Diário do Amapá - 06/06/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 06 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E stou morando em Lisboa, este ano, mas venho novamente de visita ao sul da França, pois gosto demais da Côte D´Azur e da Provence, que fica encostadinha. Passamos por Nice, onde já ficamos algumas vezes – uma cidade grande e linda, à beira do Mediterrâneo - e estamos em Fayence, cida- dezinha da Provence, encantadora. Estamos no início do verão, então recém saímos da primavera, de maneira que está tudo muito verde e pejado de flores, muita cor por todo lado. Vejam que privilégio: escrevendo minha crônica na Provence, ao ar livre, ouvindo a cigarra, que é tempo dela, e os muitos passarinhos que (po)voam a região. Minha filha mora aqui, em Fayence, numa casa ampla e acolhedora, com todos os confortos de uma casa da cidade e o bônus de estar rodeada de árvores, numa região tranquila e pacata. Muitas vinhas – as uvas estão cacheando, o fruto ainda está pequeno, mas os pés estão carregados. As oliveiras também de floresceram recentemente, estão cheias de azeitonas, sem contar os pés de nozes, de amêndoas, de ameixas (aquela com a qual se faz a ameixa preta, eu esclareço, porque no Brasil chamamos a nêspera de ameixa, erroneamente), figos, cerejas, pêssegos, morangos, etc., etc. É verdade que o interior nos dá várias vantagens, como o ar puro, a boa comida, muita coisa produzida aqui mesmo, o bom vinho, a amizade dos vizinhos que nem são muito próximos, geograficamente, porque todos têm terrenos grandes, mas todos se conhecem e se dão bem. No segundo dia desta revisita à Fayence, saí com Romain para fazer compras. Fomos a uma quitanda, emMontauroux, tipo Direto do Campo, aí no Brasil, com muita variedade de frutas e verduras, legumes e queijos, tudo fresquinho. Emais: tudo comcertificado de origem, com o nome do produtor. Uma beleza. Dá vontade de levar tudo. Romain comprou muita coisa, inclusive uns cogumelos Porcini, fresquinhos e grandões, que ele fez grelhados e ficou uma delícia. Também fomos a um supermercado que tem um açougue fantástico: diversos cortes de carne de vaca, de vitelo, de borrego, de carneiro, frescas e de aparência excelente, organizadas em seus diversos cortes, inclusive alguns já temperados, prontos para ir ao fogo. E os embutidos e queijos da região também são ótimos, especialidade da região. O jantar foi um banquete. E depois passamos numa boulangerie, quer dizer, padaria. E os pães, ah, os pães e derivados, doces e salgados, recheados ou com cobertura e com essa farinha de grano duro daqui... Eu sou suspeito para falar porque sou movido a pão, mas dentre uma variedade imensa de pães deliciosos, há um que eu consegui gostar mais, que é um pão de gorgonzola. Mas gosto de todos. No dia seguinte fomos a Seillan e jantamos no restaurante La Gloire de mon Pére. Pedimos comida da região e conhecemos pratos fabulosos. O res- taurante fica num declive ao lado da rua, mas como agora é verão e há uma área belíssima do lado de fora, com árvores centenárias, uma fonte enorme no meio e uma outra fone coberta ao lado, também centenárias, as mesas ficam dispostas ao redor da fonte redonda e as lanternas por todo o espaço e as lâmpadas no alto tornam o ambiente meio mágico. Já havíamos estado ali, em outras visitas, mas como era inverno, o restaurante funcionava só dentro do prédio. É um lugar belíssimo. Ontem estivemos no Lac de Saint-Cassien, um lago enorme que abastece a região e também tem praias, além de ser um lugar onde se pode pescar e fazer aulas de mergulho. Isso tudo sem falar na vastidão de água, outro lugar belíssimo. ■ Verão na Provencee Fernanda aniversariou, no dia 24 de junho, e fizemos uma festa junina bem brasileira, com pé-de-moleque, paçoquita, bolo de milho, cachorro quente, brigadeiro, cajuzinho, beijinho, pipoca, tortas salgadas. LUIZ CARLOS Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC Advogado Teólogo, pedagogo e advogado E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com N a semana em que se celebra o Dia de Combate à Violência Infantil, o Brasil presenciou uma decisão judicial que não somente causou espanto, mas também provocou uma reflexão profunda sobre o trilho pelo qual a justiça se move em nossa sociedade. Após dez dias de julgamento, o 2º Tribunal do Júri do Rio condenou, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo pela morte da criança Henry Borel. A pena total foi fixada em 