Diário do Amapá - 10/06/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 10 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA A h, a vida, esse espetáculo tragicômico onde todos queremo papel principal, mas ninguém sabe direito o roteiro! Sim, sim, seja sempre grato pelo que você tem. Afinal, o seu sapato velho e furado, que mais parece uma arca de Noé particular para suas meias, é o sonho de quem anda descalço, batendo os pés nas pedras da existência. Não ria, é sério. Para alguém, aquele seu sapato que já deveria estar nummuseu de tão desgastado, é um tesouro. E veja bem, aquele prato de arroz com feijão que você olha com desprezo como se estivesse encarando um grande inimigo, é o banquete imaginário de quem dorme com fome. Ah, a fome, essa inconveniente que nunca pede licença para entrar! Mas nós, claro, estamos ocupados demais reclamando das calorias extras. Agora, sobre a sua casa, aquela que você considera pequena e velha, mais caindo aos pedaços do que habitável... bem, tem gente que sonha com esse seu palacete. Paga aluguel e mal sobra para o jantar. E quando paga, deixa de comprar o pão. Ah, como é dura a matemática da so- brevivência! E você, claro, está lá, resmungando do azulejo que saiu da parede como se fosse um grande escândalo. E o trabalho? Ah, o trabalho! Aquele fardo pesado, com chefe chato e salário curto. Aquele que você jura que é uma tortura medieval moderna. Pois bem, tem gente que daria o braço — literalmente, se preciso fosse — para estar no seu lugar. Ah, mas claro, isso não muda o fato de que você acha que está vivendo uma versãomais longa emenos glamorosa de "OsMi- seráveis". E o seu filho, essa pequena máquina de caos e de- sordem, que te faz questionar a sanidade e o sentido da paternidade? Bem, ele é o sonho inalcançável de quem não pode ter filhos. Sim, é, o mesmo que te faz pensar que, talvez, só talvez, existisse uma cláusula in- visível no contrato da vida que te isentaria dessa parte. Agora, vamos ao ponto que todos tentam ignorar: as pessoas. Ah, como são carinhosas, generosas, inte- ressadas... em você? Não, claro que não! No que você pode fazer por elas. Faça um teste: pare de ser útil, de ser a fonte dos favores, dos préstimos, e veja quantos sobram para te dar bom dia. Sim, meus caros, a vida é um jogo de interesse, e não adianta fazer cara de ofen- dido. Com o tempo, meus amigos, você perceberá que quantomais envelhece, menos amigos tem. A boa no- tícia? Os que sobram serão os melhores ouvintes que você terá, não porque amamo somda sua voz, mas porque, provavelmente, já perderamparte da audi- ção. A vida é uma competição desde que saímos do útero. Nada de esperar o segundo lugar, não é? Não fomos criados para aceitar a derrota, embora seja um velho e fiel companheiro de todos. Queremos mais, mais, e sempre mais. O tempo todo. Nunca satisfeitos. E aí, por que será que o mundo está sempre à beira da guerra? Claro, estamos todos buscando conquistar algo, mesmo que não saibamos bem o que. Então, meu amigo, aproveite. Durma bem, coma o que der na telha (quem sabe um pouco de brócolis aqui e ali), ame-se antes de tudo, e quando resolver fazer algo, faça bem feito. Deixe suamarca, mas semexageros. Ah, e não esqueça de planejar o dia. Tenha metas. Ou não tenha, porque às vezes o inesperado é o que salva. Invista no futuro — afinal, quem sabe o que o amanhã trará? E ensine, sim, ensine aos outros, delegue. A vida é um grande palco, e a peça que estamos encenando é, ao mesmo tempo, uma tragédia e uma comédia. Só depende de como você vê o show. Boa sorte, e lembre-se: o último a sair, apague a luz. ■ Um guia para viver melhor entre sapatos velhos e novos hábitos Então, meu amigo, aproveite. Durma bem, coma o que der na telha (quem sabe um pouco de brócolis aqui e ali), ame-se antes de tudo, e quando resolver fazer algo, faça bem feito. Deixe sua marca, mas sem exageros. Ah, e não esqueça de planejar o dia. Tenha metas. Ou não tenha, porque às vezes o inesperado é o que salva. