Diário do Amapá - 17/06/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 17 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E mmeio ao fervor da Copa do Mundo, que hoje movimenta as con- versas em cada esquina de Macapá e Santana, é impossível ignorar que o gramado, muitas vezes, serve como o palco onde as nações resolvem, ou ao menos sublimam dores que a diplomacia e as armas não conseguiram encerrar. Como bem sabemos, aqui nas terras de Cabralzinho, onde a defesa de nossa fronteira e de nossa soberania moldou nossa identidade, a história não é apenas o que passou, mas o que explica o presente. Mas, voltemos à Copa. Em abril de 1982, a Argentina viu-se numa guerra real contra o Reino Unido pelas Ilhas Malvinas. A derrota militar deixou uma ferida aberta em uma geração inteira de argentinos. Quatro anos depois, no México, o destino colocou os dois países frente a frente nas quartas de final. Para qualquer argentino, aquele 22 de junho de 1986 não era apenas um jogo de futebol. Era a chance de re- cuperar, simbolicamente, o que havia sido perdido nas Malvinas. Foi naquele dia que Diego ArmandoMaradona imortalizou a dualidade humana: a trapaça e a obra-prima. Primeiro, a "Mão de Deus", um gol validado pelo erro humano, mas sentido como justiça divina por um povo ferido. Quatro minutos depois, o "Gol do Século", onde Maradona driblou não apenas cinco ingleses e o goleiro, mas o próprio peso da história. Ao levantar a taça, ele não erguia apenas um troféu; ele devolvia a dignidade a uma nação. Hoje, o roteiro parece se repetir com novos e dramáticos contornos. Enquanto os Estados Uni- dos e o Irã participam desta Copa sob a sombra de um conflito real iniciado em fevereiro, o mundo observa com apreensão. A tensão é ta- manha que, embora os jogos ocorram em solo americano, a seleção iraniana buscou refúgio e sede no México. Diferente de quatro anos atrás, no Catar, onde se enfrentaram na fase de grupos, o sorteio desta edição os colocou em chaves dis- tintas, os EUA no Grupo D e o Irã no Grupo G. No entanto, o destino pode estar preparando um reencontro explosivo. Se as duas seleções avançarem em seus grupos, o cruzamento na fase eliminatória é uma possibilidade real. Um duelo que, dadas as cir- cunstâncias atuais, carregaria um peso político e emocional comparável ao de Argentina e Inglaterra em 1986. O campo de futebol, mais uma vez, deixaria de ser apenas um espaço de lazer para se tornar um território de afirmação de soberania. Nós, amapaenses, entendemos bem esse sentimento. Assim como os argentinos em 1986, sabemos que a preservação da memória e a defesa do que é nosso são atos de vigilância constante. Francisco Xavier da Veiga Cabral, o nosso Cabralzinho, nos ensinou em 1895 que a dignidade de um povo se defende com bravura, seja nas margens do Rio Calçoene ou na definição das fronteiras simbólicas que o esporte nos proporcio- na. Futebol nunca foi só futebol. É a continuação da política, da história e do orgulho nacional por outros meios. Por isso reafirmamos que um povo que não respeita onde pisa e não conhece sua história, não entende a fronteira que o protege, seja ela feita de terra, água ou das quatro linhas de um gramado. ■ O Gramado como Campo de Batalha Das Malvinas ao Estreito de Ormuz Hoje, o roteiro parece se repetir com novos e dramáticos contornos. Enquanto os Estados Unidos e o Irã participam desta Copa sob a sombra de um conflito real iniciado em fevereiro, o mundo observa com apreensão. E-mail: anaiceadv@gmail.com Advogado JORGEANAICE O biometano possui características semelhantes às de uma commodity, mas ainda não tem produção, nem ampla comercialização. No início de agosto, em minha carta eletrônica (e- mail) para quase 4 mil parlamentares brasileiros (senadores, deputados e vereadores) fiz a seguinte sugestão: Que tal, ao invés de gastar meio trilhão de reais em ter- melétricas a combustíveis fósseis, financiar termelétricas a biogás dos esgotos das cidades? São mais de 1.300 cidades com mais de 50 mil habitantes. Seria um bom negócio para as cidades, o meio ambiente e um exemplo para a COP-30. Por que isso importa? Oras, bolas! Se espoliarão o povo brasileiro con- sumidor de energia, que se utilize essa fortuna em algo que tenha futuro promissor e não em uma tecnologia moribunda e poluidora. Sugeri o trata- mento do esgoto, mas há o biogás gerado de lixo também, que, aliás, é um problema, pois o gás metano provoca o efeito estufa que, como sabemos, é 28 vezes mais danoso que o gás carbônico, é gerado nos lixões e escapa para a atmosfera. Curiosamente, três quartos das emissões de gás metano do Brasil estavam ligados à produção de gado de corte e leiteiro, foram 14,5 milhões de to- neladas do total de emissões em 2023, o equivalente a 406 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, de acordo com um estudo di- vulgado pelo Observatório do Clima em 27 de agosto. E as emissões brasileiras do metano au- mentaram 6% entre 2020 e 2023. Esse é um problema que exige pesquisa científica e tecnológica. Uma pequena parte daquele meio trilhão poderia financiar os cientistas As iniciativas privadas já farão do Brasil o 5º maior produtor de gás renovável até 2030. O bio- metano pode ser produzido com resíduos da fa- bricação de açúcar e álcool e da criação de porcos e aves. Segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), a capacidade instalada de produção na- cional de biometano está pouco acima de 800 mil metros cúbicos (m3) por dia, com 12 usinas. Em 2032, deverá chegar a 8 milhões m3/dia. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) registra uma produção atual de 470 mil m3/dia e estima que, em 2029, o país terá 93 usinas de biometano. O biometano é uma grande oportunidade para o agronegócio porque todas as atividades agrícolas produzem resíduos que podem ser utilizados. E a Abiogás estima que a produção de biometano pode chegar a 120 milhões de m3/dia, cerca do dobro da demanda por gás natural no país, se- gundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Estima-se que 56% virá da produção de açúcar e álcool, 38% da pecuária e 6% do aproveitamento do lixo urbano. Diversas empresas estão tomando iniciativa de investimento na área, bem como alguns estados, como o de São Paulo que firmou parceria com a World Biogas Association (WBA) para a implementação de um conjunto de políticas, regulamentações e padrões necessários para acelerar o desen- volvimento da indústria do biogás e com isso impulsionar políticas públicas e iniciativas que ampliem a produção e o uso do biogás e do biometano, criando novas oportunidades de negócios e geração de emprego e renda. ■ Biometano será comodity O biometano é uma grande oportunidade para o agronegócio porque todas as atividades agrícolas produzem resíduos que podem ser utilizados. E a Abiogás estima que a produção de biometano pode chegar a 120 milhões de m3/dia, cerca do dobro da demanda por gás natural no país, segundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia MARIOEUGENIOSATURNO
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