Diário do Amapá - 09/06/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 09 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br E m 2019, diversos cientistas liderados pelo chefe de Ciências da Terra do Museu de História Natural, Professor Richard Herrington, enviaram uma carta ao Comitê de Mudanças Climáticas alertando que se os 31,5 milhões de carros do Reino Unido forem substituídos por veículos elétricos até 2050, como planejado pelo governo, isso gerará uma demanda de quase o dobro do fornecimento global anual atual de cobalto. Por enquanto, tanto a mineração, quanto a indústria tem dado conta. Os pesquisadores também calcularam que, com base na mais recente tec- nologia de bateria de lítio NMC 811 (cátodo feito com 80% de níquel, 10% de cobalto, 10% de manganês), a demanda do Reino Unido por baterias de veículos elétricos exigirá três quartos do lítio do mundo e o dobro da produção anual mundial de cobalto. Hoje, mais de 80% da energia consumida pela humanidade provém de fósseis, como petróleo, gás natural e carvão. A eletricidade é a forma de energia que dominará o futuro, gerada pelo sol e pelos ventos principalmente. Estima-se que até 2040, 40% do consumo energético será na forma elétrica. Com isso, estimam que a energia necessária para minerar materiais para baterias de veículos elétricos consumirá 22,5 TWh (TeraWatt-horas), o equivalente a seis por cento do consumo elétrico anual atual do Reino Unido. Só a mineração dos materiais de bateria para substituir os dois bilhões de carros no mundo exigiria quatro vezes a produção elétrica anual total do Reino Unido. Inviável em qualquer cenário. Em outras palavras, embora o carro elétrico seja uma solução para o problema do consumo de energia fóssil e poluição, não é possível a médio prazo. Ou seja, é preciso buscar outras soluções complementares, como reduzir o uso dos carros, promovendo políticas públicas de transporte público, facilitação do uso de bicicletas, elétricas ou não e caminhadas a pé. Caminhar faz bem não somente à saúde f ísica, mas também a mental. Lembro até hoje quando resolvi abandonar o ônibus e ir a pé até a Universidade Federal de São Carlos de 1982 a 1984. Eram duas caminhadas de meia hora, dedicada ao Terço e à re- flexão. Porém, o carro elétrico não precisa ser dependente de bateria, há a alternativa do hidrogênio, ou seja, e eletricidade vem de uma célula de combustível. O gás hidrogênio é armazenado no tanque de combustível. Na célula, ele reage com o oxigênio da atmosfera, produzindo energia elétrica, calor e água. O calor e a água saem do cano de escapamento como vapor de água e a eletricidade vai direto para o motor. Certamente, um passo intermediário, por duas ou três décadas, será substituir motores comuns dos ônibus, caminhões e carros por motores híbridos, muito mais eficientes e leves. Somente esta medida representa uma economia de 30% dos combustíveis. O uso de álcool também contribuiria muito. Enquanto omundo civilizado organiza-se e planeja, o que nossos governantes e políticos representantes estão fazendo? Estão elaborando políticas públicas facilitando a solução? ■ Certamente, um passo intermediário, por duas ou três décadas, será substituir motores comuns dos ônibus, caminhões e carros por motores híbridos, muito mais eficientes e leves. Somente esta medida representa uma economia de 30% dos combustíveis. Carro elétrico? MARIO EUGENIO S e tem uma coisa que o brasileiro aprendeu a cultivar ao longo das últimas décadas é a paciência. E o varejo nacional parece seguir pelo mesmo caminho. Fevereiro trouxe números que reforçam um movimento já esperado: desaceleração. O Índice do Varejo Stone (IVS) apontou uma retração de 0,9% no mês, puxado por uma queda de 1,6% no varejo f ísico. A exceção, como vem acontecendo nos últimos anos, é o comércio online, que registrou uma leve alta de 0,4%. Pequena, mas suficiente para mostrar que o consumidor quer facilidade e preço, e o digital ainda é o caminho mais curto para isso. O cenário não surpreende. O mercado de trabalho, embora ainda aquecido, começou a mostrar sinais de fraqueza. A taxa de desemprego subiu para 6,5% em janeiro, segundo a PNAD, e a criação de empregos formais perdeu fôlego. O que isso significa? Menos dinheiro circulando e mais gente pisando no freio na hora de gastar. Soma-se a isso a inflação dos alimentos, que insiste em pesar na conta do su- permercado, e o resultado é um consumidor que prioriza o essencial e adia o supérfluo. Os números não mentem Se a fotografia geral do varejo não é das mais animadoras, alguns setores ainda tentam remar contra a maré. Móveis e eletrodomésticos, por exemplo, tiveram uma leve alta de 0,2% em feve- reiro. Mas, sejamos francos: isso não significa re- cuperação. O setor continua no mesmo nível do final do ano passado, mostrando que o brasileiro ainda está cauteloso na hora de investir em itens duráveis. Já na análise por estado, Pernambuco liderou o crescimento, com alta de 1,8%, seguido por Roraima (1,6%) e Amazonas (1,1%). Do outro lado da moeda, Mato Grosso do Sul despencou 8,4%, sendo o maior tombo registrado no mês. Uma oscilação que reflete não apenas as dificul- dades econômicas locais, mas também o des- compasso entre as regiões do país. O que fazer? Reinventar-se Se há uma lição para o empreendedor diante desse cenário, é que a zona de conforto não é mais uma opção. O consumidor mudou, e o varejo precisa acompanhar. Estratégias personalizadas, campanhas assertivas e um atendimento omnichannel são mais do que recomendações – são condições para a sobrevivência no jogo do mercado. A boa notícia? O digital se consolida cada vez mais como um terreno fértil. Quem souber investir na experiência do cliente, integrar bem os canais de venda e oferecer condições atrativas pode ter um diferencial competitivo importante. Não basta apenas estar presente no e-commerce. É preciso oferecer praticidade, preços justos e uma experiência de compra fluida. O varejo brasileiro segue testando a paciência de quem compra e de quem vende. E, no fim das contas, vence quem souber jogar melhor com o tempo e as oportunidades. ■ O varejo brasileiro e o jogo da paciência Adolescentes negras, indígenas e de regiões rurais são as que mais enfrentam a gravidez precoce. E não é coincidência. É falta de acesso a serviços de saúde, educação e oportunidades. Jogue aí na mistura o casamento infantil, a violência sexual e a falta de informação sobre saúde reprodutiva, e você tem a receita perfeita para manter as desigualdades como estão. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIO J.L. SIMÃO

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