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIO J.L. SIMÃO O Brasil utilizou neste ano uma área plantada de 77 milhões de hectares e tem uma área degradada de quase o dobro, 140 mi- lhões de hectares. Podemos triplicar a área utilizada para o plantio sem a necessidade de desmatar, podemos zerar o desmatamento hoje. Desde criança, lá nos anos 1970, escuto dizer que o Brasil tem a maior área agriculturável do planeta, será? Em novembro de 2017, Agência Espacial Norte-Americana (NASA) publicou o mapeamento e o cálculo das áreas cultivadas do Planeta, excluindo áreas de exploração e plantio florestal e de reflorestamento. Foi utilizado o satélite Landsat 8, ou seja, um método à prova das informações providas por governos. O mundo tinha 1,87 bilhão de hectares de lavouras. A população mundial estava em 7,6 bilhões em 2017. Cada hectare, em média, ali- mentaria quatro pessoas. Mas, a produtividade varia muito, em função de solos, clima, tecnologia empregada e tipo e qualidade dos cultivos produzidos. Disso de- correm grandes diferenças entre os desempe- nhos agrícolas dos países. Vemos isso também no Brasil, temos a Embrapa e outros institutos, podemos resolver rapidamente. As maiores extensões cultivadas estavam na Índia, 179,8 milhões de hectares, nos Estados Unidos, 167,8 Mha, na China, 165,2 Mha e na Rússia, 155,8 Mha, estes quatro países totalizam 36% da área cultivada do Planeta. O Brasil vinha em seguida (64 milhões de hectares na- quele ano), ocupa o quinto lugar, seguido por Canadá, Argentina, Indonésia, Austrália e Mé- xico. As áreas desses países representam as se- guintes porcentagens do total cultivado no Pla- neta: Índia, 9,60%; EUA, 8,96%; China, 8,82%; Rússia, 8,32%; Brasil, 3,42%; totaliza-se, com estes valores, quase 40%. Se o Brasil recuperar as áreas degradadas, seremos o primeiro, res- pondendo minha pergunta. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a área terrestre no mundo adequada para a agricultura, incluindo pecuária, em uso e po- tencial, compreende cerca de 3 bilhões de hec- tares. Entretanto, atualmente, mais de 1,5 bilhão de hectares de terras são usadas para a produção agrícola no mundo. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem muitos projetos para recuperação de solos em cada bioma brasileiro. Por exemplo, para disseminação nas Áreas de Proteção Permanente, inclui até mesmo a goiabeira, embora não seja nativa, ela estimula a revegetação natural, porque atrai muitas aves, que trazem sementes, funcionando como planta- núcleo de pequenos capões iniciais, defi- nhando depois, sob sombreamento. Outra planta interessante é a crotalária, leguminosa de rápido crescimento, que tem sido utilizada para adubação verde. Ela é excelente no controle dos nematóides do solo (pequenas larvas que atacam as plantas) e na fixação biológica de nitrogênio (400 kg por hectare), reduzindo a necessidade de aplicação de fertilizantes nitro- genados. A crotalária é uma boa alternativa para a renovação de ca- naviais, pois pode ser cultivada entre os meses de outubro a março, beneficiando o canavial que será posteriormente replantado. ■ Por uma agricultura melhor Outra planta interessante é a crotalária, leguminosa de rápido crescimento, que tem sido utilizada para adubação verde. Ela é excelente no controle dos nematóides do solo (pequenas larvas que atacam as plantas) e na fixação biológica de nitrogênio (400 kg por hectare), reduzindo a necessidade de aplicação de fertilizantes nitrogenados. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO
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