, a projeção da inflação variou de 4,01% para 4,02%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,66% e 3,5%, respectivamente. Taxa Selic Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instru- mento a taxa básica de juros, a Selic, defi- nida atualmente em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, em abril, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez seguida, apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no OrienteMédio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom. Em ata, o colegiado não deu pistas sobre a evolução dos juros. No documento, o BC informou que está monitorando o conflito e os efeitos de um possível pro- longamento sobre a inflação. O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 16 e 17 de ju- nho. Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 11,25% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano. Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas tambémpodemdificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de ina- dimplência, lucro e despesas administra- tivas. Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econô- mica. PIB e câmbio Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições fi- nanceiras para o crescimento da economia brasileira este ano saiu de 1,89% para 1,9%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) permanece em 1,7%. Para 2028 e 2029, o mercado fi- nanceiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos. ■ MERCADO FINANCEIRO ELEVA PREVISÃO DA INFLAÇÃO PARA 5,09% ESTE ANO IPCA V Foto/ Marcello Casal JrAgência Brasil

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