Diário do Amapá - 11/06/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 11 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O uvi de um teólogo católico que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) era uma invenção brasileira e que não sabia que padres de origem anglicana poderiam casar. Confesso que fiquei muito surpreso, afinal, o Concílio Vaticano II instituiu as Conferências Episcopais nacionais e regionais pelo decreto Chistus Dominus (36-38) em 28 de Outubro de 1965, pelo Papa Paulo VI. A da França já existia desde 1919. Mas a curiosidade é que padres podem ser casados, mas não na Igreja Católica de rito Latino, somente nas orientais. Bem, nem todas, a Igreja in- corporou 23 igrejas orientais que têm rito próprio sendo que 21 delas permitem formar sacerdotes que já estejam casados. Recentemente, a Igreja Católica publicou, em 4 de novembro de 2009, a "Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus", documento em que Bento XVI apresenta as normas para o regresso dos grupos anglicanos à Igreja Católica. Os sacerdotes anglicanos, ou episcopais, como são chamados nos Estados Unidos, podem ser casados também. O código 758 §3 do Código Canônico das Igrejas Orientais estabelece que: "Quanto à admissão às ordens sagradas dos casados, observe-se o direito particular da própria Igreja sui iuris ou as normas especiais estabelecidas pela Sé Apostólica". Isto permite que cada Igreja sui iuris possa decidir sobre a admissão de homens casados às ordens sa- gradas. Atualmente, todas as Igrejas orientais ca- tólicas podem admitir homens casados ao diaconato e ao presbiterato, com exceção das Igrejas siro- malabar e siro-malankara. Os sacerdotes casados fora dos territórios orien- tais tradicionais tornaram-se um problemas a partir de 1880, quando milhares de católicos rutenos da Eslováquia, Polônia, Romênia e Ucrânia ocidental emigraram para os Estados Unidos da América. A presença dos respetivos ministros casados suscitou o protesto dos bispos latinos, pois tal presença provocaria um "gravissimum scandalum" junto dos fiéis latinos. Por isso, a Congregação de Propaganda Fide, com decreto de 1 de outubro de 1890, proibiu ao clero ruteno casado residir nos EUA. Em 1913, a Santa Sé decretou que no Canadá apenas os celibatários poderiam ser ordenados sacerdotes. Nos anos de 1929 e 1930, a então Congregação para a Igreja Oriental (CCO) emanou três decretos pelos quais proibia o exercício do ministério aos sacerdotes orientais casados em certas regiões. Com a privação dos ministros do seu próprio rito, um número estimado em cerca de 200.000 fiéis rutenos passou à ortodoxia. Isso persistiu até que a Sessão Plenária da Congregação para as Igrejas Orientais, realizada de 19 a 22 de novembro de 2013 no Palácio Apostólico, tratou amplamente da questão e apresentou ao Santo Padre o pedido de conceder às respetivas Autoridades Eclesiásticas a faculdade de permitir o serviço pastoral do clero casado oriental também fora dos territórios orientais tradicionais. O Santo Padre Francisco, na audiência concedida ao Prefeito da Con- gregação para as Igrejas Orientais, cardeal Leonardo Sandri, em 23 de de- zembro de 2013, aprovou o pedido. Assim, deixou de ser estranho ver padres casados entre nós. ■ O Santo Padre Francisco, na audiência concedida ao Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, cardeal Leonardo Sandri, em 23 de dezembro de 2013, aprovou o pedido. Assim, deixou de ser estranho ver padres casados entre nós. Padres podem casar? E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sêniordo INPE MARIO EUGENIO E stamos em setembro e neste mês temos a Semana Internacional do Livro, que começa no dia 23 e vai até o dia 29 de setembro. Uma semana inteira para comemorarmos o livro, este objeto mágico que perpetua personagens e lugares, que nos leva a viajar em histórias e fantasias. Um objeto mágico e encantando que nos traz cultura e diversão. Pois então, estamos vivendo o pico de uma revolução na publicação e na leitura de livros. O livro digital, ou e-book, chegou há já algum tempo, prometeu substituir o livro tradicional de papel impresso, mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. Os últimos tempos marcaram uma substancial mudança nos hábitos de ler, pois as novas tecnologias de publicação e leitura de livros passaram a ser mais usadas. Temos e-readers, como o Kinder, temos os tablets, que além de leitores de livros eletrônicos são pequenos computadores que fazem de tudo e temos os smartfones, que também podem ser usados para ler livros. A verdade é que, com tantas opções, os livros digitais também já têm maior acervo em oferta. As editoras dos livros tradicionais estão oferecendo seus livros também em formato digital. E eles vendem muito bem, quase tanto quanto o livro f ísico, impresso. Comprovadamente, o livro como o conhecemos, de papel impresso, continua forte e vendendo cada vez mais. O e-book também vende bem, pois é mais barato e não ocupa lugar, pode ir com a gente a qualquer lugar no nosso celular. Apesar de se constituir em uma evolução no nosso hábito de ler, uma opção a mais para o leitor, o livro tradicional vai continuar firme e forte . O que está acontecendo é que os dois convivem em harmonia. E isso é muito bom. Com a informática a serviço da leitura, esperamos que o hábito de ler se intensifique, até porque além do livro tradicional e do livro digital, temos também o áudio-livro, que possibilita aos deficientes visuais serem também consumidores de literatura. O au- diolivro facilita, também, àqueles que não têm tempo para ler, a oportunidade de ouvir bons textos enquanto fazem outra coisa. Então talvez possamos comemorar tanta tecno- logia a serviço da leitura, não esquecendo que o livro f ísico, aquele que podemos folhear, rabiscar e ler sem dependência de nenhuma fonte de energia, a não ser a nossa visão e a vontade de ler, continuará competitivo no mercado. Em comemoração à Semana do Livro, podemos repetir o que foi feito em um ano anterior, pela in- ternet: uma campanha meritória, que intimava a se pegar um livro qualquer e ler alguma coisa dele, o que pode nos incentivar a lê-lo todo: “Pegue o livro que estiver ao seu alcance ou aquele que você está lendo agora, ou ainda o que mais goste e abra na página 57 e copie uma frase ou um parágrafo dessa página – e coloque no Face, ou em outro programa de relacionamento. Simples assim. Conclua mencionando a obra e o autor.” Outra campanha excelente é aquela que sugere que pequemos livros de nossa autoria ou aqueles que já lemos e os “esqueçamos em diversos lugares, como bancos de praça, de aeroportos, de cinemas, de bares, de restaurantes, de ônibus, etc., para que outras pessoas o encontrem e o leiam, com uma mensagem na primeira página, explicando que o livro é para ser levado e lido e depois passado adiante. Não é interessante? Um pouco de motivação para a gente ler alguma coisa, ler mais, descobrir novos autores, um desafio a conhecermos novas obras. Então, se você encontrar algum livro “abandonado” ou um trechinho de algum romance ou de qualquer outro gênero de literatura em programas como Face ou outro, leia. Isso pode lhe trazer novas perspectivas de leitura e de visão de mundo. Comemore a Semana do Livro lendo. ■ Então talvez possamos comemorar tanta tecnologia a serviço da leitura, não esquecendo que o livro físico, aquele que podemos folhear, rabiscar e ler sem dependência de nenhuma fonte de energia, a não ser a nossa visão e a vontade de ler, continuará competitivo no mercado. Semana Internacional do Livro E-mail: lcaescritor@gmail.com Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC LUIZCARLOSAMORIM
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