Diário do Amapá - 04 e 05/06/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA E SEXTA-FEIRAS | 04 E 05 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H á quem diga que os aplicativos de transporte revolucionaram a mobilidade urbana. Talvez. Mas uma contribuição pouco reconhecida dessas plataformas foi a criação de um vasto e involuntário museu nacional dos objetos esquecidos. Todos os dias, milhares de passageiros entram em carros de aplicativo carregando a própria vida em sacolas, mochilas, bolsas e pensamentos. O problema é que, na hora de sair, parte dessa vida resolve permanecer no banco traseiro. Até certo ponto, tudo parece compreensível. Um celular esquecido conta uma história. Uma carteira também. Um guarda-chuva, então, nasce praticamente com vocação para desaparecer. O estranho começa quando o esquecimento ganha ambição. Segundo levantamento divulgado por uma das plataformas do setor, pas- sageiros conseguiram abandonar durante as viagens uma cartela com 60 ovos, três melancias inteiras e um barril de chopp (ou chope) de 50 litros. Não se trata apenas de distração. É um compromisso quase artístico com o desa- pego. Imaginar a cena é inevitável. A pessoa chega em casa, abre a porta, cumprimenta a família, toma um copo d'água, conversa sobre o dia e, só algum tempo depois, percebe que as três melancias ficaram pas- seando pela cidade. Os eletrodomésticos tambémmerecemdestaque. Houve quem esquecesse liquidificador, cafeteira elé- trica e até uma airfryer recém-comprada. O entu- siasmo pela aquisição parece ter sido tão grande que o comprador chegou em casa levando apenas a felicidade. Nem os objetos de valor sentimental escapam. Um passageiro deixou para trás um pé de galo que pertencia à avó. Outro esqueceu a parte inferior da dentadura. Um terceiro perdeu um dente recém- caído. Em algum lugar do país, um motorista pro- vavelmente olhou pelo retrovisor e se perguntou se havia acabado de transportar uma mudança ou um capítulo de realismo fantástico. A distração atingiu categorias profissionais co- nhecidas justamente pela atenção aos detalhes. Um piloto esqueceu o quepe. Umprofissional da segurança deixou o cassetete. Músicos abandonaramberimbaus. Atletas deixaram troféus. Se a memória fosse mo- dalidade olímpica, alguns competidores estariam em situação delicada. Mas nada supera os objetos grandes. Porque es- quecer uma chave é humano. Esquecer uma televisão de 55 polegadas exige planejamento. Um ventilador de pé também apareceu na lista. Não é fácil ignorar um equipamento que ocupa mais espaço do que alguns passageiros. Talvez o caso mais triste seja o da peça de dominó esquecida. Apenas uma. A de sena e terno. Em algum domingo, uma família inteira deve ter in- terrompido a partida para discutir teorias, suspeitos e possíveis conspirações. Os campeões de desaparecimento continuam sendo os velhos conhecidos. Celulares, chaves, bolsas, mochilas, óculos e carteiras lideram o ranking nacional da distração. Eles formam a elite do esquecimento brasileiro, sempre presentes, sempre perdidos. No fundo, os carros de aplicativo se transformaram em testemunhas pri- vilegiadas da correria moderna. Transportam passageiros apressados, preo- cupações urgentes, compromissos inadiáveis e, ocasionalmente, melancias abandonadas. A boa notícia é que recuperar um objeto perdido ficou mais fácil com os recursos disponíveis nos aplicativos. A má notícia é que, antes de procurar ajuda, é preciso lembrar exatamente o que foi esquecido. E essa, convenhamos, costuma ser a parte mais dif ícil. ■ No fundo, os carros de aplicativo se transformaram em testemunhas privilegiadas da correria moderna. Transportam passageiros apressados, preocupações urgentes, compromissos inadiáveis e, ocasionalmente, melancias abandonadas. A incrível arte de esquecer o inesquecível E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO A o se falar em direito a um emprego e a um salário digno, a trans- porte e moradia, não podemos apenas refletir com a disciplina Economia, temos que acrescentar na discussão outras disciplinas, até mesmo a Religião. Tudo vem da Federação e ao observar a agenda presidencial, a imprensa nos informa que temos um presidente que não se reúne com os geradores de riqueza, aliás, nem com seus ministros. É um governo sem estratégia e sem estrategistas. O desemprego (desocupação) piorou muito desde o primeiro trimestre de 2.012, cuja taxa foi de 8%, segundo o IBGE. A partir de 2015 começou a subir, atingindo 11,1% no primeiro semestre de 2.016 e piorou durante a gestão de Bolsonaro que no primeiro trimestre deste ano fechou em 11,1%. Já a renda média caiu de R$ 2.612, dez anos atrás, para R$ 2.579, neste ano. E o PIB no primeiro trimestre cresceu 1%, superado entre as grandes nações apenas pelo México (1,2%) e Canadá (1,4%). Apesar disso, não vimos o reflexo no emprego e renda. Talvez a quarta pior inflação do mundo (11,3% em abril) seja a causa do desastre da pátria amada, a taxa da Rússia foi de 16,7%, Argentina, 55% e Turquia, 70%. Os juros têm sua culpa também, enquanto no Brasil fechou em quase 13%, Turquia e Rússia ficaram em 14% e a Argentina em 47%. Os preços do diesel e da gasolina não param de subir e o governo não sabe o que fazer. Talvez se o presidente parasse com motociatas, jetski, churrascos com picanha de R$ 1.200 o kg, e tra- balhasse reunindo seus ministros com a sociedade que pensa, poderiam elaborar uma estratégia para baixar os preços, afinal, desde Itamar, todos os presidentes conseguiram. Só o mito(mano) não consegue. Algum assessor mais esclarecido (deve ter algum) poderia dizer que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, não foi feita para proteger bandido. Por exemplo, em seu artigo 23, diz: "Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha do emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remune- ração por igual trabalho. Todo ser humano, que trabalha, tem direito a uma remuneração justa e satisfatória que lhe as- segure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dig- nidade humana." O presidente declara-se católico e defensor da família e da vida, apesar de defender o excludente de ilicitude (morte de qualquer bandido sem passar pela Justiça), deveria ouvir João Paulo II que nem o mais estulto dirá que seja comunista: "O trabalho é uma dimensão fundamental da existência humana, pela qual é construída cada dia a vida humana, da qual recebe a própria dignidade específica" (Laborem Exercens, nº 1) e "O trabalho humano é provavelmente a chave essencial de toda a questão social" (nº 3). De qualquer forma, presidente, deputados e senadores deveriam abrir os olhos, a pesquisa Ipespe de 6 de maio mostra que os cidadãos que podem votar elegem como prioritários a Educação (23%), Inflação e Custo de Vida (23%), Desemprego (17%) e Saúde (14%), seguidos pela Fome/ Miséria (6%), Corrupção (5%) e Violência (4%). ■ "O trabalho é uma dimensão fundamental da existência humana, pela qual é construída cada dia a vida humana, da qual recebe a própria dignidade específica" (Laborem Exercens, nº 1) e "O trabalho humano é provavelmente a chave essencial de toda a questão social" O direito e o desemprego MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sêniordo INPE
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