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. No entanto, Monique Medeiros, mãe do menino, foi condenada pelo Conselho de Sentença, que entendeu que houve negligência em sua conduta, reconhecendo a prática de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela também foi condenada por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho, com pena de um ano e quatro meses de detenção em regime aberto. Apesar disso, segundo a acusação, a juíza Elizabeth Machado Louro, convenceu os jurados a desclassificaram a acusação de homicídio doloso, concedendo a seguir, o perdão judicial pelo crime, sob a alegação de que a mãe seria vítima de uma sociedade patriarcal e misógina. Essa decisão levanta sérias questões sobre a proteção das crianças e a responsabilidade dos adultos emsuas vidas. A argumentação da juíza, que apontou a opressão social como justificativa para o perdão, revela o viés ideológico que toma conta do judiciário brasileiro. O perdão judicial, que deve sempre ser aplicado com cautela, neste caso, parece minimizar a gravidade do crime e, pior ainda, abre um precedente perigoso. Ele sugere que mães e pais podem se esquivar de suas responsabilidades ao se apresentarem como vítimas de uma estrutura social opressora. Os problemas jurídicos são evidentes. Osistema judiciário que deveria priorizar a proteção das crianças, estar enviando uma mensagem equivocada de que a impunidade é uma opção viável, especialmente quando se trata de questões de gênero. Isso cria um ambiente em que a violência contra crianças pode ser relativizada emnome de narrativas sociais. O que está em jogo não é apenas a vida de uma criança, mas a integridade de um sistema que deveria ser baseado na justiça e na verdade. Além disso, essa decisão pode agravar ainda mais, a desconfiança no sistema judiciário, especialmente entre aqueles que esperamque a justiça proteja osmais vulneráveis. Se as pessoas sentirem que a justiça é influenciada por nar- rativas sociais ou ideológicas, a credibilidade das decisões judiciais que já estão está em baixa, ficará muito mais com- prometida. Diante desse cenário, a promotoria já anunciou que pretende recorrer da decisão. Aexpectativa é que a apelação aponte para a necessidade de uma análisemais rigorosa das responsabilidades parentais, especialmente em casos tão graves. A resposta da promotoria é umsinal de que, embora a decisão da juíza tenha causado controvérsia, ainda há esperança de que a justiça prevaleça e que a voz de Henry não seja silenciada outra vez. A politização das decisões judiciais é uma preocupação crescente no Brasil. A escolha de utilizar a alegação de uma sociedade patriarcal e misógina como base para o perdão judicial, revela um fenômeno onde a justiça se torna um campo de batalha para ideologias. O que deveria ser um tribunal imparcial se transforma em um espaço de disputas políticas e sociais, onde a verdade e a proteção dos vulneráveis ficam em segundo plano. A sociedade precisa urgentemente refletir sobre os rumos que a justiça está tomando. As decisões que envolvem a vida de crianças requerem uma análise fria e objetiva, longe de pressões sociais ou ideológicas. A proteção das crianças deve ser inegociável, e a absolvição de responsáveis por crimes tão graves é um sinal alarmante de que a justiça pode estar se desviando de seu verdadeiro propósito. O caso de Henry não deve ser apenas uma estatística em um relatório de violência infantil; deve ser um chamado à ação. A sociedade precisa exigir um sistema judiciário que proteja seus cidadãosmais frágeis, garantindo que a justiça não apenas seja feita, mas que seja feita de forma justa e efetiva. A vida de uma criança não pode ser subjugada a narrativas que buscam justificar a impunidade. Mas, o que esperar de uma justiça que se utiliza de criatividade para perseguir desafetos políticos, e faz uma ginástica hermenêutica para pôr em liberdade os mais terríveis criminosos. ■ A sociedade precisa urgentemente refletir sobre os rumos que a justiça está tomando. As decisões que envolvem a vida de crianças requerem uma análise fria e objetiva, longe de pressões sociais ou ideológicas. A proteção das crianças deve ser inegociável, e a absolvição de responsáveis por crimes tão graves é um sinal alarmante de que a justiça pode estar se desviando de seu verdadeiro propósito. Justiça em crise: quando a lacração suplanta o direito RODRIGO LIMA JUNIOR

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