Diário do Amapá - 16/06/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 16 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA T odo senador, deputado e vereador, além dos governantes deveriam ler o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) para o Desenvolvimento Econômico e Social da China. E estudar e aprender como se pensa e se constrói uma nação, sem patriotismos inúteis. Em especial, o capítulo 25, que trata do aumento da produção, qualidade e desempenho geral da agricultura e cujo sucesso representará uma grande perda para os produtores brasileiros, pois, hoje, o mercado chinês é o destino de 71% das exportações nacionais de soja e 54% da carne bovina. Isso representa uma dependência deles de mais de 60% de toda a soja importada e cerca de 40% de sua carne, algo inadmissível para a estratégia chinesa. Logo na Seção 1, Garantia de Abastecimento de Grãos, procuram implementar uma estratégia para armazenar mais grãos e aumentar produção de grãos em 50 milhões de toneladas. E esforços serão feitos para melhorar a produtividade por hectare. Isso seguindo um sistema tripartite: quantidade, qualidade e ecologia das terras cultiváveis. Pre- pararão melhor as terras cultiváveis, atuando no sistema de drenagem e irrigação, protegendo o solo negro, e manejando solos acidificados e solos salino-alcalinos. Investirãomais na prevenção e mitigação de desastres (o contrário do que acontece no Brasil). E refarão o zoneamento de recursos agrícolas. Na Seção 2, tratam de mais apoio à Ciência e Tecnologia na agricultura. Visam uma agri- cultura mais orientada pela tecnologia, ecológica, focada na qualidade e na modernização. E pla- nejam revitalizar a indústria de sementes, for- talecendo o uso de recursos genéticos, a melhora do sistema comercial e desenvolvimento de novas variedades com alto rendimento e ampla adaptabilidade, elevando a segurança para as fontes de sementes. Ainda buscarão desenvolver máquinas e equi- pamentos agrícolas para aumentar a eficiência agrícola, para elevar a taxa de mecanização do plantio à colheita para mais de 80% da área agrí- cola. Ainda esperam avanços na conservação de água usada na agricultura. Incentivarão empresas líderes em ciência e tecnologia agrícola, combinando funções de interesse público e comerciais. E a Seção 3 trata da construção de um sistema diversificado de abas- tecimento de alimentos. Isso significa ampliar não somente a agricultura, mas também a silvicultura, pecuária, aquicultura, pesca e suínos. Apostam em melhorias das indústrias de bovinos de corte, ovinos e gado leiteiro. Ainda, o desenvolvimento da indústria de forragem e silagem. E, mais, o cultivo em instalações energeticamente eficientes, mecani- zadas e de alta eficiência, e a criação intensiva de aves e gado. Desenvolver recursos alimentares de rios, lagos, mares e florestas. E a biotecnologia sintética será desenvolvida para explorar novas fontes de proteína. Sigo o crescimento chinês desde 1989, creio que não haja ninguém que afirme que os 14 planos anteriores falharam e por que não seguimos esse exemplo? Buscar aumento da produção com respeito à ecologia e também o crescimento da renda, utilizando-se progresso científico e tecnológico. ■ O 15º Plano Quinquenal Chinês E, mais, o cultivo em instalações energeticamente eficientes, mecanizadas e de alta eficiência, e a criação intensiva de aves e gado. Desenvolver recursos alimentares de rios, lagos, mares e florestas. E a biotecnologia sintética será desenvolvida para explorar novas fontes de proteína. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO H á algo profundamente perturbador quando um governo decide esconder informações por cem anos. Não se trata de uma década. Não se trata de uma geração. Trata-se de um século inteiro. Um período tão longo que nenhum dos cidadãos vivos hoje estará aqui para cobrar explicações. Nenhum dos respon- sáveis estará presente para responder perguntas. Nenhum dos sig- natários precisará encarar os olhos daqueles que pagaram a conta. Quando um acordo feito em nome do povo recebe um carimbo de sigilo por cem anos, a suspeita deixa de ser exagero. Ela passa a ser consequência natural. Afinal, qual é a justificativa legítima para ocultar algo por tanto tempo de quem financia, sustenta e legitima o próprio Estado? Vivemos ouvindo discursos sobre transparência. A palavra é repetida em palanques, entrevistas, campanhas e pronunciamentos oficiais. Transparência virou slogan. Mas slogans não sobrevivem aos fatos. E o fato é simples. Se algo foi realizado em nome da sociedade, a própria sociedade deveria ter o direito de saber o que foi feito, por quem foi feito e quais interesses foram contemplados. Dizer que o povo não precisa conhecer os detalhes de uma negociação realizada em seu nome é uma afirmação que cheira a malan- dragem institucionalizada. É o tipo de raciocínio que transforma cidadãos em meros especta- dores de decisões que afetam suas vidas. É uma inversão moral perigosa. O verdadeiro dono da informação passa a ser tratado como intruso. O sigilo de cem anos tem uma característica particularmente cruel. Ele não protege apenas documentos. Ele protege responsabilidades. O tempo age como uma borracha implacável. Apaga memórias, elimina testemunhas, dissolve contextos e enterra culpados. Quando os ar- quivos forem finalmente abertos, quem res- ponderá pelos atos praticados? Quem estará vivo para justificar decisões, contratos, favorecimentos ou eventuais irregularidades? Talvez ninguém. E talvez seja exatamente essa a intenção. Porque um segredo guardado por cem anos não é apenas um se- gredo. É uma aposta na impunidade. É um cálculo frio de que a in- dignação popular possui prazo de validade. É a confiança de que, quando a verdade surgir, aqueles que deveriam prestar contas já terão desaparecido das páginas da história. Enquanto isso, resta uma pergunta que deveria incomodar qualquer cidadão que ainda acredita na ideia de democracia. Quanto custou essa brincadeira feita em nosso nome? Quantos perderam? Quantos ganharam? E, sobretudo, quanto levaram para que a luz precisasse ficar apagada por um século inteiro? ■ Um século de silêncio sobre uma sujeira Porque um segredo guardado por cem anos não é apenas um segredo. É uma aposta na impunidade. É um cálculo frio de que a indignação popular possui prazo de validade. É a confiança de que, quando a verdade surgir, aqueles que deveriam prestar contas já terão desaparecido das páginas da história. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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