Diário do Amapá - 13/06/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa O emprego para pessoas com 60 anos ou mais tem crescido no Brasil proporcionalmente mais do que para outros grupos da população. No entanto, essas vagas vêm acompanhadas de mais informalidade, ou seja, sem carteira e sem proteção trabalhista. Nos últimos dez anos, o número de pessoas 60+ no mercado de trabalho saltou 53%. No mesmo período, o tamanho dessa população na sociedade brasileira cresceu 37%. Essa comparação significa que o emprego dos idosos cresce em ritmo mais acelerado que o envelhecimento da população. A constatação faz parte de um estudo divulgado esta semana pela empresa de pesquisa e de inteligência de dados Nexus. De 2016 a 2025, o número de idosos no país passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões. Eles eram 13% da po- pulação, e atualmente são 17%. Nesse período de dez anos, o contingente de traba- lhadores 60+ avançou de 5,7 milhões para quase 8,8 mi- lhões. No fim do ano passado, uma em cada quatro (25%) pessoa 60+ estava ocupada. Em 2016, a taxa era 22%. O dado de 2025 é o maior dos últimos dez anos. Na comparação com a população geral, o crescimento populacional foi de 5% no período, subindo de 203,2 mi- lhões de pessoas para 212,6 milhões. Já o número de empregos expandiu-se 14,6%. Ao fim de 2025, o Brasil tinha praticamente 103 milhões de trabalhadores. Meio cheio, meio vazio OCEO (diretor executivo) da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia os resultados como um “copo meio cheio, meio vazio”. “Por um lado, a gente pode celebrar o fato de que as pessoas quando chegam aos 60, 70 anos, ainda estão com uma capacidade ativa para o trabalho”, disse à Agência Brasil. Entretanto, acrescenta ele, há uma precarização do período comumente destinado à aposentadoria, lembrando que a faixa etária inclui pessoas de 75 anos, por exem- plo. “A pessoa que tem 75 anos de idade que, em tese, já deveria estar gozando da sua aposentadoria e muitas vezes precisa continuar trabalhando provavelmente para complementar a sua renda”, diz. ■ INFORMALIDADE Ocupação de pessoas 60+ sobe 53% em 10 anos; ritmo supera o dos jovens ● ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SÁBADO | 13 DE JUNHO DE 2026 E ntre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza nas regiões metropolitanas dopaís.Os dados sãodoboletimDesigualdade nasMetrópoles, produzido emparceria pelo Observatório das Metrópoles, a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e a Pontif ícia Universi- dade Católica do Rio Grande do Sul (PUC- RS). Segundo o estudo, baseado em infor- mações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de pobreza em 22 metrópoles brasileiras chegou a 18,4% em2025, “alcançando, pelo terceiro ano con- secutivo, o menor valor da série histórica [desde 2012]”. “Foi uma redução significativa. Um pa- tamar grande, apesar do nível de pobreza ainda se manter bastante alto no conjunto dasmetrópoles doBrasil”, afirma, ementrevista à Agência Brasil, o economista e sociólogo Marcelo Ribeiro, professor do Programa de Planejamento Urbano e Regional da Uni- versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Observatório das Metrópo- les. Para o especialista, a redução observada da pobreza tema ver coma remuneração do trabalho e foi beneficiada comamaior oferta de ocupações no país. “Estámuito vinculada com o fato de as pessoas mais pobres terem aumentado o seu nível de renda a partir do rendimento do trabalho.” Ele descarta que a melhoria tem a ver com os programas sociais de transferência de renda. Os valores pagos peloBolsa Família não sofrem alteração desde março de 2023. Renda domiciliar mensal Conforme o boletim Desigualdade nas Metrópoles, “a renda média domiciliar per capita do conjunto das metrópoles do país alcançou novo recorde em 2025”. O valor foi de R$ 2.766. No ano passado, havia nas regiões me- tropolitanasRMcerca 15,2milhões depessoas (15.188.817) em situação de pobreza – que contavamcomaté R$ 729 por mês (valor re- sultado da renda domiciliar mensal dividida pelonúmerode pessoas da família). Ovolume equivale ao total da população somada do Pará, da Paraíba e de Sergipe. Desse universo, 2,6 milhões de pessoas estavam em condição de extrema pobreza: contavam com até R$ 229 por mês (renda familiar per capitamensal).Ovolume equivale ao total de habitantes de Fortaleza ou de Salvador. Oboletimdestaca que “a taxa de extrema pobreza caiu para 3,2%no conjunto das me- trópoles brasileiras. Esse nível só foi maior do que as taxas registradas em 2013 e 2014. 10% mais ricos ganham 16,1 vezes a mais que os 40%mais pobres O boletim também avaliou a concen- tração de renda aferida pelo índice de Gini. Em 2025, o valor foi de 0,511 – conforme o indicador, quanto mais próximo de 1, maior o acumulodo rendimento emmenor número de pessoas. Segundo nota de divulgação do estudo, “o aumento da desigualdade [entre 2024 e 2025] também foi identificado pela razão entre os rendimentos dos 10% mais ricos e dos 40%mais pobres da população. Em2025, os integrantes do topo da distribuição de renda receberam, emmédia, 16,1 vezesmais do que aqueles situados na base, reforçando a persistência das disparidades socioeconô- micas nas metrópoles brasileiras.” Desigualdade nomapa Ribeiro ressalta que a desigualdade tem distribuição geográfica. As metrópoles das regiões Norte eNordeste têmproporcional- mentemais pobres do que as do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal, com média de renda mensal de R$4.401, dispõe de um valor 2,7 vezes maior do que a média de renda da grande São Luís (R$ 1.616). As regiões metropolitanas observadas foram Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife,Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Floria- nópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá e Goiânia, o Distrito Federal e a Região Ad- ministrativa Integrada de Desenvolvimento de Teresina (PI). ■ SALÁRIOS DIMINUEM POBREZA EM 22 REGIÕES METROPOLITANAS RENDA V Foto/ Paulo Pinto/Agência Brasil
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